Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007

Deixem lá, não se incomodem

Esperei uma semana e meia. Ninguém. Bom, em abono da verdade, houve duas amigas que tentaram passar a mensagem, mas tão sub-repticiamente que eu nem tenho a certeza absoluta que aquilo tenha constituído tentativa consciente.
A minha cunhada R. sim. Linguista. Aprecio-lhe a frontalidade e a inteligência, entre outras coisas. O caso é que não se encontra entre os leitores mais assíduos deste blog e daí a demora.
Mas um dia destes lá deu por isso e, sem bom dia nem boa tarde, disse-me pelo MSN: BRAguilha, cunhadinha, braguilha."
Não deixo de lamentar que ninguém me tenha chamado besta quadrada, mas já é alguma coisa.
Pois bem: eu sempre quis escrever "breguilha", porque sempre disse breguilha. Se fosse "desbragado/a", eu fazia gosto na palavra, mas "braguilha" não. É uma palavra tão forçada e desagradável que não me sai. Nem a escrever.
Por isso esperei anos. Até que fosse aceite. Sou uma mulher paciente. A estética linguística ou o silêncio. Recuso-me a dizer e a escrever "braguilha" (exceptuando neste post) porque sou pedante, se quiserem.
Mas finalmente também se escreve "breguilha". Pelo menos é o que diz aqui. E isso bastou-me para querer experimentar usar uma palavra que nunca tinha escrito antes.
Como disse, só lamento que ninguém me tenha querido vexar publicamente. É que foi uma boa oportunidade desperdiçada! Talvez fazendo inimigos mais eruditos...

Buraco tapado por Citadina às 18:03
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11 comentários:
De nnanna a 25 de Setembro de 2007 às 06:13
Pois eu não poderia aproveitar a oportunidade, mesmo que quisesse, porque sabia que as duas formas são linguisticamente aceitáveis, tal como se pode dizer oiro ou ouro... túlipa ou tulipa... e etc.
De qualquer dos modos, "breguilha" soa-me a palavra menos "desbragada" do que a outra...:)
Bom dia, querida Ci, beijos e vê lá se hoje tens cuidado com a dita.
De Citadina a 25 de Setembro de 2007 às 10:10
Bom dia para ti também querida Nnanna! Caramba, isso é que é acordar cedo! (ou deitar tarde?)
Eu sabia que tu ias concordar comigo: breguilha é muito melhor! :-)
Beijinhos!
De Duca a 25 de Setembro de 2007 às 10:47
Pois eu também disse sempre breguilha. Sempre a aprender, minha amiga, sempre a aprender!

Beijo
De Anónimo a 25 de Setembro de 2007 às 14:40
Lalalalala,
bre...quea...guilha?

