Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

Mas quem raio é que quer viver para sempre?

"A insónia é uma amostra grátis de eternidade."

"O insone é um vivo compulsivo."

(Brilhantismos insones do Bandeira, pois quem mais?)

Buraco tapado por Citadina às 15:56
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Terça-feira, 29 de Abril de 2008

Da democracia III

Aqueles a quem os resultados das árduas conquistas caem no colo muito gostam de dizer, refastelados, que não é com discursos nem movimentos nem marchas nem manifestações nem greves que as coisas mudam...

Buraco tapado por Citadina às 14:09
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Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

Da Democracia II

Foi irresistível o impulso de roubar aqui à Ana Cristina Leonardo este texto sobre o 25 de Abril. Pela sua fina e profunda ironia e para memória futura de todos nós.

 

"Decorridos 34 anos do golpe militar que pôs fim ao Estado Novo (durante o qual colunas rebeldes obedecem ordeiramente aos sinais de trânsito, segundo relato do capitão Salgueiro Maia), as comemorações da data tendem paulatinamente a confundir-se com as do 5 de Outubro, se não no calendário pelo menos na pompa e numa ou outra circunstância. Com uma diferença: do 25 de Abril há um pouco mais de sobreviventes.
As do ano passado chegaram assombradas pela entrega da medalha de ouro a António Oliveira Salazar no concurso televisivo Os Grandes Portugueses. As interpretações sociológicas, políticas e ideológicas do facto foram muitas e variadas. Uns defenderam, simplesmente, que o natural de Santa Comba Dão não devia estar na lista; outros desvalorizaram o resultado, considerando-o inexpressivo (contas feitas, se o vencedor chegou aos 41% e o número total de votos contabilizados não ultrapassou os 159.245, então, estiveram com ele apenas 0,6% da população portuguesa).
Houve quem falasse em manifestação de protesto, sem vínculo salazarista, pelo rumo actual do país; quem ficasse mais chateado pelo segundo lugar de Cunhal do que pelo primeiro de Oliveira; e alguma extrema-direita, mesmo cantando vitória, anunciou considerar o programa uma ofensa à História de Portugal (curiosamente, alguma esquerda disse o mesmo).
Por fim, houve quem viesse lembrar que o homem tinha vencido um concurso, não tinha ganho eleições.
O que seria, aliás, uma impossibilidade. Morreu há 37 anos, a 27 de Julho de 1970, e mandou oficialmente no país entre 1932 e 1968. Nesse ano passou o testemunho ao discípulo Marcelo Caetano, e apenas porque a tal cadeira resolveu pregar-lhe a partida de se encontrar fora do sítio. À queda, grave, sobreveio, operado e refeito do susto, uma hemorragia cerebral.
Incapacitado, vive até ao fim na residência oficial numa grotesca encenação do poder que já não tem (segundo Fernando Dacosta, por sugestão da governanta Maria). Ministros e acólitos prestaram-se ao enredo, visitando-o e dirigindo-se-lhe como se do Presidente do Conselho se tratasse ainda. E enquanto em Portugal decorria esta farsa caseira, lá fora Luther King era assassinado em Memphis, rebentava a guerra do Vietname, Paris enfrentava a intempérie de Maio e em Praga acabava a Primavera, Bobby Kennedy era baleado em Los Angeles, Nixon chegava a Presidente dos EUA, Neil Armstrong pisava a lua, Beckett ganhava o Nobel, os Beatles zangavam-se de vez, etc., etc., etc. O mundo mantinha o seu curso imparável; por cá chegava ao fim o reinado da referida Maria.
Não se pense, porém, que tudo era mau. Até final dos anos 60, Portugal manteve-se, em muitos aspectos, na pole position dos países europeus ocidentais (ver António Barreto, «Mudança Social em Portugal: 1960-2000», in Portugal Contemporâneo, coordenação de António Costa Pinto, Dom Quixote, 2004).
