Quinta-feira, 2 de Agosto de 2007

Dedicado ao gato que me tinha

Dedicado ao gato que me tinha, que me punha em cuidados, que me seduzia, que me acompanhava só quando queria, que me mordia e arranhava, em quem eu batia e a quem gritava, que me divertia como ninguém e que eu amava.



Ah, esse cara
Tem me consumido
A mim e a tudo que quis
Com seus olhinhos infantis
Como os olhos de um bandido
Ele está na minha vida
Porque quer
Eu estou pro que der e vier
Ele chega ao anoitecer
Quando vem a madrugada
Ele some
Ele é quem quer
Ele é meu homem
Eu sou apenas uma mulher.

Não sei porquê, e pronto lá vou eu ficar com fama de ter taras sexuais com animais, mas esta letra do Chico Buarque faz-me sempre pensar nele, nesse Genghis Khan, nesse lorde vagabundo, nesse boémio endiabrado, que um dia (há quatro anos) teve que me deixar, morrendo num voo desastrado atrás de um pombo que não caçou, o malvado.
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Buraco tapado por Citadina às 12:02
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6 comentários:
De Cosmopolita a 2 de Agosto de 2007 às 13:14
Sei, meu amor, o que o Leo significava para ti. E que acabou, de alguma forma, por significar para mim e para os miúdos. Era um membro da família de pleno direito. Ele e a sua esposa Tutas.

Diz a minha filha que ele era a tua alma gémea e eu estou de acordo. Por estranho que possa parecer a quem não vos conheceu juntos.

Éramos rivais, ele e eu, na disputa pela tua atenção e afecto. De forma estúpida da minha parte, mas a vossa cumplicidade era tão grande e o amor tão incondicional...

Ele dividia perfeitamente as suas atenções conforme lhe convinha. Para ti o amor, as diabruras e as reconciliações cheias de marradinhas. Para mim a logística e alimentação. Para a minha filha a amizade e o refúgio quando estavas zangada com ele. Para o meu filho a compreensão de dois machos vivendo num espaço de mulheres.

Sentimos todos a falta dele e fizemos todos o seu luto. Não o esquecemos. Nenhum de nós. Dia 6 de Agosto vai sempre ser um dia de mágoa para a família. O dia em que ele mergulhou no espaço num vôo cego a nada.
De Citadina a 3 de Agosto de 2007 às 10:12
Lembras-te de como ele não me ligava nenhuma quando tu estavas a arranjar carne? Mesmo que eu o chamasse ele olhava para mim com um ar de impaciência, como quem diz "Agora não". Bandido adorado...
De Inha a 2 de Agosto de 2007 às 23:26
Os gatos! Só quem os tem, sabe o que criam em nós...é mesmo mistica o raio da ligação!
Beijos
Ps. Ele estará de certeza feliz a caçar pombos no paraiso de um pombal, seja onde for!!
De Citadina a 3 de Agosto de 2007 às 10:16
Querida Inha,
É mesmo mística, a ligação.
Either you've experienced it, or you didn't. As simple as that.
Muitos beijinhos para ti e para a Viz!
De Duca a 3 de Agosto de 2007 às 14:15
Como me lembro bem do Leo! Um gato lindíssimo cheio de personalidade que te adorava e a quem tu adoravas. Uma ligação que eu diria kármica.

Esteja onde estiver, provavelmente a caçar pombos como diz a Inha, ele sabe que não o esqueceste e que lhe sentes a falta. (Sabes que acredito nestas coisas, que queres?)

Beijo minha querida

De Citadina a 3 de Agosto de 2007 às 15:01
Querida Duca,
Eu também gostava de acreditar. Sentir-me-ia tão mais reconfortada se tivesse a certeza que ele sabe o caminho de volta...
Assim hei-de andar toda a vida preocupada, com medo que se perca...

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