Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009

À direita nada de novo, mas ao centro também não

Para o PS, (agora parece que já) é possível que os homossexuais possam constituir família, mas atenção, não uma família qualquer. Tem de ser uma família sem filhos.

Para o PS, os homossexuais continuam a ser inaptos para adoptar e, por conseguinte, educar crianças. Só por serem homossexuais são desclassificados a priori.

Por poderem desviar as crianças da sua orientação sexual "normal". Por poderem traumatizá-las. Por não poderem, estritamente dentro do casal, fazer os seus próprios filhos.

Os argumentos são vários e invariavelmente estúpidos.

Para chegar a esta conclusão basta pensar que a decisão de adoptar uma criança tem pelo menos tanto a ver com amor, generosidade, altruísmo, bondade, vontade e responsabilidade quanto a decisão de fazer um filho.

Eu diria mesmo que muitas, mas muitas vezes, tem ainda mais a ver.

E, convenhamos, esse é um excelente ponto de partida.

Poder-me-ão dizer que não basta querer, também é preciso poder. Mas então, terão de o dizer a todas as famílias, por muito convencionais que elas aparentem ser, e também a priori e com efeitos restritivos/impeditivos, porque essas famosas famílias "clássicas" são conhecidas por, muitas vezes, causarem profundos traumas às crianças, inclusivé de natureza sexual.

 

É sabido que as únicas famílias sem problemas são as que ainda não conhecemos bem.

Por isso, não é de esperar que uma família constituída por um casal do mesmo sexo e filhos por ele adoptados seja perfeita. No entanto, é isso que hipocritamente pedem aos homossexuais.

E esses, claro, só estão em condições de garantir, baseados nas inúmeras experiências e testemunhos que já é possível reunir por esse mundo fora, que ser filh@ de um casal homossexual não traumatiza, a priori, ninguém mais do que ser filho, simplesmente.

Nem "desvia" ninguém da sua orientação sexual inata, porque se o exemplo dos pais tivesse esse poder, eu, filha de pais heterossexuais, com uma irmã heterossexual, não seria homossexual, verdade?

A única coisa que traumatiza as crianças filhas de casais homossexuais não são os pais delas, não, são antes as pessoas que não descansam enquanto não as fizerem sentir-se mal por essa condição, são as pessoas que mesquinhamente as perseguem com dogmas de "normalidade", são aquelas pessoas que se julgam melhores que um homossexual só por serem heterossexuais. Essas sim, é que traumatizam as crianças.

Buraco tapado por Citadina às 18:40
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11 comentários:
De estrelaminha a 21 de Janeiro de 2009 às 10:17
bom dia!
concordo em absoluto. na minha opinião, as pessoas sentem-se ameaçadas com a felicidade dos casais ditos diferentes. é mais fácil espezinhar, denegrir, do que apoiar causas desconhecidas (para eles) e que ainda assustam muito boa gente.
estamos a dar passos pequenos, pequenos demais para o que se vai observando nos países mais evoluídos.
enfim, é o que temos...
beijos para a menina e para a Cosmopolita
De Citadina a 22 de Janeiro de 2009 às 16:04
Muito obrigada, beijinhos para vocês também!
De Tulipa a 21 de Janeiro de 2009 às 10:53
No que diz respeito `a adopcao `e tudo uma grande hipocrisia. A ultima vez que me informei, eu, sendo solteira, ficava no fundo da lista. Porque `e melhor uma crianca nao ser adoptada que ser adoptada por uma galderia solteira!
De Citadina a 22 de Janeiro de 2009 às 16:07
Exacto! E o que dizer de dois devassos ou duas devassas homossexuais?! Melhor as crianças ficarem na Casa Pia para serem, quem sabe, violadas! TUDO é preferível à adopção por um casal homossexual! Amén!
De Feronica a 22 de Janeiro de 2009 às 09:54
Filhos? Famílias? Educação? Traumas? Casamento homossexual?
Que raio! Será que não sabem que estão para chegar novos meios de perpetuação da espécie e da opulência dos países desenvolvidos? Não sabem que que finalmente se concretizarão os vaticínios do "admirável mundo novo"?
Ninguem vai ter filhos! Acabam-se crias, progenitores e instintos maternais. Acabam-se os paternalismos e os moralismos, acabem-se até os catolicismos (e muitos outros ismos).
Não haverão individuos, os seres humanos serão produzidos em massa. apenas restará uma elite que com recurso à clonagem se autoperpetuará para garantir a ordem no novo mundo e se deleitar com o que lhe aprouver sem choros, fraldas ou ranhos. Até o sexo, que será actividade exclusiva da elite e estéril, sem qualquer finalidade que não o prazer, vai deixar de ser objecto de estereótipos.
A sério que não sabiam mesmo nada disto? Filhos? Ainda acabam numa reserva para humanos rústicos!

