Quinta-feira, 27 de Maio de 2010

Dois pesos e duas medidas (2)

Que me perdoe o Eduardo por lhe roubar o tema desta citação, mas é por uma boa causa. A de ilustrar, mais uma vez, a aplicação prática do princípio de dois pesos e duas medidas em Portugal.

 

O colarinho branco e a canja da ralé, por José Vítor Malheiros (excertos)

 

1. Quando alguém mete ao bolso uma coisa que não lhe pertence dizemos que a roubou. Mas há justificações para meter coisas ao bolso. E diferentes nomes para usar nas várias circunstâncias, conforme o estatuto social e político dos autores. Uma senhora bem vestida que meta na carteira um perfume, numa loja elegante, distraiu-se - e um engano toda a gente tem. Uma mulher que o faça num supermercado suburbano comete um furto que a sociedade não pode permitir. E um banqueiro que esconda num offshore os milhões que ganhou por vender títulos tóxicos aos incautos clientes é um pilar da sociedade que contribui para o desenvolvimento económico. Esta é a base da sociedade e querer subvertê-la é fomentar o caos e a anarquia. E o sistema judicial existe para garantir a sua subsistência.

 

Quando um deputado rouba alguma coisa também não se trata exactamente de roubo-roubo, como se fosse um maltrapilho qualquer. Pode dizer-se que o deputado se apropriou, tirou ou "roubou" e "furtou", mas entre aspas.

 

2. As medidas de contenção das prestações sociais recentemente apresentadas pelo Governo no âmbito do PEC têm de ser lidas à luz da mesma lógica, que distribui direitos e deveres de acordo com os méritos das pessoas: seria impensável pedir a pessoas de posses, a pessoas de qualidade, a pessoas daquelas de que o país não pode prescindir, que pagassem a crise provocada pelos actos de contabilidade criativa que os corretores e os banqueiros fizeram nos últimos anos e pelos buracos orçamentais criados para colmatar os défices dos bancos. Como o seria combater a fuga de capitais para os paraísos fiscais, ou a fuga ao fisco de pessoas que não sejam trabalhadores por conta de outrem. Tratar-se-ia de uma violência psicológica insuportável.

 

Os pobres já estão habituados a poupar e a apertar o cinto e quase não vão notar a diferença. Os ricos não o sabem fazer. Fá-lo-iam mal. Os desempregados, os recipientes do rendimento mínimo, os trabalhadores precários são peritos na arte de rapar o tacho. Fazem-no há anos, há gerações, há séculos. E atingiram uma eficiência que um banqueiro nunca conseguiria. E, em alturas de crise, temos de apostar na eficiência, temos de entregar a cada um as tarefas que melhor desempenham. Alguém pensa que um gestor de uma grande empresa poderia viver com 1000 euros? Nem vale a pena tentar. Um pobre consegue alimentar uma família de seis com 800 euros. Sabe fazer canja de miúdos de frango e um guisado com um osso de vaca, sabe quais são os medicamentos da receita que não precisa de aviar, conhece as lojas onde pode comprar sapatos e sabe remendar a roupa. Ninguém o faz tão bem como os pobres. É o talento da ralé. Por que se há-de tentar que sejam os ricos a pagar mais impostos e a gastar menos?

Buraco tapado por Cosmopolita às 13:10
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Quarta-feira, 26 de Maio de 2010

Dois pesos e duas medidas (1)

Ou de como se aplica ao povo português a expressão "passarinhos e pardais não somos todos iguais" . Ou ainda sobre como esta crise não é para todos.

 

Buraco tapado por Cosmopolita às 20:38
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Segunda-feira, 17 de Maio de 2010

Cavaco, a padralhada e o casamento homossexual

Caricatura tirada daqui 

Tem-me deixado fora de mim, de forma proporcional à minha impotência e à impunidade da pessoa em questão, toda esta confusão entre Igreja Católica e Estado português. Aquando da visita do papa, para onde quer que se sintonizasse a TV, era padralhada por tudo quanto é sítio, saias até aos pés, cruzes ao peito e cintos púrpura, terços e ladainhas, e o Presidente de Portugal, eleito por maioria (da qual, t’a livra!, não faço parte), mais a D. Maria, com ar de beata voluntariosa e decidida, que acompanharam todos os momentos da visita do tótó.

