Segunda-feira, 30 de Junho de 2008

LGBT em Portugal: de onde vimos e para onde vamos?

Andei, na Internet, à procura de reacções à Marcha do Orgulho LGBT 2008 e Arraial Pride de Lisboa.

Não encontrei nada extremamente interessante, devo dizer, pelo menos nada que fosse além das etiquetas "marco histórico", "visibilidade" e "festa". Talvez ainda seja muito cedo (ainda não passaram dois dias) ou talvez o evento se tenha resumido - sem subestimações implícitas, uma vez que as referidas qualificações não deixam de ter o seu valor - a isso mesmo.

No entanto, inclino-me a julgar que os debates mais empolgantes sobre o tema se dão a um nível com uma visibilidade porventura menos imediata, mas que a mereciam toda.

É o caso das reflexões consignadas neste texto assinado por Sérgio Vitorino, que originaram esta reacção analítica e construtiva de Miguel Vale de Almeida.

Qualquer dos textos é um marco no pensamento filosófico, antropológico e social sobre a temática LGBT em Portugal e dão-nos, ambos, a oportunidade rara de "beber" do confronto de ideias de dois dos mais importantes activistas portugueses pelos direitos LGBT.

 

Adendas:

aqui um texto que apresenta uma interessante prespectiva sobre os slogans da Marcha, com a qual, aliás, eu estou plenamente de acordo.

 

E para  este  post vai o primeiro prémio na categoria "nota de humor" (via Da Literatura).

Buraco tapado por Citadina às 14:41
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Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

Fui ali e já vim

Há bocado levantei-me da minha cadeira e fui à casa de banho.

Fiquei lá um bocado a olhar para o chão, enquanto esperava que o meu corpo produzisse mais um episódio da história oculta da escatologia (há imenso tempo que queria ultilizar esta palavra num post e não estava a conseguir).

Quando aquilo acabou, pus-me de pé e olhei para cima, para o vidro fosco e sujo da pequena janela  junto ao tecto e pareceu-me que o sol se tinha escondido entre as nuvens e que o tempo estava de novo escuro como se o Inverno tivesse decidido voltar.

Quando cheguei cá fora, precipitei-me para uma janela panorâmica e verifiquei com alívio que não era nada, o sol continuava ofuscante de radioso.

Pensei: não me posso distrair desta maneira. Se deixo de o vigiar atentamente, até ele se configurará para me deprimir.

Buraco tapado por Citadina às 11:04
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Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

Entrevista imaginária a Paul Auster

Eu: Como se sente, constituindo um exemplo acabado daquela ideia de que a demência (no seu caso, gritante) e a genialidade andam muitas vezes de mãos dadas?

O cabrão: Pensei que vinha falar sobre a minha obra e não responder a perguntas desse género...

Eu: Mas o senhor É a sua obra! O senhor, felizmente, só existe através da sua obra. O senhor, se não soubesse escrever, já estaria preso ou internado há muito tempo porque decerto andaria pela vida a afirmar-se através de actos potencialmente mais macabros, para os quais a sua tendência é notória...

O cabrão: Bom, se calhar era melhor acabar esta entrevista aqui...

Eu: Então está bem, seu filho da puta, fuja lá desta experiência não controlada, que só não lhe está a agradar porque não foi o senhor que a concebeu, e já agora obrigadinha pelas noites atormentadas que me causou com a merda dos seus livros insignes e a sua mente psicopata.

O cabrão: Bom... Se calhar não me vou já embora, isto afinal pode ser interessante. A senhora começa a comportar-se como algumas das personagens que vivem dentro da minha cabeça...

Buraco tapado por Citadina às 13:29
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Terça-feira, 24 de Junho de 2008

Da série Homens sobre-humanos

 

Tagore, dramaturgo, poeta e filósofo indiano, foi o primeiro asiático a receber o Prémio Nobel da Literatura em 1913. Este homem notável que disse "Há triunfos que só se obtêm pelo preço da alma, mas a alma é mais preciosa que qualquer triunfo", renunciou em 1919 ao título de Sir em protesto contra a política britânica em relação ao Punjab.