Bjkas
Viz
De Rita a 25 de Setembro de 2007 às 16:07
Bom, bom, bom... vamos lá a ver como é que se comenta isto.
Primeiro, nunca me passaria pela cabeça chamar besta quadrada a alguém que não soubesse a diferença entre breguilha e braguilha, entre abismal e abissal, e por aí fora. Acho o conhecimento enciclopédico - linguístico ou outro - profundamente estéril!
Depois, não sou uma leitora pouco assídua. Achei, sim, que não era um assunto muito digno de menção. Por isso optei só pelo comentário no msn. E fi-lo porque queria ter a certeza de que a opção fora consciente (conhecendo as linhas com que te coses nesse campo; como te disse no msn, vives rodeada de puristas...). Foi.
De resto, só queria lembrar que breguilha e braguilha não são a mesma coisa. Querem dizer o mesmo, sim, mas breguilha é uma corruptela de braguilha (dizer que a forma resultante de corruptela é pedante é uma ironia muito subtil! Já agora, não achas Braga uma palavra deselegante e desbragada, pois não?) O uso legitimou-a, mas devia então legitimar também berguilha, que, isso sim, é o que eu digo. Mas a gente já sabe que a legitimação pelo uso é um bocado cega ou aleatória nas escolhas que faz. Se as pessoas dizem estriar (um filme) por que razão só a forma estrear é válida? Se 90% dos falantes de português europeu diz "tu destes" porque será apenas válido "tu deste"? A questão é que se formos validar todas as formas "ditas", cada palavra passa a ter 5 ou 6 variantes, pelo menos! E muitas delas totalmente desbragadas! Assim, de vez em quando há um dicionarista que tira umas palavras da longa quarentena em se encontram e decide legitimá-la. As outras olham ansiosas por entre as grades, à espera de uma amnistia que se calhar nunca virá... Porque as corruptelas são todas iguais, mas umas mais iguais que outras!
Eu cá, gosto muito de dizer berguilha e escrever braguilha!
Faz-me lembrar o meu descansado professor de neerlandês, o Professor Fabião, que dizia a propósto de convenções ortográficas, "escreve-se Istambul e lê-se Constantinopla".
Braguilhas de todo o mundo, uni-vos!
E para as braguilhas não vai nada, nada, nada? TUDO!
Vivam as braguilhas!
Pim!
De Citadina a 26 de Setembro de 2007 às 11:27
Oh cunhadinha, o que eu gosto que tu percas o teu tempo a dar-me trela! :-) Haja alguém. E muito obrigada desde já, foi o meu momento alto da tarde!
Do assunto:
Ai "breguilha" é uma corruptela?! Então seja, quero lá saber, é uma corruptela estética (daí o pedante).
Braga também me custa, mas uso de vez em quando. Isto no fundo é tudo uma questão de dislexia, confesso.
Mas olha que em relação à legitimação pelo uso, as minhas palavras foram "eu sempre quis escrever "breguilha", porque sempre disse breguilha" e não "eu sempre quis escrever "breguilha", porque sempre SE disse breguilha". Ou seja, aqui trata-se apenas de mais um comportamento obsessivo-compulsivo da minha parte e NUNCA de eu defender na generalidade - salvos sejamos todos! - a legitimação das corruptelas (e tive que ir ver ao dicionário que raio era isto) pelo uso. E olha que tu deste exemplos bem arrepiantes!! (e eu também não esperava menos de ti) Brrrr!
É como dizes: "as corruptelas são todas iguais, mas umas mais iguais que outras!". Para mim, pelo menos.
Para as braguilhas nada. Já para Constantinopla, tudo!
Beijinhos!
De Rita a 26 de Setembro de 2007 às 14:49
Então, cunhadinha, se é apenas porque sempre disseste assim que queres escrever assado, independentemente do que os outros dizem, porque ficas tu à espera de que um gajo qualquer, por razões meramente idiossincráticas, te autorize a fazê-lo?
Escreve como quiseres!
Como dizia Santo Agostinho, mais vale que me critiquem os gramáticos do que não me compreenda o povo!
De Citadina a 26 de Setembro de 2007 às 16:06
Cunhadinha, é que, como sabes, eu nem prego olho durante a noite se souber que dei um erro de ortografia... (Sabes a cena do obsessiva-compulsiva, eu estou sempre a avisar que é para depois não estranharem).
Agora já posso escrever como quero sem dar um erro!
Quanto ao Santo Agostinho, o meu problema não tem nada a ver com o dele... Na verdade, eu até gosto muito que o povo não me compreenda de todo (eu também avisei acerca do pedantismo).
Beijinhos! :-)
De Rita a 26 de Setembro de 2007 às 16:12
E depois dizem-se de esquerda!!
E pedante que é pedante não utiliza corruptelas...
Eu como sou de esquerda e não pedante, uso e abuso de certas expressões sociolectais que desesperam os pedantes de esquerda (não confundir com esquerda caviar, apesar de por vezes se sobreporem), como bué e afins...
Podem não ter noção disso, mas um dos poucos níveis em que se mantém a luta de classes é mesmo ao nível da língua. Porque é bom defendermos as corruptelas que usamos e chamar-lhes pedantes e criticar as outras, chamando-lhes plebeísmos...
E gosto de me fazer entender por todos! (mesmo falando pouco)
De Citadina a 26 de Setembro de 2007 às 16:32
Eu digo-me de esquerda elitista. E sou uma espécie diferente de pedante... a espécie que utiliza corruptelas. E que não tem medo das incoerências da vida, aliás, sempre achei a coerência muito sobrevalorizada.
E a prova disso é que eu gosto bué de bué e afins!
E nisso da luta de classes através da língua, como sabes eu sou o equivalente a aristocrata, por isso é que defendo até à exaustão as corruptelas que uso. E agora estou exausta, sim...
E a ti ninguém te entende, ou que merda vem a ser essa de "plebeísmos"?! Vais-me dizer agora que a plebe te entende nestes preparos?! Quando muito percebem que lhes estás a chamar nomes e reagem em conformidade!
De Rita a 26 de Setembro de 2007 às 16:47
Eu sou assim: tanto falo para o povo como para aristocratas! E gosto de fazer disso uma coerência... Deformações de educação!
E o verdadeiro aristocrata sabe o que é um plebeísmo... Está-lhe no sangue! Fareja-os e foge enojado...
Como o nome indica, um plebeísmo é aquilo que é próprio do povo, seja porque se trata de um termo de uma actividade estritamente popular, sei lá, como gamela, um aristocrata não sonha sequer com o que seja tal coisa, só conhece baixelas, seja porque o povo é ignorante e não percebe que uma cooperativa se chama assim porque resulta de um esforço de cooperação por parte de sócios ou associados ou o que seja e chama-lhe comprativa porque vai lá fazer compras. Ou diz homem sexual, poque obviamente um homossexual é um homem com perversões sexuais... :D
Há outros erros destes tal e qual resultantes de ignorância mas que como não feitos pelo povo povo (daquele das rodelas de chouriço) mas sim pelo povo paté, não se chamam plebeísmos, que é para não ofender ninguém, porque o povo paté pode estar a ouvir-nos e o povo chouriço tem mais que fazer, como dizer que os dias são solarengos (o povo tem mais que fazer, volto a dizer, tá sol é para trabalhar, não é pa ficar a falar do tempo), quando devia dizer soalheiro, solarengas são as casas e não os dias.

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