Sábado, 13 de Dezembro de 2008

Uma moeda para Caronte

 
 
Há precisamente cinco anos, num dia soalheiro e frio, aconteceu-me perecer debaixo de água, num mergulho trágico, e acabar nesse cais tétrico entre este mundo e lá para onde vai aquela barca.
Nela preparava Caronte mais uma viagem e sem sequer me olhar de frente já tinha estendido a manápula num gesto mecânico, onde depositei o soldo que lhe cabia.
Foi depois de me observar com uma expressão deslocada, que de novo me virou as costas e remou para longe. Ainda hoje não sei se por falta de lugares sentados ou puro desinteresse na encomenda.
 
Buraco tapado por Citadina às 11:30
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12 comentários:
De -pirata-vermelho- a 13 de Dezembro de 2008 às 11:59
Onde?

Porquê?


Conte lá.
De Citadina a 16 de Dezembro de 2008 às 10:37
Caro pirata,

Onde: num naufrágio que se encontra ao largo do Cabo Espichel, um cargueiro nigeriano com 175m de comprimento chamado River Gurara, que naufragou na madrugada de 26 de Fevereiro de 1989. É dos destinos de mergulho mais procurados em Portugal continental por formar um recife artificial e atrair várias espécies de fauna rara. Dada a violência da tempestade que o fez naufragar, o navio partiu-se ao meio, estando a popa mais próxima da costa, a cerca de 17 metros de profundidade e proa mais "off-shore", a cerca de 27 metros de profundidade.
Aqui pode encontrar uma descrição do naufrágio: http :/ www.marinha.pt /extra/revista ra_mar2004 /pag_23.html

Porquê? Não sei. Não me lembro de nada. Só me lembro de estar no porto de Sesimbra às 8 da manhã a tomar o pequeno almoço. Depois disso ainda houve a viagem até ao local de mergulho (cerca de 40 minutos de barco) e o mergulho em si. Esse intervalo de tempo é um vazio na minha memória, assim como os dias seguintes, quando estive entre a vida e a morte nos cuidados intensivos do Hospital Garcia D'Orta .
Recuperei a consciência 3 dias depois e fiquei internada mais dez dias nos cuidados intermédios. A causa mais provável terá sido uma intoxicação de CO debaixo de água, causada por um ataque de asma.
Demorei um ano a recuperar fisicamente.
Nunca mais fiz mergulho com equipamento autónomo de respiração.
Até hoje não tenho recordação alguma do acidente.
De -pirata-vermelho- a 16 de Dezembro de 2008 às 19:06
Que coisa mais estranha...


Ainda bem que se safou!
Devia voltar a mergulhar. Nem que fosse só mais uma vez ou duas...
a menos de vinte metros.

Mas não repita a gracinha qu'a gente gosta de si 'assim'
De Citadina a 17 de Dezembro de 2008 às 10:19
Alguns meses após o acidente voltei a tentar mergulhar. Fiz dois ou três mergulhos e não me senti bem, sendo que estas coisas, ou se fazem por prazer ou então não vale a pena.
Hoje em dia faço mergulho em apneia nas férias, é menos arriscado e assim continuo a dar vazão ao gosto pelo mar.
De Duca a 13 de Dezembro de 2008 às 19:53
Nem por um motivo nem por outro. Apenas porque não tinha de ser e ainda bem porque gosto muito de ti minha amiga.

Como eu gostava de saber escrever assim! Talvez um dia, quando for "grande". Beijo
De Citadina a 16 de Dezembro de 2008 às 10:53
Duca,
Muito obrigada, querida amiga, embora eu esteja convencida que não é uma questão de "grandeza" escrever assim, é antes uma questão de esrever tanto que de vez em quando lá algo sai bem... (pelo menos no meu caso)
De Vanessa a 14 de Dezembro de 2008 às 13:44
Isso foi porque o gajo viu que fazias cá muita falta e que ia ter problemas com umas quantas gajas que enfurecidas lhe iam fazer uns buracos volumosos na barquinha e que lhe iam enfiar o remo pelo Aqueronte acima. Pronto.
De Citadina a 16 de Dezembro de 2008 às 11:03
Querida Vanessa,
Está no nosso sangue: é naufrágios em barda, os que são palco de acidentes de mergulho e os que nós causamos quando estamos de mau humor. Desde os Descobrimentos que é assim.
"(...) o remo pelo Aqueronte acima" é que é uma variação fabulosa!!
De Gaivota a 14 de Dezembro de 2008 às 14:34
Não com uma descrição tão mitológica, mas...no dia antes e alguns mais contados anos, também eu, estive na barca (ou para embarcar) Talvez porque a óbolo não estava no sítio, talvez por isso, fui rejeitada... continuo por cá

Que se festejem os renascimentos
De Citadina a 16 de Dezembro de 2008 às 11:07
Pois é, Gaivota, isto de andar sem trocos no bolso tem as suas vantagens desde tempos imemoriais.
Veja hoje em dia quanto se poupa em "estacionadores" não tendo trocos!!
Ainda bem que continua por cá e muito obrigada pela visita, volte sempre.
De A metade a 15 de Dezembro de 2008 às 13:48
- Ó da Barca! Ó da Barca!
- Dizei Srª, diga-me cá...
- Para onde Ides?
- Para o lado de lá
- Ter com Deus, Maomet, Buda, o diabo ou outros tantos camafeus?
- Mas.. é para ir ou para conversar?
- Tenho trocos, se estes te chegam...
- Venha o dinheiro, que esse é dos melhores amigos do vicio...
- Bem... na verdade eram para a maquina, para o tabaco...Seu estropício (só para rimar)
(quase a entrar...)
- Alto lá... aqui não podeis entrar, que tenho a lotação quase esgotada. Esta viagem é só de ida e com hora marcada.
- Também estou sem tabaco e essa barca é de não fumadores, também não iria nela...
- Gozais comigo?
- Não. Mudei de ideias, hei-de fazer a viagem... mas só a que está marcada... Entretanto vou gozar... A vida

(é bom ter-te por cá)

De Citadina a 16 de Dezembro de 2008 às 11:12
Metade,
És um homem de inúmeros talentos, pois se não é fenomenal esta adaptação do Auto da Barca do Inferno!
Olha, por falar nisso, sabes aquela anedota do tipo que se recusa a ir para o Céu porque quer ir para ao pé dos amigos e esses estão todos no Inferno? Pronto, se me quiseres encontrar "depois", lá terás de exigir o mesmo...

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