Assim: era o único império colonial sobrevivente; podia orgulhar-se de exibir o ditador com mais anos no poder; apresentava as mais altas taxas de analfabetismo e mortalidade infantil; o menor número de médicos e enfermeiros por habitante; o mais baixo rendimento por habitante; a menor produtividade no trabalho; o menor número de estudantes no ensino básico e superior; o menor número de pessoas abrangidas pelos sistemas de segurança social, a menor industrialização e a maior população agrícola.
No fundo, no fundo, números à parte, tratava-se de um paraíso verde. Além das paisagens bucólicas e das viúvas de portentos buços, havia Fátima, havia fado e havia futebol. E no que toca a futebol, Eusébio era o mais que tudo. Tão mais que tudo, que Salazar lhe vetou a carreira internacional, informando-o, tão simplesmente, de que ele era «património do Estado».
Só os portugueses em crise de meia-idade, ou já refeitos dela, se podem lembrar de como era antes. E a verdade é que tinha pouca graça. Antes. Claro que nos podemos rir hoje da licença de isqueiro, obrigatória desde os anos 30 e só abolida em Maio de 1970 pelo decreto-lei 237/70. Claro que mesmo os incondicionais de Chomsky ou Michael Moore já não terão de ir ao Ultramar para beber um gole pecaminoso de Coca-Cola, só comercializada entre nós a partir de 1977. Em Portugal Continental, como se dizia, fora proibida nos anos 30, dela só sobrando a prova dos dotes publicitários de Pessoa que lhe inventara um slogan: Primeiro estranha-se, depois entranha-se.
Podemo-nos rir, ainda, do Decreto-Lei nº 31247 de Maio de 1941, que regulava o uso do fato de banho, zelando pela moralidade pública (...) no sentido de evitar a corrupção dos costumes, e que obrigava, para elas, a fato inteiro sem descobrir os seios, com costas decotadas sem prejuízo do corte das cavas ser cingido na axilas e, para eles, a calção com corte inteiro, justo à perna e reforço da parte da frente, e justo à cintura cobrindo o ventre, regras a que os cabos de mar tiveram de começar a fechar os olhos quando, na década de 60, turistas bem menos atafulhados de roupa desataram a invadir o Estoril e o Algarve.
Continuamo-nos a rir desta obsessão moralista e bafienta (que fez do iconoclasta José Vilhena o autor mais censurado do antes 25 de Abril), com as calças proibidas às raparigas nos liceus e as gravatas obrigatórias para os rapazes, mais as portarias camarárias em prole do decoro vigente. O escritor Luís Sttau Monteiro, cujo pai foi embaixador em Londres até 1943, ano em que bateu com a porta a Oliveira Salazar, contava que, criança, numa audiência a que assistira, o ditador reparara nas suas botas e lhe perguntara onde as comprara. Quando lhe respondeu que fora em Londres, este comentara: Modernices! Modernices!
O sorriso começa talvez a amarelecer quando nos lembramos das cargas da polícia de choque, como as do Verão de 1969, nos Salesianos do Estoril (num festival que misturava bandas rock e os chamados cantores de intervenção), apesar da forma pícara como José Cid recorda os acontecimentos: uma das cenas mais impressionantes foi a polícia batendo num grupo de turistas japoneses. Quando os policiais começaram a agredir os jovens, que estavam ali pacificamente, numa de música, os japoneses puxaram das máquinas fotográficas e começaram a tirar fotografias; assim que a polícia viu aquilo... máquinas para cá. O sorriso desmaia à medida em que recordamos o milhão e meio de imigrantes obrigados a dar o salto, entre 1960 e 1973, sangria de pobres que o escritor José Cardoso Pires resumiria de forma lapidar: Da minha terra natal tenho uma definição simplista: deserto de Pedras, Padres e Pedintes. Aldeia emigrada, portanto.
