Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

O machismo disfarçado de chefe

Ontem o meu chefe, e gosto de me referir a ele como "chefe" por essa ser uma das palavras porventura mais desprestigiantes no dicionário de Língua Portuguesa, chamou-me "filha".

"Pois é, filha, mas blá, blá, blá..." foi como tentou desacreditar a minha opinião técnica. De notar que também se refere a uma outra mulher hierarquicamente superior e que é da idade dele, cerca de cinquenta e poucos anos, como "a rapariga". De notar também que nunca lhe passaria pela cabeça tratar algum colega meu do sexo masculino por "filho" ou admitir que alguém se referisse a ele próprio como "o rapaz".

Na fracção de segundo imediata deve ter sentido o meu olhar gélido porque se apressou a emendar com um ainda pior "Filha, salvo seja!" sem me conseguir olhar de frente mas forçando o sorriso numa tentativa patética de tornar o ambiente mais leve.

Enfim, o que fazer, o que dizer? Livrou-se de um ácido "Não sou sua filha, nem sequer da sua família." porque, pelo meu lado, também sou a calculista que neste momento está interessada em que ele me pague o mestrado sem muitas ondas. E porque não tive tempo de dizer nada antes da emenda.

Mas é assim o mercantilismo das relações laborais: aturar tratamentos demeritórios em troca de (alguma) estabilidade financeira. O respeito e a consideração já não têm lugar.

Buraco tapado por Citadina às 13:01
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6 comentários:
De Cosmopolita a 11 de Setembro de 2009 às 18:16
Pois não. Chama-se a isso engolir "sapos". Há uns anos passei-me com um desses "chefes" e completamente alterada disse-lhe que havia um limite qualquer para se ganhar o pão nosso de cada dia. Julgo que não me compreendeu.
De Citadina a 14 de Setembro de 2009 às 12:37
É que os limites dessas pessoas são evidentemente diferentes dos nossos além de que para essas pessoas há claramente dois pesos e duas medidas: a delas e a dos outros todos. Se elas percebem quão grave e mau isso é? Como tu, julgo que não.
De Vanessa a 12 de Setembro de 2009 às 23:25
Querida... vá lá... a ti chamaram-te filha. A mim já me disseram que "um cão só obedece a um dono"! Haverá melhor que isto? É nestes momento que tenho umas estranhas saudades (estranhas porque nunca lá trabalhei) da Suécia, onde o respeito pelas pessoas não se perde com a posição que se ocupa na hierarquia. Mas curiosamente é também nestes momentos que sai de mim, sem eu a conseguir controlar, a minha metade latina que de imediato manda "o dono", AKA chefe, ir copular com a prostituta da sua mãe. E é por estas e outras que me encontro neste momento "entre donos". "Isto o mundo está perdido!"
De Citadina a 14 de Setembro de 2009 às 12:46
Gostaria de acreditar que não há "melhor" que isso mas infelizmente sabemos que há, como por exemplo os despedimentos de grávidas porque, exacto, estão grávidas (e sei que também fazes parte dessas estatisticas).
A questão aqui é denunciar, denunciar sempre e por mínima que pareça a questão porque senão nunca chegaremos à Suécia, ficaremos sempre ao nível, lá está, dos cães, não desfazendo a dignidade dos animais, antes daqueles que os tratam indignamente.
De Cosmopolita a 14 de Setembro de 2009 às 13:31
Bom, quero crer que na Suécia seja assim, mas depois de ler o Stieg Larsson não tenho tanta certeza...
De Citadina a 14 de Setembro de 2009 às 17:28
Tenho que ler isso, só estou à espera que toda a gente se esqueça desses livros para poder lê-los sem histeria à minha volta.

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