 

Causou-me uma profunda repugnância todo este circo, que me lembrou os tristes tempos da ditadura em que Salazar e Cerejeira andavam de braço dado e vendiam ao povo português que o sofrimento na terra era necessário e solidário com o de Cristo e recompensado com o Paraíso após a morte. Gente atrasada, reaccionária, hipócrita e preconceituosa. Malfeitores do lado do Estado Novo e da Igreja. Como uma vez disse a minha avó a uma freira que nos foi pedir esmola para os pobres: “Pobres, minha senhora, são estas crianças que têm o pai preso pelo crime de pensar! E cúmplice é a igreja que vergonhosamente apoia quem os prende e tortura!”.

 

Indignação causou-me ainda o facto de ter sido Cavaco a convidar o papa, que só nos veio causar despesas e incómodos ainda por cima numa altura de crise tão grave, e ainda mais o facto de, na despedida deste, ter falado em nome de todos os portugueses para agradecer a dita visita! Que eu saiba, segundo o Censo da ICAR, em Portugal há 2 milhões de católicos em 10 milhões de pessoas, ou seja, representam apenas 20% da população. Que direito tem Cavaco de falar em nome dos 80% que não são católicos? Quem lhe passou procuração para tal e se não a tem, como ousa abusar da sua posição e transformar a maioria da população de um Estado laico em seguidores da ICAR?

 

Temo que toda esta abusiva atitude de Cavaco esteja relacionada, não só com o seu desmedido desejo de ser reeleito presidente, mas também  com a possibilidade de ele vetar esta noite o diploma que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo em Portugal. Hoje, dia Mundial contra a Homofobia, veremos se assim é ou se poderemos finalmente considerar que em Portugal "casamento é o contrato celebrado entre duas pessoas que pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida". Ámen!

Buraco tapado por Cosmopolita às 19:00
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Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

Do branqueamento dos crimes da ICAR

Cartoon tirado daqui
A ICAR tem uma longa tradição histórica de crimes contra a Humanidade (quem não se lembra das Cruzadas ou da Inquisição?) nunca olhando a meios para atingir os seus tenebrosos fins, e tem uma ainda maior capacidade de os branquear, não hesitando em deitar mão aos argumentos mais desonestos para se desresponsabilizar.

 

Um dos lemas que a ICAR segue é o de que a melhor defesa é o ataque. Numa altura em que em muitos países católicos se faz ouvir o coro de milhares de vozes das vítimas de pedofilia (crianças indefesas, muitas delas carenciadas e até deficientes) por parte de padres católicos, numa altura em que nos EUA, com base nomeadamente num documento secreto interno da igreja (Crimen Sollicitationis), que instrui bispos como lidar com acusações de abusos sexuais cometidos por padres nas suas paróquias, há quem acuse o Papa de liderar o "encobrimento de casos de pedofilia", o que vem ele dizer em Fátima?

 

Vem dizer que a profecia do 3º segredo de Fátima revelado em 2000 já falava dos sofrimentos que o Papa viria a experimentar, nomeadamente aquele que vem de dentro da Igreja e que tem a ver com a pedofilia exercida por padres católicos e encoberta durante décadas pela Igreja. Quer dizer, passam de agressores a vítimas, utilizando a fé das pessoas para branquearem os crimes cometidos. E, quando se falou na possibilidade de confrontação do Papa com estes crimes, aquando desta visita a Portugal, o cardeal José Saraiva Martins teve o desplante de dizer que "em Portugal, como noutros países, há uma campanha muito bem organizada para atacar a Igreja"! Perdoai-lhes Senhor, que eles não sabem o que fazem!

 

Como Chefe de um Estado, o Vaticano, o Papa vem, insurrecta e desrespeitosamente, exortar os fiéis de um outro Estado, laico e democrático, a condenar leis, aprovadas no seu parlamento por maioria, de despenalização da interrupção voluntária da gravidez e de aprovação do casamento homossexual como podem comprovar aqui. Ou seja, opta por uma atitude de ingerência intolerável na regulação totalitarista da sociedade civil de um Estado que não dirige nem representa, quando nem sequer consegue pôr ordem dentro da sua própria casa!

 

Ao dizer-se defensor de "iniciativas que visam tutelar os valores essenciais e primários da vida, desde a sua concepção, e da família, fundada sobre o matrimónio indissolúvel de um homem com uma mulher" podia, e devia, preocupar-se com temas da instituição da qual é CEO, como o casamento dos padres católicos, a ordenação de mulheres como sacerdotes, etc., permitindo seguramente "responder a alguns dos mais insidiosos e perigosos desafios que hoje se colocam ao bem comum". Bem prega Frei Tomás...