O sorriso já se foi por completo quando chegamos aos cerca de 10 mil soldados mortos na guerra colonial e, ajudados pelo livro de Ferreira Fernandes Lembro-me que… (Oficina do Livro, 2004), nos lembramos, também nós, dos poucos ou nenhuns direitos das mulheres cujas vidas valiam penas de dois anos, como a aplicada a Adélio da Custódia pelo assassínio da mulher Maria Pais Pimenta, explicada assim pelo juiz corregedor do Círculo Judicial de Viseu: Porque se justifica perfeitamente a reacção do réu contra a mulher adúltera que abandonou o lar, o marido e dois filhos de tenra idade, para seguir um saltimbanco.
E sem motivo aparente vem-nos à cabeça o drama privilegiado do poeta Alexandre O’Neill, que em Nora Mitrani encontrara l’amour fou. Uma francesa de passagem por Lisboa espera agora por ele em Paris, mas a PIDE nega-lhe o passaporte e O’Neill nunca tornará a rever Nora que se suicida em 1961.
Chegamos, assim, à parte de que já ninguém fala: a censura e a polícia política do regime, com os pides a receberem actualmente boas reformas, supõe-se que pelos serviços prestados à nação.
Em entrevista a António Ferro, Dezembro de 1932, a propósito dos boatos que punham em causa o bom-nome da polícia, Salazar explicara-se bem: (…) quero informá-lo de que se chegou à conclusão de que as pessoas maltratadas eram sempre, ou quase sempre, temíveis bombistas, que se recusavam a confessar, apesar de todas as habilidades da polícia, onde tinham escondido as suas armas criminosas e mortais.
Linhas à frente, surge a prova mil vezes repetida da brandura dos meios e rectidão evidente dos fins: Eu pergunto a mim próprio (…) se a vida de algumas crianças e de algumas pessoas indefesas não vale bem, não justifica largamente, meia dúzia de safanões a tempo nessas criaturas sinistras. E nesta “meia dúzia de safanões” se fundaria o mito urbano que continua a rever e a absolver a tortura, desrespeitando os mortos com nome próprio.
Quanto à censura (uma prática que, em Portugal, verdade seja dita, recua aos tempos da Inquisição praticamente sem interrupções), prévia e de lápis azul em riste, no caso da imprensa, preferia a apreensão ulterior quando se tratava de livros.
Segundo a Comissão do Livro Negro sobre o Fascismo, o regime de Salazar/Caetano proibiu cerca de 3300 obras e até o velho Aquilino Ribeiro foi alvo de um processo-crime, pelo crime de ter escrito Quando os Lobos Uivam. O Secretariado Nacional de Informação (SNI) mostrava-se quase sempre de uma eficácia imbatível: em 1965, em apenas quatro dias, apreendia 70 mil títulos à Europa-América, em dois anos subtraía à Seara Nova milhares de contos de livros; quanto à editora Minotauro, era simplesmente encerrada.
Música, artes plásticas, filmes (de acordo com os dados recolhidos aqui só entre 1964 e 1967 foram apresentados à censura 1301 filmes, dos quais 145 foram proibidos e 693 autorizados com cortes) e TV a preto e branco (a cores só em 1980!), nada escapava à mutilação.
A justificação para o zelo recuava ao Decreto-Lei 22469 de Março de 1933: A censura terá somente por fim impedir a subversão da opinião pública na sua função de força social e deverá ser exercida por forma a defendê-la de todos os factores que a desorientem contra a verdade, a justiça, a moral, a boa administração e o bem comum e a evitar que sejam atacados os princípios fundamentais da organização da sociedade.
Apesar da bondade expressa dos censores, alguns jornalistas insistiam em alvoroçar os dias. Uma vez, no República, Vítor Direito discorria a propósito da densidade das nuvens: Manhã de nevoeiro transforma a cidade (…) Não se vê um palmo à frente do nariz (…) Andam por aí certos senhores, feitos meteorologistas de trazer por casa, a prever “boas abertas”. Mas o nevoeiro persiste.
Afinal, eram tempos divertidos. Acabaram com o 25 de Abril."


