Terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Swings

Recebi hoje por mail uma crónica, alegadamente de Rui Zinc, a que achei imensa piada. Sei que já prometi à Citadina mil vezes que não publicava textos inteiros de outras pessoas, mas como por um lado não encontro esta crónica para a poder linkar e por outro lado não resisto a dar-vo-la a conhecer, aqui vai ela. Espero que gostem apesar de que, como ele próprio diz, "não há piadas de bom gosto".

 

"O elogio do Swing

 

Querido Metro, havia uma canção dos GNR que rezava assim: Quero veeer/ Portugal/na CEE. Pois eu estou na mesma onda curta: sonho com um Portugal em que meio mundo encorne meio mundo. E porque não começarmos já hoje? Está um lindo dia, temos coisa que mesmo as democracias mais avançadas não têm, que é sol e bom tempo (quando calha). Portanto de que é que estamos à espera, minha gente? Uma das vantagens deste jornal é que sai logo de manhãzinha, o que permite planificar decentemente o resto do dia. No emprego, no trabalho, ou mesmo no desemprego, não é tarde nem é cedo para dar a merecida (e abençoada por Deus) facadinha no matrimónio. Ou na união de facto. Tem mais piada no matrimónio, mas na união de facto também marcha. 


É que a infidelidade, mais que um direito, é um dever. Areja os poros, e devia ser receitada pelas melhores marcas de médicos. Apenas há uma regra: não ser apanhado. E aqui tenho de dar um puxão de orelhas ao nosso querido Cavaco Silva. É que ser apanhado com a boca nas escutas não é só imoral, é fatela. Só que os portugueses é a desgraça do costume. Figo não foi o primeiro jogador a trocar de clube, mas foi o único a merecer um ódio dos adeptos do tamanho da Catalunha inteira. “Pesetero!”, chamaram-lhe anos a fio, como se fosse crime perdermos o amor à camisola e escolher o clube que… nos trata melhor. Ora o amor é como a política: ser a mulher fiel não compensa, porque o pulha do nosso marido trata sempre melhor a amante. A única saída é sermos, então, nós mesmas a amante. E darmos, à hora do almoço (ou no elevador, ou na despensa, ou na sala de fotocópias), uma facadinha à maneira. Claro, pode ser até com o nosso marido. Não tem tanta piada, mas quem dá o que pode a mais não é obrigado. Os partidos, esses, aprenderam-no neste domingo. Acabou-se a fidelidade, queridos. A partir de agora o voto é volátil. E infiel. Quem hoje votou PP pode, na boa, amanhã votar CDU. Durante anos os eleitores fiéis viam o seu partido esfolar-se todo para seduzir os sonsos dos “indecisos”. Agora aprenderam a lição: até ao momento da urna SOMOS TODOS INDECISOS. Ou seja, finalmente o país atingiu um patamar superior de democracia: aquele em que os partidos nos têm de tratar, a todos sem excepção, como a amante que querem levar ao castigo. E nada de poupar nas flores, tá?" 

Buraco tapado por Cosmopolita às 15:05
Link do post | Tapa também

Dezembro 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
16
17
18
19
20
25
26
27

Posts por autora

Pesquisa no blog

Subscrever feeds

Outras ruas

Arquivo

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Tags

a vida dos outros(31)

açores e madeira(7)

ambiente e oceanos(21)

aniversários(19)

artes(6)

autarquias(12)

auto-recriações(24)

autores(7)

bem-estar(11)

blogs(73)

capitalismo(8)

catástrofes(4)

charlatonices(2)

cidadania(14)

ciências(3)

cinema(18)

citações(38)

clima(7)

condomínio(2)

curiosidades(26)

democracia(32)

desemprego(13)

desporto(22)

dilectos comentadores(5)

direitos humanos(11)

direitos liberdades e garantias(39)

e-mail e internet(6)

economia(27)

educação(8)

eleições(14)

emigração(5)

empresas(3)

estados de espírito(60)

europa(2)

eventos(33)

excertos da memória(24)

fascismo(9)

férias(25)

festividades(29)

fotografia(12)

gatos(10)

gestão do blog(15)

gourmet(3)

grandes tentações(11)

hipocrisia(3)

homens(6)

homofobia(17)

humanidade(8)

humor(24)

igualdade(20)

impostos(5)

infância(7)

insónia(6)

int(r)agável(25)

intimismos(38)

ivg(17)

justiça(17)

legislação(17)

lgbt(71)

liberdade de expressão(13)

língua portuguesa(7)

lisboa(27)

livros e literatura(21)

machismo(3)

mau gosto(8)

media(3)

mulheres(17)

música(35)

noite(5)

notícias(22)

óbitos(5)

países estrangeiros(19)

personalidades(9)

pesadelos(5)

petróleo(4)

poesia(9)

política(86)

política internacional(30)

por qué no te callas?(9)

portugal(31)

publicações(6)

publicidade(9)

quizes(8)

redes sociais virtuais(9)

reflexões(58)

religião(19)

saúde(6)

ser-se humano(15)

sexualidade(9)

sinais dos tempos(8)

sociedade(45)

sonhos(6)

televisão(23)

terrorismo(4)

trabalho(20)

transportes(7)

viagens(19)

vícios(13)

vida conjugal(17)

violência(4)

todas as tags

Quem nos cita