 

"Quando eu estiver contigo no fim do dia, poderás ver as minhas cicatrizes, e então saberás que eu me feri e também me curei".

 

Tempo de Partir

É hora de partir, meus irmãos, minhas irmãs.
Eu já devolvi as chaves da minha porta
E desisto de qualquer direito à minha casa.
Fomos vizinhos durante muito tempo
E recebi mais do que pude dar.
Agora vai raiando o dia
E a lâmpada que iluminava o meu canto escuro
Apagou-se.
Veio a intimação e estou pronto para a minha jornada.
Não indaguem sobre o que levo comigo.
Sigo de mãos vazias e o coração confiante.

 

A Flor de Lótus

No dia em que a flor de lótus desabrochou
A minha mente vagava, e eu não a percebi.
Minha cesta estava vazia e a flor ficou esquecida.
Somente agora e novamente, uma tristeza caiu sobre mim.
Acordei do meu sonho sentindo o doce rastro
De um perfume no vento sul.
Essa vaga doçura fez o meu coração doer de saudade.
Pareceu-me ser o sopro ardente no verão, procurando completar-se.
Eu não sabia então que a flor estava tão perto de mim
Que ela era minha, e que essa perfeita doçura
Tinha desabrochado no fundo do meu coração...

 

Se não falas
Se não falas, vou encher o meu coração
Com o teu silêncio, e aguentá-lo.
Ficarei quieto, esperando, como a noite
Em sua vigília estrelada,
Com a cabeça pacientemente inclinada.

A manhã certamente virá,
A escuridão se dissipará, e a tua voz
Se derramará em torrentes douradas por todo o céu.

Então as tuas palavras voarão
Em canções de cada ninho dos meus pássaros,
E as tuas melodias brotarão
Em flores por todos os recantos da minha floresta.

Buraco tapado por Cosmopolita às 14:13
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Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

A maturidade dos desejos

Dantes, em regra, todos os desejos que pedia a uma estrela cadente ou quando trincava uma vela do meu bolo de anos ou a pestanas que apertava com força entre o indicador e polegar se realizavam.

Um dia deixou de acontecer.

Buraco tapado por Citadina às 10:38
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Quinta-feira, 19 de Junho de 2008

Being Valupi ou Há bloggers que vale a pena não ignorar

As putas velhas - é do melhorio*, mais pela forma do que pelo conteúdo, que também é bom, mas a forma, senhoras e senhores, a forma!...

O maior português de sempre revisitado - o concurso que pretende eleger um português tão notável que até pode ser uma mulher. Só para gente que tenha a noção do ridículo.

 

* Eu já sei que a palavra formalmente não existe, mas nem se dêem ao trabalho, ok? Finjam que eu sou o Mia Couto.

Buraco tapado por Citadina às 14:25
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Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Let's look at a trailer

Parece impossível para quem me conhece bem, mas há meses que não ia ao cinema.

Na passada segunda-feira decidi ir ver um filme com F grande. Das películas todas que havia em cartaz, uma destacou-se pelo tema, um quadro magistral e controverso, e pelo realizador, o genial Peter Greenaway, um dos meus realizadores de culto.

O próprio Greenaway teve formação em artes plásticas e salta aos olhos como esse facto influenciou a sua forma de filmar.

O filme poder-se-ia resumir assim: uma personagem dentro de um quadro em cima de um palco captado por uma película. A noite e a luz, a cegueira e a revelação, a construção, o caminho até à obra-prima. Uma interpretação arrojada, de uma estética assombrosa, da vida e obra de Rembrandt.

 

A Ronda da Noite

 

Claro que muitos o resumiriam simplesmente assim: uma "ganda" seca. Nem sabem o que perdem mas, se calhar, ainda bem.

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Buraco tapado por Citadina às 12:41
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Terça-feira, 17 de Junho de 2008

A tal manhã soalheira

Esta é a tal em que eu prometi voltar à actividade blogueira.