Buraco tapado por Cosmopolita às 15:48
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Da Democracia I

Pela importância, profundidade e seriedade desta análise de José Soeiro do BE na sessão de comemoração do 25 de Abril na AR.

 

 

(Via Arrastão)


Buraco tapado por Cosmopolita às 14:16
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Sexta-feira, 25 de Abril de 2008

Frases que me definiram a vida



Lembro-me de a minha mãe, chegada de uma conferência qualquer, contar à mesa, em tom vagamente irónico, que tinha "gelado" uma sala com a sua resposta à seguinte pergunta: qual foi o dia mais feliz da sua vida?
Contrastando com todas as outras mulheres, que variavam entre "o dia do meu casamento" e "o dia do nascimento do meu primeiro filho", a minha mãe respondeu: o dia 25 de Abril de 1974.

Buraco tapado por Citadina às 00:40
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Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

24 horas com um heterossexual



(Via O Jumento)

Buraco tapado por Citadina às 11:54
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Terça-feira, 22 de Abril de 2008

Da série Mulheres que dizem foda-se

Este post também podia ter como título "Da série A alarvidade não é um exclusivo dos homens", seguido por um texto do género "Por mim estás contratada, quanto é que levas à hora?", mas sucede que eu admiro verdadeiramente esta mulher e ela não merece tamanhas vulgaridades.

Mulheres que dizem foda-se com carácter, sentido de oportunidade e classe podem, depois, usar um aspirador sem lhes cairem os parentes na lama ao mesmo tempo que transpiram sensualidade e força.


Buraco tapado por Citadina às 17:41
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Segunda-feira, 21 de Abril de 2008

Heteronímias ao sol

Hermengarda sentia-se bastante mais confusa ontem à noite, e portanto bastante mais capaz para a escrita do que neste momento. Gostaria de recuperar essa confusão angustiante que lhe tira o sono todas as noites de Domingo, mas não o bastante para lamentar o estado sossegado e confortável de apatia intelectual que é o seu modus vivendi durante as horas mecânicas de trabalho no escritório.
Por isso, ela não pode ser considerada brilhante nem corajosa, porque se fosse, o seu brilhantismo não se manifestava apenas quando é impossível registá-lo, encarcerado na sua cabeça a desoras em que o raciocínio mal se vê por entre a bruma da sonolência e está escuro demais para encontrar uma caneta e um papel antes que a inspiração se desintegre. Se fosse corajosa, ia à procura da caneta e do papel, não obstante as ínfimas probabilidades de os encontrar em tempo útil (estando obviamente excluído o laptop, por causa da eternidade que o Windows demora a arrancar). Hermengarda ronda a genialidade sem nunca lhe tocar, sempre por medo de dar um passo que a desiquilibre para o vazio.

Talvez Pessoa também utilizasse as suas horas de trabalho por conta de outrem para escriturar com retorcido gozo poemas formatados pela transgressão, pensa ela, tendo para si que ele não podia ser tão enfastiante no trato diário quanto o seu aspecto físico ameaçava.  Pelo menos no âmago privado da sua comunidade heterónima, ele era brilhante, corajoso e admirado por todos os membros do clube, embora à luz crua das manhãs públicas parecesse apenas mais um bêbedo lingrinhas e reaccionário. Pessoa, se fosse hoje, faria de certeza muitos blogs.
Hermengarda assume-se bipolar, mas tem uma pena secreta de não ser tripolar, porque sente que assim não pode viver em pleno a sua heteronímia transsexual. Pessoa experimentou-o na pele de Maria José, embora apenas o tempo suficiente para escrever uma carta. Mas experimentou. Enquanto Hermengarda não experimentar, não vai conseguir saber quem de facto é. Se ela quisesse experimentar, faria um blog secreto e não o revelaria a ninguém, nem mesmo a si própria.

