Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007

Post dedicado aos "homens bons"

... e também, como não podia deixar de ser, às mulheres boas, e a todos os politicamente correctos, independentemente do sexo, credo, etnia, raça, orientação sexual, et cetera.
Para vós, um lindo momento de poesia da boa:

Algumas perguntas a um “homem bom”

Bom, mas para quê?
Sim, não és venal, mas o raio
Que sobre a casa cai também
Não é venal.
Nunca renegas o que disseste.
Mas que disseste?
És de boa fé, dás a tua opinião.
Que opinião?

Tens coragem.
Contra quem?
És cheio de sabedoria.
Para quem?
Não olhas aos teus interesses.
Aos de quem olhas?
És um bom amigo.
Sê-lo-ás do bom povo?

Escuta pois: nós sabemos
Que és nosso inimigo.
Por isso vamos
Encostar-te ao paredão.
Mas em consideração
Dos teus méritos e das tuas boas qualidades
Escolhemos um bom paredão e vamos fuzilar-te com
Boas balas atiradas por bons fuzis e enterrar-te com
Uma boa pá debaixo da terra boa.

(Bertolt Brecht)


E ainda, porque um é pouco e dois é bom, parece:

O Analfabeto Político

O pior analfabeto
é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo da vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguer, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.

O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.
Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado
e o pior de todos os bandidos:
O político vigarista,
pelintra, corrupto e lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.

(Bertolt Brecht)


Gostaram? Eu sei que sim. De nada, sempre às ordens.

Buraco tapado por Cosmopolita às 12:32
Link do post | Tapa também
13 comentários:
De Anónimo a 5 de Novembro de 2007 às 16:34
Obrigada por me recordares Brecht. Dele deixo aqui este:

De Que Serve A Bondade

1
De que serve a bondade
Se os bons são imediatamente liquidados,ou são liquidados
Aqueles para os quais eles são bons?

De que serve a liberdade
Se os livres têm que viver entre os não-livres?

De que serve a razão
Se somente a desrazão consegue o alimento de que todos necessitam?

2
Em vez de serem apenas bons,esforcem-se
Para criar um estado de coisas que torne possível a bondade
Ou melhor:que a torne supérflua!

Em vez de serem apenas livres,esforcem-se
Para criar um estado de coisas que liberte a todos
E também o amor à liberdade
Torne supérfluo!

Em vez de serem apenas razoáveis,esforcem-se
Para criar um estado de coisas que torne a desrazão de um indivíduo
Um mau negócio.


Este homem estava muito à frente no seu tempo. Mal sabia ele que, muitos anos depois, a sua poesia estava perfeitamente enquadrada nos tempos em que vivemos.

Beijo

De Duca a 5 de Novembro de 2007 às 16:36
O "Anónimo" aí de cima sou eu! Esqueci-me de me identificar. Anestesias gerais com menos de um mês é no que dá. ;)
De Garamond a 6 de Novembro de 2007 às 18:15
Eu não tenho nada profundo para dizer, beeeeem posso dizer poço! Mas passem lá no meu escaparate!

Gostei tanto da cumbersa com a A. que acho que devo dizer sempre ás pessoas o quanto elas são fabulosas!

www.anamoradales.blogspot.com

beijão nas duas meninas lindas!
De Cosmopolita a 7 de Novembro de 2007 às 13:10
Já passei no teu convento e lá deixei o meu comentário.

O prazer da conversa e descoberta foi mútuo!

Beijos

De BlueBird a 6 de Novembro de 2007 às 19:35
Em relação o primeiro, falo por todos os homens bons, sendo eu o supremo deles, que somos assim porque assim fomos criados. A brincar claro.
Depois temos o segundo, o que me dá vontade de citar gato fedorento e responder-te que " Não tens personalidade Jurídica"! Mas de facto é daqueles poemas que se aplica a todos os tempos, eras e assim!
Mas giro giro, é ver-te falar sozinha! Perguntas, respondes e agradeces!

"Oh, tu! Que eu espero desde que nasci... despacha-te, que eu não tenho a vida toda! "

De Cosmopolita a 7 de Novembro de 2007 às 13:29
Sei que era a brincar porque não foste criado para seres um destes homens "bons" de que fala Brecht, muito pelo contrário...És um jovem muito bom e sério, mas não na acepção deste poema, e orgulho-me muito de ti.

Pois...Já sabes como eu sou. Faço a festa, lanço os foguetes e apanho as canas...

Gostaste dos poemas?

Beijos
De -pirata-vermelho- a 7 de Novembro de 2007 às 15:10
Já reparou como o chavão 'politicamente correcto' (que nem conceito chega a ser) bloqueia o seu ser político?
De Cosmopolita a 7 de Novembro de 2007 às 15:46
Oh pirata vermelho, você dá-me cabo da cabeça!!! Ainda não arranjei tempo para lhe responder ao seu comentário ao post "O conceito de normalidade", não porque isso seja politica, social ou bloguisticamente correcto, mas sim porque não gosto de responder a perguntas sérias sem pensar a fundo nisso. Portanto, um destes dias, lá terá a sua resposta.

Quanto ao meu ser político ser inibido pelo chavão, como lhe chamou, do politicamente correcto, devo dizer-lhe que está absolutamente enganado e que o facto de o dizer mostra que me desconhece em absoluto.

Se há coisa que nunca fui foi social ou politicamente correcta. Tenho-me um grande respeito e amizade enquanto ser inteligente e pensante e, sem ser por narcisismo ou orgulho, isso faz que acredite nas minhas convicções, sejam elas correctas ou não para os outros.

Não quer isto dizer que seja pedante ou tão orgulhosa que não concorde com os outros quando os argumentos destes, depois de os analisar, são irrebatíveis para mim.

Uma das minhas angústias existenciais, desde sempre, é a de usar a dúvida de Descartes não como um objectivo em si mesmo, mas como um método de trabalho e de introspecção. O que é inquestionável numa altura ou época pode ser questionável logo a seguir. Ou não acreditasse eu na dialéctica dos fenómenos...

Mas já agora, e como é mais fácil fazer perguntas a questionar os outros do que responder-lhes, gostava de saber por que, não me conhecendo fez esta afirmação.
De -pirata-vermelho- a 7 de Novembro de 2007 às 18:36
Perguntei sem insinuar, oh mulher cosmopolita! Um discurso frontal que, embora pouco usado, tenho a certeza entenderá d'imediato se o aceitar como tal.

(E!
muito lh'agradeço a gentileza que denota)
De -pirata-vermelho- a 7 de Novembro de 2007 às 18:40
Además
mudava o 'oh pirata não me dê cabo da cabeça' do princípio e podia ser eu a dizer quase tudo aquilo na mesma toada.
De Citadina a 7 de Novembro de 2007 às 16:24
Pirata Vermelho, a mim parece-me que a Cosmopolita está precisamente a criticar (ironizando) o "politicamente correcto", mas se calhar sou eu que não estou a perceber bem...
De -pirata-vermelho- a 7 de Novembro de 2007 às 18:45
O meu alvo não é o discurso dela - é o chavão ele mesmo, anterior e exterior à própria Cosmopolita
De agl.hawk@gmail.com a 9 de Novembro de 2007 às 13:37
Já têm a tão aguardada resposta sobre o mistério do esquentor e exaustor no meu blog.

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