Terça-feira, 24 de Março de 2009

O meu Meo e a Angelina Jolie

Para vos dar uma ideia que quão alheada eu posso ser em relação à chamada "cultura lésbica", até ontem à noite nunca tinha ouvido falar num filme chamado "Gia", em que Angelina Jolie desempenha o principal papel, representando uma top model fora de série e lésbica, afinal o sonho molhado da maioria das mulheres atraídas sexualmente por outras mulheres.

A película é baseada numa história verdadeira, ou melhor, numa pessoa que existiu mesmo. Essa mulher, Gia Maria Carangi, encantou as passerelles no fim dos anos setenta e primeira metade dos anos oitenta do século passado, tendo sido toda a sua vida adulta objecto de explorações várias, inclusivé as decorrentes de uma forte dependência de drogas duras, tendo sucumbido aos vinte e seis anos de idade, em 1986, vítima do flagelo da SIDA.

Pois bem, ontem à noite, num canal que se Chama "Fox: Next", do qual também nunca tinha ouvido falar até ter recentemente instalado o Meo, deleitei-me com um verdadeiro festival estético, tão estético quão bonita pode ser uma mulher em cada detalhe físico seu. E horrorizei-me com a armadilha que a beleza  extrema pode constituir, não no sentido de ser à priori prejudicial ser-se bel@,  muito menos no sentido de uma alusão demoníaca da beleza, tão clássica [a alusão] afinal, porque não é nada disso, nem neste caso as portas que a extraordinária beleza lhe abriu e o que lhe proporcionou foram o que a foi matando aos poucos, mas sim a ilusão de poder que ser bel@ dá a alguém, a essa pessoa e só a ela própria, uma tentação irresistível de cair na falácia de se achar sobrehuman@, impermeável a inseguraças e outras fragilidades, uma noção fantasiosa de domínio e influência muito perigosas para ela, mas também para quem lhe é emocionalmente próximo. Porque, se parece que toda a gente quer as pessoas belas, que toda a gente as solicita, alimentando-lhes o ego e a auto-estima, a realidade é que a grande maioria das pessoas apenas as quer possuir para alimentar o seu próprio ego, usá-las e deitá-las fora assim que aparece um melhor sucedâneo.

No fim, toda a gente se lembra dela, mas raros são os que vão sentir a sua falta e é este o epílogo de uma vida infeliz.

Buraco tapado por Citadina às 11:36
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2 comentários:
De Observador a 24 de Março de 2009 às 16:48
Gia Marie Carangi foi uma mulher muito "avançada" no tempo.

O seu grande vício, a cocaína, levou-a à morte, com SIDA.

E foi uma lésbica assumida desde cedo. Contra quase tudo e quase todos.

O filme dá-nos uma visão extraordinária do que foi uma vida que prometia mas desmoronou.
Afinal, o que aconteceu na realidade.
De Citadina a 25 de Março de 2009 às 13:24
É, eu também gostei do filme, Observador. Mas não conhecia a história nem a personagem, como já disse. Um bónus, portanto. E quem diz que Angelina Jolie é má actriz não viu este, de certeza!

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