Buraco tapado por Citadina às 17:30
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Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

Enganada - parte dois

Porque foi na segunda parte que aquilo começou a correr muito mal. Eu tento não ligar ao futebol, mas ontem foi demais. Ainda por cima, depois de eu ter torcido, sim, torcido - isto para me ir habituando ao acordo ortográfico - pelo Sporting quando eles se ferraram - isto também faz parte, não é? - frente aos hooligans do Glasgow Rangers. Verdade seja dita que isso só aconteceu porque alguns deles - dos hooligans - estavam a destruir a carruagem de Metro onde eu viajava e isso chateou-me sobremaneira, filhos de um comboio de putas. Mas seja como for, torci.
Para agora ter que levar (isto tanto pode ser gíria adolescente como parte do acordo ortográfico, escolham) com as parangonas de um jornal chamado Record que o meu colega se apressou a por (isto, sem acento circunflexo, também é) em cima da minha secretária esta manhã, decerto para me "Recordar" que não há justiça no mundo, porque o mínimo que eles deviam ter feito era ter-nos deixado ganhar como estavam a fazer tão bem na primeira parte.
Claro que já lá fui por (pumba, outra vez) em cima da dele o meu caixote do lixo, e quando ele se dignar a tirar esta merda daqui, eu prometo tirar a minha de lá também.

Mas voltando ao cerne da questão, aquilo que me deixa louca, ou deveria dizer doidona (para me ir habituando) é tentar explicar a mim própria (sem êxito nenhum - como é que se escreverá "êxito" em brasileiro? Ah, já sei, deve ser "sucesso") como é que alguém, nomeadamente eu própria, pode ser do Benfica. Eles são bons? Não. Eles são uma equipa? Não. Eles têm dirigentes competentes? Não. Eles dão alegrias aos adeptos? Não. Eles são uma vergonha para os torcedores (boa!!!)? Sim. Então, porque porra é que eu sou do Benfica??!?!!
São este tipo de irracionalidades que lixam toda minha existência, pá, estou convencida!
 
Buraco tapado por Citadina às 10:47
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Terça-feira, 15 de Abril de 2008

Enganada

No intuito de evitar outra gracinha como a que me fizeram os meus queridos vizinhos há três anos, quando me elegeram administradora do condomínio sem o meu voto, concordância, ou sequer presença, e com o peso do frete nos passos, lá me arrastei para fora do conforto do lar, tentando discernir algum aspecto positivo em não ir falhar a quarta reunião consecutiva de condóminos, já que os gajos fizeram o favor de acertar nas minhas férias "lá fora" nos três anos anteriores.

A sala de reuniões do condomínio, que, com muita lógica e sapiência, fica paredes meias com a casa do lixo,  estava decorada com as cadeiras da pastelaria do lado. Forcei um ar muito interessado nos primeiros minutos, enquanto comia chocolate com 72% de cacau para não adormecer, até alguém informar o senhor sentado à minha direita que esta era apenas uma reunião "informal, de preparação para a Assembleia Geral" e que não tinham mencionado isso explicitamente na convocatória porque consideravam muito importante contar com a presença de todos para o que ali se ia discutir.

Eu repito: os gajos fazem reuniões de condomínio "informais", assim, só por desporto, para daqui a duas semanas levarmos com a verdadeira estucha, mas já irmos preparados!

O resto do tempo limitei-me a sorrir a todos fingindo que estava a ouvir perfeitamente o que cada um gritava do outro lado da sala numa frenética tentativa gesticulante de canalizarem as atenções para si próprios em detrimento de qualquer dos outros que gritavam ao mesmo tempo sobre outro assunto qualquer.

