Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Estou fodida com o meu PPR, mas porque é que eu acredito nos bancos?!

Eu já tinha obrigação de ter aprendido a vomitar automaticamente nos pés de quem profira a palavra "risco" na minha presença, especialmente quando a ouço dentro de uma dependência bancária.

Sempre que me meti a comprar acções fartei-me de perder dinheiro, mesmo tendo-o colocado nas mãos de "grandes especialistas" que ganham 25% ao ano na bolsa com a carteira deles, mas que para mim invariavelmente não conseguem ganhar um chavo.

Há três anos subscrevi um PPR com uma "componente accionista moderada" porque as rentabilidades esperadas eram fabulosas, que eu não me preocupasse que não me ia arrepender. Escusado será dizer que estou a perder dinheiro.

Consultei um conhecido que trabalha no sector financeiro sobre esta matéria que, escusado será dizer, se desatou a comportar como um oráculo desdenhoso da minha ignorância.

Oh pá, Cit, para já isso tecnicamente não devia ser possível, os PPRs por definição têm capital garantido, isso era já uma queixa para o Banco de Portugal, mas o que interessa é que tu estás a comprar risco em vez de reforma, pá, e isso não é o teu objectivo, ao que eu pensei E onde é que tu estavas, ó cabrão, quando eu fui subscrever aquela merda, nunca estão onde é preciso, estes filhos da puta, e depois é só mandar estas bocas de grandes entendidos. Mas pronto, o que é que eu faço agora? e o gajo Pá, eu, se queres que te diga, não aconselho PPR's (estava-se mesmo a ver), os seguros de reforma são produtos interessantes, têm capital garantido e como as seguradoras agora estão a precisar de liquidez, deve haver boas ofertas.

E então posso transferir o meu PPR para um desses seguros de reforma?

Não, pá, uma coisa é um PPR, e o que tu tens não é um PPR, isso nem se devia chamar assim, mas pronto, outra coisa é um seguro de reforma.

Então posso transferir "isto que tenho" para um seguro de reforma?

Não, porque isso é um PPR, logo não lhe podes mexer sem penalizações.

Mas... Então transfiro o meu PPR para outro PPR com capital garantido?

Não, pá, senão levas com a comissão de transferência, agora deixa estar, de qualquer forma o grosso da desvalorização já está feito.

Então suspendo o plano de reforços do meu PPR e subscrevo um desses seguros de reforma com capital garantido?

Eh pá, eu pessoalmente gosto sempre de comprar algum risco...

Então, mas o meu PPR tem risco...

Iá, pá, pois tem, mas esse não é o teu objectivo, tás  a ver, o teu objectivo é comprar reforma.

Não, pá, o meu objectivo é que as minhas poupanças se valorizem, independentemente do que eu estou a comprar!

Mas agora me lembro, Cit, tu não és economista?

Não, pá, eu não sou economista, louvada seja eu, eu tirei foi uma licenciatura em economia, mas foi numa dessas faculdades neo-ultra-liberais cujas teorias nos puseram onde estamos, portanto de que é que me serve o que eu aprendi lá?! Eu ao menos admito que não domino os desígnios da economia mundial e nem me ponho a adivinhar o futuro com ares de profeta omnisciente a falar aos pobres de espírito, tás a ver?

... Pois...

Pois o caralho, pensei eu, e despachei o grande iluminado de merda.

Buraco tapado por Citadina às 12:35
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8 comentários:
De Observador a 26 de Janeiro de 2009 às 17:32
Quem se arrisca nessas coisas, corre mesmo um grande risco.
É dever da entidade bancária explicar tudo sobre qualquer produto que disponibilize.
Curiosamente, quem está no front office tem indicações dos seus superiores no sentido de explicar o menos possível e, apenas no caso do comprador fazer perguntas, aí sim, responder na medida das respectivas questões.

Como vês, é um risco.
Mas é um risco porque os donos da massa querem que seja.
Fazem tudo para vender o produto mas explicam pouco. Ou nada.

Assim sendo, sugiro que numa próxima oportunidade não arrisques.
Ou seja, pergunta tudo o que te vier à cabeça. Os gajos são obrigados a esclarecer.

Bjs
De Citadina a 27 de Janeiro de 2009 às 15:40
Olá, Observador!
Como deves calcular eu, perguntar, perguntei.
A questão essencial é que os jogos de sorte e azar - como as bolsas de valores, mercados financeiros e outros casinos não são para mim... Há quem tenha sorte ao jogo. Eu tenho sorte ao amor.
E é isto que já devia ter encasquetado na minha cabecinha: porquê continuar a insistir?
Sempre eu caio neste erro devia ser emitido um anúnicio à escala global: "Atenção! A Citadina comprou tais e tais títulos na bolsa! Estes irão cair vertiginosamente dentro de pouco tempo por qualquer razão inimaginável neste momento, mesmo que nada aponte para que isso aconteça! Venda os seus enquanto pode!"
De WL a 29 de Janeiro de 2009 às 00:26
Citadina, eu recomendo os certificados de aforro dos ctt, do que aí anda, ainda é o mais seguro!
Tendo em conta que não há penalizações, pode não se ganhar muito, mas perder também não se perde!
E se, não se mexer neles, podem sempre ficar prá reforma!;)
De Citadina a 29 de Janeiro de 2009 às 11:22
Muito obrigada pela consultoria financeira grátis, WL.

De WL a 31 de Janeiro de 2009 às 00:18
u'r welcome! ;)
De Observador a 29 de Janeiro de 2009 às 18:07
Com o devido respeito, permita-me WL que discorde.
Pelo simples facto de os certificados de aforro dos CTT já não serem o que eram e como eram.
Têm, de há uns tempos a esta parte, um muito menor rendimento.
O que, na minha perspectiva, joga a seu favor, é o facto de, por enquanto, serem seguros.
Mas olhe que para a reforma não dão.
Depende, claro, da quantidade de certificados que possamos ter na nossa posse.

Agradeço o espaço "cedido" pela Citadina e peço a WL que não se aborreça com a minha intervenção.
De Citadina a 30 de Janeiro de 2009 às 11:51
Pela minha parte não me aborreço rigorosamente nada, au contraire, espaço de debate construtivo é o que se quer! Obrigada pela contribuição!
De WL a 31 de Janeiro de 2009 às 00:17
Não me aborreço de todo...

Pois não dão que davam...mas comparando com os juros das contas a prazo, pra mim rendem mais!

Mas isto é como jogar póquer, cada um tem o seu bluff...depois é joquinho de cintura ou de mão! :P

Quantidade, Observador pra mim 2 é mais que 1 e assim sucessivamente!

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