Ass: uma lésbica psicótica

PS: Há quem diga que por ter lido Aldous Huxley ainda na adolescencia, fui marcada pelo conteudo manifesto sem perceber que a importancia estava no latente. São pessoas que o consideram um mero escritor. Cá para mim, e só para nós: eu sei que era um profeta.
De Citadina a 22 de Janeiro de 2009 às 16:19
Toda a gente, no fundo, no fundo, sabe que era um profeta, mas... o rei ainda não vai nú. Considera isto a sua Idade Média, em que se queimam as bruxas, os bruxos, e... ele.
Mas o Re-Renascimento há-de vir.

Assinado: Uma lésbica optimista.
De viz a 22 de Janeiro de 2009 às 19:09
meninas vejam o film "as filhas do botânico"...
no fundo fundo fundo, temos sorte por ter nascido neste continente, mesmo com toda a miseria que anda à volta!
Beijkas
De Citadina a 23 de Janeiro de 2009 às 14:04
Querida Viz,
Sim, eu vi o filme, passa-se na China dos anos 80.
Sim, é verdade que a nossa realidade podia ser muito pior, que a homossexualidade podia levar-nos a acabar com uma bala na cabeça, ou a cenários ainda mais terríveis.
Mas sim, também é verdade que, estando melhor que na China e noutros lugares do mundo, não deixamos de ter um papel a desempenhar aqui, uma contribuição a dar a este país (e a outros, deste mesmo continente), para que se alcance um patamar superior de justiça e dignidade: o fim da discriminação, a igualdade de direitos. Eu sei que estás de acordo.
Beijos!
De Feronica a 24 de Janeiro de 2009 às 08:51
Eu tabém vi o filme. Tenho que concordar, há realmente piores sitios para nascer e para viver. Acontece que esta é no entanto a postura nacional tipica resultante da cultura de "do mal o menos" do "valha-nos a sorte" do "podia ser pior" ou ainda de "no meio do azar ainda tivemos sorte".
Sorte (porque para alem da adaptação tb seria fruto do acaso) teria sido que no seus processos evolutivo e adaptavivo, tivessem calhado à nossa espécie outros mecanismos de coesão e inclusão social diferentes da homogeneidade, onde as diferenças valorizadas n fossem somente as biológicas mas também, entre outras, as comportamentais, emocionais e culturais.
Quanto à China, e outros locais do género, no fundo fundo fundo, a questão ultrapassa em muito a discriminação pela orientação sexual ou a sua criminalização. Pela informação que nos chega, sabemos que no minimo a questão se coloca ao nivel dos mais elementares principios dos direitos, da dignidade humana e da liberdade.
De qualquer maneira, não deixas de ter razão e o ponto de vista faz efeito, fez-me sentir um pouco melhor, bafejada pela sorte de um nascimento no velho continente Europeu.
Obrigada pelo "placebo à portuguesa".

De Observador a 24 de Janeiro de 2009 às 13:16
Maneiras diferentes de ver as coisas, admitem-se.
Demagogia, não!

E parece que é perante isto que nos encontramos.

Bom fim de semana
De Citadina a 26 de Janeiro de 2009 às 14:52
É, parece que sim.

Um bom fim de semana também, o próximo, visto que me atrasei a retribuir o simpático voto! :)

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