E ninguém falava da bomba. Da porra da bomba de água, que era a única coisa que me interessava. Quando me apercebi que o senhor ao meu lado já tinha recuperado do choque decorrente do anúncio da "informalidade" e já conseguia fazer o mesmo ar beatífico que eu, perguntei-lhe se ele ultimamente não tinha problemas com a pressão da água, ao que ele respondeu, pondo-se de pé e berrando: "-TENHO, TENHO!!! ISTO É URGENTE, MEUS SENHORES, EU JÁ QUASE NÃO CONSIGO TOMAR BANHO!!", o que teve o efeito positivo de calar toda a gente mas a consequência algo adversa de gerar uma tarefa conjunta que consistia em fazer uma lista exaustiva de todos os problemas que cada condómino entendia serem da responsabilidade do construtor para serem discutidos um a um na Assembleia Geral, "A Verdadeira".

E pronto, com toda a gente arrasada pela perspectiva de uma próxima reunião assim dentro de quinze dias, a actual administração deu por encerrado o deveras psicótico convívio "de preparação" e contribuiu decerto para o aumento exponencial do consumo de ansiolíticos nas próximas duas semanas.

Buraco tapado por Citadina às 14:43
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Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

Da transparência

Verifica-se que, em Portugal, o ajuste directo, a não publicitação de concursos, as derrapagens nos preços e nos prazos de entrega de obras e bens é na maior parte das vezes a regra e não a excepção, como deveria ser.

Por exemplo, a Agência Nacional de Compras Públicas (ANCP), inserida no Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE), criada pelo Decreto-Lei n.º 37/2007 de 19 de Fevereiro do Governo de Sócrates e que tem por objectivo concentrar todas as compras do Estado, ou seja, conceber, implementar e gerir o sistema nacional de compras públicas, com vista à racionalização dos gastos do Estado, bem como assegurar de forma centralizada o aluguer, compra e manutenção dos veículos do Estado, não foi alvo de nenhum concurso para escolha dos técnicos que iriam elaborar os documentos dos concursos a lançar, avaliar os concorrentes, adjudicar e monitorizar os contratos. De onde vieram eles? Como foram seleccionados? E já começam os escândalos sobre a actuação desta, um dos quais se pode ler aqui.

Outro exemplo: no Plano Estratégico para a Frente Ribeirinha de Lisboa, apesar de a Parque Expo propor duas sociedades gestoras, o presidente da autarquia referiu que o Governo acabou por optar pela constituição de uma única sociedade de capitais públicos, "detida pelo Estado especialmente para o efeito". Ainda não está definida a forma de participação da autarquia nessa sociedade, para a qual está indigitado como presidente o advogado José Miguel Júdice, que foi mandatário de António Costa nas eleições intercalares à Câmara de Lisboa. Esta sociedade que inicialmente deveria ter capitais da Câmara de Lisboa e do Governo, vai poder contar apenas com verbas do Estado. A autarquia poderá, contudo, tornar-se accionista a qualquer momento do projecto e poderá ainda indicar membros para o conselho de administração da sociedade.

Ainda outro: como poder ler-se aqui, calcula-se que o preço da ligação em alta velocidade Lisboa-Porto-Madrid sofra uma derrapagem da ordem dos 40,6 % relativamente ao custo estimado em 2004.

Ou este: A obra de reabilitação do Túnel do Rossio já tinha mais de 13 meses de atraso no prazo de execução quando foi retirada ao primeiro Empreiteiro e acabou por ter uma derrapagem financeira de “apenas” 9,5 milhões de Euros, altamente elogiada pelo Tribunal de Contas.