Agora já sabem que eu sou uma Velha do Restelo, caso não tivessem intuído antes. Sabem-no pelo menos desde que me assumi e depois fugi cobardemente sem sequer ficar cá para ler os vossos comentários desdenhosos, que não fizeram, decerto porque a desilusão foi paralisante, ou mais provavelmente porque a revelação foi assaz óbvia e só mereceu bocejos.

Mas aqui têm uma segunda oportunidade. Eu sou uma Velha do Restelo com 36 anos feitos sob o signo de Gémeos, ou seja, muito recentemente. Deplorável e muito deprimente, dirão vocês, mas eu não acho.

Acontece que eu até tenho um certo orgulho em me ter transformado numa Velha do Restelo, um daqueles orgulhos desafiantes, arrogantes se quiserem, petulantes até. Um orgulho rebelde, insolente. E isso tem tudo a ver com aquela faceta de Gémeos que gosta de tudo o que parece mal. É como um vício.

Parece. Mas não é. O Velho do Restelo, o autêntico, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, porque não leram com atenção os Lusíadas e se limitam a repetir os chavões que ouvem na televisão, não é um retrógrado com horror ao progresso, mas sim e apenas um céptico a respeito das ilusões vãs que germinam tão bem nas mentes dos desesperados, vendidas pelos poderosos para servir somente os seus interesses privados.

Os "visionários" usam a carne para canhão, é só. A carne queima depois de estraçalhada e por fim desaparece. Ficam os "grandes feitos" para quem não os praticou. E é isto que me mete nojo.

 

Em suma, aos 36 anos vejo que ultrapassei largamente a fronteira do cepticismo e caminho a passos largos para o reino da descrença na nobreza do ser humano.

Acho mesmo que a nobreza humana - falo de altruísmo, de brio, de generosidade e de solidariedade - está hoje em dia reservada a quem não pode aspirar ser mais nada que altruísta e solidário. Ou seja, está em vias de extinção.

Em mim, pelo menos já não existe, e daí eu ser uma jovem Velha do Restelo.

Buraco tapado por Citadina às 12:57
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Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

Os feriados e as férias e as ausências

Não estranheis mas este blog não vai estar assim muito activo na próxima semana, quando se andarem para aí a comemorar os dias de Portugal, de Camões, das Comunidades e de Santo António de Lisboa.

Na verdade o blog vai estar completamente morto, mas depois promete fazer aquele truque do JC e voltar numa manhã soalheira.

Se entretanto não tiverdes mesmo mais nada que fazer do que vir para aqui cirandar, sempre vos podéis entreter a contar as sílabas métricas destas estrofes que vos deixo, ou a a ler, simplesmente, para saberdes, da próxima vez que aludais ao personagem em causa, do que estais a falar:

 

Canto IV – Episódio O Velho do Restelo

90

"Qual vai dizendo: —" Ó filho, a quem eu tinha
Só para refrigério, e doce amparo
Desta cansada já velhice minha,
Que em choro acabará, penoso e amaro,
Por que me deixas, mísera e mesquinha?
Por que de mim te vás, ó filho caro,
A fazer o funéreo enterramento,
Onde sejas de peixes mantimento!" —

91

"Qual em cabelo: —"Ó doce e amado esposo,
Sem quem não quis Amor que viver possa,
Por que is aventurar ao mar iroso
Essa vida que é minha, e não é vossa?
Como por um caminho duvidoso
Vos esquece a afeição tão doce nossa?
Nosso amor, nosso vão contentamento
Quereis que com as velas leve o vento?" —

92

"Nestas e outras palavras que diziam
De amor e de piedosa humanidade,
Os velhos e os meninos os seguiam,
Em quem menos esforço põe a idade.
Os montes de mais perto respondiam,
Quase movidos de alta piedade;
A branca areia as lágrimas banhavam,
Que em multidão com elas se igualavam.

93

"Nós outros sem a vista alevantarmos
Nem a mãe, nem a esposa, neste estado,
Por nos não magoarmos, ou mudarmos
Do propósito firme começado,
Determinei de assim nos embarcarmos
Sem o despedimento costumado,
Que, posto que é de amor usança boa,
A quem se aparta, ou fica, mais magoa.

