Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007

Depois da exploração a exclusão. E depois, a eliminação?

Tudo mudou. Mudaram as sociedades, mudaram as famílias, mudaram as relações laborais, mudaram os factores de produção. Mudou o mundo, globalizou-se. O neoliberalismo tomou conta das sociedades. Os deputados de parlamentos "democráticos" representam cada vez menos os interesses dos seus eleitorados e cada vez mais os dos lobbies económicos nacionais e internacionais.

Não há tempo, não há dinheiro ou este não é suficiente para se sair do limiar de pobreza, não há empregos, não há independência económica que permita ter o próprio espaço físico e psicológico, aumentam as depressões, os suicídios, o consumo de droga, a violência de toda a espécie. Surgem os "nouveaux pauvres". A notável escritora Viviane Forrester , em dois livros "L’ Horreur Économique" e "La Dictature du Profit", aborda de uma maneira brilhante os problemas que afectam as economias e as sociedades de hoje e os seus cidadãos.

"Depois da exploração, a exclusão. E depois? A eliminação?". Pior do que ser explorado, diz a autora, é não o ser de todo! "Os nossos conceitos do trabalho, e consequentemente do desemprego, tornaram-se ilusórios". "Os que governam tentam remendar atamancadamente a era industrial, quando a economia já entrou na era virtual". No segundo livro, Viviane Forrester analisa a "mundialização" e a forma como ela mascara a influência crescente dum novo tipo de regime político, ultraliberal, que não tenta tomar o poder, mas sim controlar os que o detêm. Que cria e mantém o desemprego. Que está disposto a sacrificar todos os investimentos que não tenham uma rentabilidade imediata, principalmente os que têm a ver com a saúde e a educação.

Ao denunciar a cultura da rentabilidade e a tirania do lucro, Viviane Forrester demonstra como a ideologia liberal tem como objectivo único subordinar todas as decisões políticas aos interesses da economia. Apelando à renovação do debate democrático, esta escritora revela a dimensão do desastre humano induzido pela demissão das elites e pela apatia dos cidadãos. Como diria Paul Kein, a propósito do primeiro livro, a questão que se põe é a de saber se Viviane Forrester depois de ter sido ouvida será escutada!

 

Buraco tapado por Cosmopolita às 21:50
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2 comentários:
De -pirata-vermelho- a 19 de Outubro de 2007 às 22:58
No seguimento da sua referência à autora eu diria, inflectindo, 'novo tipo de regime político dominado pelos que nomeiam e controlam os que exercem o poder'
De Cosmopolita a 26 de Outubro de 2007 às 12:15

Sim, está bem visto. Mas eu talvez acrescentasse, lembrando-me da forma como Sócrates e Santana Lopes foram promovidos por um canal de televisão, "'novo tipo de regime político dominado pelos que promovem, nomeiam e controlam os que exercem o poder em seu nome".

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