Se quiserem perceber a diferença entre as Normas FIDIC, as quais configuram os procedimentos internacionalmente aceites a levar a cabo em concursos, e o que se passa em Portugal, cliquem na linha seguinte.
Nos concursos públicos e privados, mas sobretudo nos públicos em que são utilizados fundos que vêm dos bolsos de todos nós, o último tipo de concurso a que se deve recorrer é o do Ajuste Directo, restringindo-se sua adopção apenas a circunstâncias excepcionais, pois é o menos competitivo de todos, não garantindo a equidade no acesso de concorrentes, a transparência, a objectividade da escolha, a qualidade, o custo, a eficiência e os possíveis conflitos de interesse ou das práticas ilegais e inaceitáveis referidas acima.


Buraco tapado por Cosmopolita às 17:58
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Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

Dúvidas sobre o País das Maravilhas segundo Sócrates *

Dada a crise instalada, nomeadamente no que toca, por um lado, aos problemas de falta de liquidez e insolvência das famílias, e por outro, ao sobreendividamento consequente e situações dramáticas que ele cria, pergunto-me se a publicidade dos bancos e demais instituições de crédito a apelar à obtenção de dinheiro fácil, em que tudo é magnífco, não custa nada a pagar, é imediato, et cætera, não devia, pura e simplesmente, ser proibida?

* Post inspirado pela Cosmopolita, que ontem à noite se escandalizava em frente da TV com certos anúncios...

Buraco tapado por Citadina às 12:15
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Terça-feira, 8 de Abril de 2008

O verme

Para além da alma de funcionário público do Estado Novo, com os inerentes tiques de bufo incompetente e fuinha histérico, este cabrão é um pulha da pior espécie com toda a gente, não hesitando atribuir todas as culpas de todas as falhas que ele próprio comete a terceiros, aplicando requintes maquiavélicos aos que são melhores pessoas, e portanto, mais vulneráveis a crápulas sem princípios.

O paquiderme não faz nada o dia todo que não seja jogar Pokemons, ou lá o que é aquilo. Se não faz nada, nunca faz nada mal. Como todos os filhos da puta, ganha mais e faz menos e pior que toda a gente, mas escuda-se numa linguagem técnica blindada para se dar ares de entendido, a que o seu superior directo, estranhamente, adere.

Dá vontade de o tramar todos os dias e, de facto, as pequeninas vinganças vão sendo servidas na directa proporção dos padrões morais de cada um, mas como estes, ainda assim, existem, o filho da puta ainda não foi despedido por assédio sexual consumado ou assim.

E como se não bastasse, as suas óbvias incompetências são escandalosamente ignoradas por um chefe maior, que não se quer chatear por tão pouco (afinal há sempre quem acabe por fazer, emendar ou remediar, independentemente do gozo alarve do verme por ter sempre um estúpido "a trabalhar para ele") ou simplesmente não tem peito para o pôr na linha.

Uma história portuguesa com certeza, numa empresa perto de si.

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Buraco tapado por Citadina às 18:48
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Segunda-feira, 7 de Abril de 2008

Hotéis com atitude

Português lança rede hoteleira para homossexuais.


(via Fugas)

Buraco tapado por Citadina às 17:09
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Delete

"Olá, companheiro de jornada.

Não gosto de enviar correntes, mas há momentos em que estas coisas parecem fazer sentido.
Se também sentires assim, então repassa-a para 12 pessoas..."
...

Porque é que não interiorizam antes ESTA mensagem?
 
Buraco tapado por Citadina às 10:09
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Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

Assiduidade

Para dar uma ideia, costumo ler semanalmente e por ordem alfabética todos os blogs da lista aqui ao lado. Esta semana consegui chegar até ao B.
Pedimos desculpa aos nossos (3) leitores mais assíduos. A próxima semana será mais calma em termos profissionais e consequentemente, melhor no que diz respeito à disponibilidade para blogar. Esperamos.

Buraco tapado por Citadina às 18:25
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Terça-feira, 1 de Abril de 2008

Primeiro de Abril

Eu também acho que o Alberto João é "um exemplo supremo na vida democrática". Isso e que ele é não é nada arruaceiro.

 

Buraco tapado por Citadina às 18:26
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