94

(O Velho do Restelo)
"Mas um velho d'aspeito venerando,
Que ficava nas praias, entre a gente,
Postos em nós os olhos, meneando
Três vezes a cabeça, descontente,
A voz pesada um pouco alevantando,
Que nós no mar ouvimos claramente,
C'um saber só de experiências feito,
Tais palavras tirou do experto peito:

95

—"Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
C'uma aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!

96

— "Dura inquietação d'alma e da vida,
Fonte de desamparos e adultérios,
Sagaz consumidora conhecida
De fazendas, de reinos e de impérios:
Chamam-te ilustre, chamam-te subida,
Sendo dina de infames vitupérios;
Chamam-te Fama e Glória soberana,
Nomes com quem se o povo néscio engana!

97

—"A que novos desastres determinas
De levar estes reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos, e de minas
D'ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? que histórias?
Que triunfos, que palmas, que vitórias?

98

— "Mas ó tu, geração daquele insano,
Cujo pecado e desobediência,
Não somente do reino soberano
Te pôs neste desterro e triste ausência,
Mas inda doutro estado mais que humano
Da quieta e da simples inocência,
Idade d'ouro, tanto te privou,
Que na de ferro e d'armas te deitou:

99

— "Já que nesta gostosa vaidade
Tanto enlevas a leve fantasia,
Já que à bruta crueza e feridade
Puseste nome esforço e valentia,
Já que prezas em tanta quantidades
O desprezo da vida, que devia
De ser sempre estimada, pois que já
Temeu tanto perdê-la quem a dá:

100

— "Não tens junto contigo o Ismaelita,
Com quem sempre terás guerras sobejas?
Não segue ele do Arábio a lei maldita,
Se tu pela de Cristo só pelejas?
Não tem cidades mil, terra infinita,
Se terras e riqueza mais desejas?
Não é ele por armas esforçado,
Se queres por vitórias ser louvado?

101

— "Deixas criar às portas o inimigo,
Por ires buscar outro de tão longe,
Por quem se despovoe o Reino antigo,
Se enfraqueça e se vá deitando a longe?
Buscas o incerto e incógnito perigo
Por que a fama te exalte e te lisonge,
Chamando-te senhor, com larga cópia,
Da Índia, Pérsia, Arábia e de Etiópia?

102

— "Ó maldito o primeiro que no mundo
Nas ondas velas pôs em seco lenho,
Dino da eterna pena do profundo,
Se é justa a justa lei, que sigo e tenho!
Nunca juízo algum alto e profundo,
Nem cítara sonora, ou vivo engenho,
Te dê por isso fama nem memória,
Mas contigo se acabe o nome e glória.

103

— "Trouxe o filho de Jápeto do Céu
O fogo que ajuntou ao peito humano,
Fogo que o mundo em armas acendeu
Em mortes, em desonras (grande engano).
Quanto melhor nos fora, Prometeu,
E quanto para o mundo menos dano,
Que a tua estátua ilustre não tivera
Fogo de altos desejos, que a movera!

104

— "Não cometera o moço miserando
O carro alto do pai, nem o ar vazio
O grande Arquiteto co'o filho, dando
Um, nome ao mar, e o outro, fama ao rio.
Nenhum cometimento alto e nefando,
Por fogo, ferro, água, calma e frio,
Deixa intentado a humana geração.
Mísera sorte, estranha condição!" —

 

in "Os Lusíadas", Luís Vaz de Camões

 

Pronto. Dividam tudo em métrica clássica e métrica medieval e depois mandem para o meu e-mail.

Ou digam lá se não é afinal sábio o Velho, cuja má fama (desinformada) de retrógrado foi espalhada pela ignorância e pelo pedantismo político.

Buraco tapado por Citadina às 17:19
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Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

Cenas da vida de uma assalariada

No restaurante, ao almoço:

"Então, hoje é só a senhora?"

"É, hoje vou ser só eu. Queria as lul..."

"Os seus colegas não vêm?"