 

Buraco tapado por Cosmopolita às 23:12
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Quinta-feira, 13 de Maio de 2010

Música Maestro!

Como ele ainda anda por aí e eu me recuso a fazer parte dessa corja de beatos, continuemos com a digressão musical. Quem não se lembra de Herbert Von Karajan, O Maestro, quando A Orquestra era a Filarmónica de Berlim e os LPs de música clássica tinham de ser gravados pela Deutsche Grammophon? Vejam-no a ensaiar, com toda a sua exacerbada e invulgar sensibilidade e espantosa capacidade de explicar e transmitir o que queria. Recordem-no depois a dirigir uma orquestra, como só ele era capaz de o fazer. Acreditem que vale a pena.

 

Ensaio da 4ª sinfonia de Schumann

 

 

Beethoven Symphony No. 9 in D Minor, Op. 125

 

Beethoven's 5th Symphony. Part 1 (Movements 1 and 2)

 

Buraco tapado por Cosmopolita às 10:52
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Quarta-feira, 12 de Maio de 2010

Porque não quero cá missas papais, vamos para as Caraíbas!

Porque Portugal é um Estado laico e é imoral obrigar o seu povo a esta palhaçada em que o Estado e a ICAR andam pornograficamente embrulhados, oiçam um dos cantores ao som de cuja voz cresci. Não vos lembra as Caraíbas e as Antilhas, piratas, rum e tufões? Senhoras e senhores, eis Harry Belafonte!

 

Try to remember

 

 

  

Harry Belafonte & Nat King Cole sing Mama Look a Boo-Boo

 

 

 

 Banana Boat Song (Day O)

  

 

Jamaica Farewell

  

 

Matilda

 

 

Buraco tapado por Cosmopolita às 16:09
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Segunda-feira, 10 de Maio de 2010

Deixemos as liturgias e continuemos com o Jazz

Como dizia ali no telejornal uma das vendedoras altamente prejudicadas pela vinda do papa (os desígnios do Senhor são insondáveis!) “podiam ter levado o papa para outro lado qualquer”. Acedendo ao pedido dela, façamos de conta que o papa não vem cá, que não vai haver uma cobertura televisiva alargada durante 4 dias em todos os canais, nem fecho de ruas ou desvios de trânsito e continuemos a ouvir Jazz. Senhoras e senhores, tenho a honra de vos apresentar um dos conjuntos que mais me surpreendeu quando apareceu há muitos anos: “Jacques Loussier Trio”. Oiçam-no a tocar os clássicos em jazz e pasmem. 

 

Toccata & Fugue in D Minor

 

 

Arabesque

 

 

Pastorale in C Minor

 

 

 

Buraco tapado por Cosmopolita às 20:44
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Domingo, 9 de Maio de 2010

Para esquecer fantochadas, recordemos o Jazz casual

Quem nunca ouviu David Brubeck, tem aqui a oportunidade de ver o que perdeu. Senhoras e senhores, oiçam-no e fiquem numa boa mood!

 

Take Five

 

 

Take the “A” train

 

40 days

 

I’m in a dancing mood

 

It’s a raggy waltz

Buraco tapado por Cosmopolita às 14:52
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Sexta-feira, 7 de Maio de 2010

Em vez do papa e muito melhor do que ele...

Tenho o prazer de vos apresentar a mulher que foi considerada a melhor cantora de gospel do mundo!

 

Senhoras e senhores: Ms. Mahalia Jackson! Enjoy it.

 

 

Buraco tapado por Cosmopolita às 14:03
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Segunda-feira, 3 de Maio de 2010

As aparições de Fátima e outras histórias da carochinha*

Pela 1ª vez, desde que foi anunciada a visita do papa a Fátima, vi aqui uma notícia com interesse. O padre Mário de Oliveira, director do jornal Fraternizar, veio dizer à boca cheia, que as aparições de Fátima nunca existiram, que os pastorinhos foram vítimas de uma montagem feita pelo clero de Ourém, montagem essa que teria tido para as três crianças consequências tão graves quanto as da pedofilia, e que essa farsa teria feito de Fátima uma galinha de ovos de ouro para a Igreja em Portugal e para o Vaticano. Finalmente vejo que eu e um membro do clero comungamos, por assim dizer, a mesma opinião sobre esta história da carochinha. 

 

* Desculpem, mas sou alérgica a acordos ortográficos e ainda escrevo "história" como aprendi na escola.

Buraco tapado por Cosmopolita às 20:17
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