"Não, hoje parece que não..."

"Aaaah..."

E ali ficou ela, especada a olhar para mim, à espera da justificação longa e rebuscada que eu nunca lhe daria.

Buraco tapado por Citadina às 14:22
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É tão giro andar de Metro #1

Uma proletária urbana, sentada à minha frente, não gostou de um dos meus acessos de  expontaneidade infantil e, perdendo a paciência, interpelou-me da seguinte forma:

"Ouça lá, mas de é que se está para aí a rir?!"

"Não posso dizer."

"Ai, ai, se a parvoíce pagasse imposto!..."

"Ouça, não vale a pena insultar porque eu não me estou a rir de si, OK?"

"Ah não, então está-se a rir de quê?!"

"Só porque eu não tenho razões aparentes para estar morta de riso, isso não implica que o motivo da piada seja a senhora. Já lhe ocorreu que eu posso ser simplesmente maluca?"

"Ai isso é de certeza!"

"Pronto, e os malucos riem-se sozinhos, não é?"

"Parva!" [entredentes]

Conclusão: é muito mal visto, nos dias de hoje, rir sozinha dentro de uma carruagem de Metro (e cantar em voz alta sem estar a pedir trocos deve cair na mesma categoria).

É certo que ser maluca sempre foi mal visto, embora eu ache que a loucura está muito subvalorizada. Mas rir?...

Buraco tapado por Citadina às 12:17
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Quarta-feira, 4 de Junho de 2008

Marcha LGBT Lisboa 2008

Já está marcada e tem um slogan a ironizar uma nova moda dos políticos: a de empregar o termo "fracturante" quando não lhes interessa discutir um determinado assunto.

O blog da Marcha, aqui.

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Buraco tapado por Citadina às 12:47
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Eu esta semana vou acordar sempre assim

Apaixonada por Léo Ferré desde que, em pequena, o ouvi cantar (Louis) Aragon, consegui escolher estes videos, de entre muitos outros que teria postado. Oiçam-no que vale a pena.

 

Les anarchistes

 

La solitude

 

Tu ne dis jamais rien

 

E a propósito, ou talvez não, deixo-vos um poema magnífico de Reinaldo Ferreira:

 

A que morreu às portas de Madrid,
Com uma praga na boca
E a espingarda na mão,
Teve a sorte que quis,
Teve o fim que escolheu.
Nunca, passiva e aterrada, ela rezou.
E antes de flor, foi, como tantas, pomo.
Ninguém a virgindade lhe roubou
Depois de um saque - antes a deu
A quem lha desejou,
Na lama dum reduto,
Sem náusea mas sem cio,
Sob a manta comum,
A pretexto do frio.
Não quis na retaguarda aligeirar,
Entre «champagne», aos generais senis,
As horas de lazer.
Não quis, activa e boa, tricotar
Agasalhos pueris,
No sossego dum lar.
Não sonhou minorar,
Num heroísmo branco,
De bicho de hospital,
A aflição dos aflitos.

 

Uma noite, às portas de Madrid,
Com uma praga na boca
E a espingarda na mão,
À hora tal, atacou e morreu.

 

Teve a sorte que quis.
Teve o fim que escolheu.

 

In: Um Vôo Cego a Nada, 1960.

 

Buraco tapado por Cosmopolita às 11:32
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Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

Eu hoje acordei assim*: revivalista

Decidi, a partir de hoje, postar algumas canções que marcaram a minha vida. As interpretações nem sempre correspondem aos cantores originais, mas sim àquelas que mais gostei de ouvir.

Começo por uma das minhas cantoras francesas favoritas, Barbara.

"Ma plus belle histoire d'amour":

 

(nada de gamar, os direitos de autor da primeira parte do título do post são da Bomba).

Buraco tapado por Cosmopolita às 14:45
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O cúmulo do alheamento

Era uma vez um tipo tão alheado, mas tão alheado da realidade multimédia que achava que os X-files eram o sítio onde se guardava correspondência amorosa do passado.

Buraco tapado por Citadina às 10:02
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