Terça-feira, 20 de Novembro de 2007

A minha fantasia urbano-depressiva sobre Tóquio

Tóquio é a cidade ideal para se estar deprimid@. Pressinto isto desde o Lost in Translation, essa obra cinematográfica discreta, magistral e demonstração plena do tal ideal.
Em Londres e outras cidades cinzentas sente-se frio e outros desconfortos, mas também uma excitação cosmopolita que é antónima de depressão.
Em Tóquio não se percebe nada do que se lê, não se compreendem os discursos, a cultura, os gestos. Mergulha-se na desorientação total e na procura desesperada de uma pista de sentido que nos oriente para um conforto minimal.
Em Tóquio não se sente nada de positivo pela cidade, portanto não se tem pena de passar o dia todo encafuad@ num bom hotel.
Há espaço de sobra para a depressão, amplo, digno e com estilo. Há também motivos e argumentos para side effects como o escárnio, o choro, o desprezo, a auto-comiseração e a apatia.
E nem precisa de estar a chover. Aquele manto de poluição entre nós e o céu serve lindamente.
Alguém tem um bilhetinho de avião a mais?

Buraco tapado por Citadina às 17:40
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12 comentários:
De -pirata-vermelho- a 20 de Novembro de 2007 às 18:30
Sim, se me disser o que significa 'minimal' e! porque é que escreve com @ em vez de com a vogal portuguesa adequada.
De Citadina a 21 de Novembro de 2007 às 10:50
Olá Pirata!
Pois com todo o prazer: minimal é minimalista para os amigos. Não é um mini-animal. É apenas uma palavra que eu inventei. Ou pensava que só o Mia Couto é que pode? Não, eu também me arrogo esse direito criativo. Não obrigo ninguém a usar as palavras que invento, mas admito que me dá um gozo extraordinário que as notem e demonstrem interesse por elas. Obrigada!
Aquilo da @ é um bocado gay, concordo. É uma versão curvilínea do apático "o/a". É uma aglutinação dos géneros, se quiser, e um facilitismo linguístico estético. Numa palavra: gay.
Um abraço, sempre bom vê-lo por aqui!
De -pirata-vermelho- a 21 de Novembro de 2007 às 14:56
Admiro a forma superior como trata o que a confronta
e
gosto da clareza com que responde (desculpe se refiro na primeira pessoa...)
e
aceita-se facilmente a sua posição
todavia, se permite, diria que
- minimal será isso que diz (e claro que pode/deve usar a sua língua com toda a competência que tem) mas!
é também minimalista in english o que pode exigir explicações de postura -como a que deu- que esconjurem colonialismos de baixa qualidade
- cá pra mim, nem o '@' nem o 'a/o' -por si tão bem caracterizados, um como versão curvilínea do apático outro- a menos que houvesse nisso um intuito militante
(é capaz de imaginar o O'Neill ou o Torga escrito com '@'s? E o Conrad com 'a/o's ?!...)
Tal como no caso do preto/negro, uma marca de uso alegadamente pro/anti-racista -tanto uso um como o outro sem acinte- também ali não me parece ser de recear o paradigma da língua.


De Citadina a 21 de Novembro de 2007 às 17:24
Muito obrigada e não tem nada que pedir desculpa porque... bom, porque na verdade não percebo porque é que está a pedir desculpa. Mas depois explica-me.
A utilização da @ deveu-se, de facto, a um misto de militância e preguiça. Isto é um bocado paradoxal, e no entanto...
Houve ainda um outro motivo - por ventura o principal - relacionado com a intencionalidade de generalizar, evitando falar na 1ª pessoa. Uma questão de altruísmo, percebe, como quem diz "toda a gente pode desejar partilhar comigo esta fantasia urbano-depressiva, eu não cobro direitos de autora (agora sim, necessidade de utilização da primeira pessoa, eu, a autora. Medíocre, mas autora. A anos-luz de O'Neill, Torga e Conrad, mas autora.)."
Como quem diz: quem nos dera estar deprimidos em Tóquio.
Ou: já que estamos em Tóquio, vamos para o hotel curtir uma depressão.
Ou ainda: esperemos que assim que pusermos os pés fora deste hotel nos apercebamos que estamos em Tóquio.
Enfim...
De viz a 20 de Novembro de 2007 às 21:18
Oh Linda, não me viste esta semana e ficaste depré? Não vale a pena, apanha lá uns beijinhos e já passa!
De Citadina a 21 de Novembro de 2007 às 11:01
Querida Viz,
Estás a ver com tu sabes? Foi isso. Portanto, quero esses beijinhos ao vivo!
Abraço!
De BlueBird a 21 de Novembro de 2007 às 14:42
Esqueceste-te de mencionar que, para além de tudo isso, as pessoas são todas iguais. Principal causa da desorientação, passo a explicar:

"Olhe desculpe podia-me informar onde... ah não sabe? Talvez o seu irmão gémeo saiba... pere... hey, quantos irmãos é que você tem? Estão em todo o lado! Oh não! Vou entrar em depressão."
De Citadina a 21 de Novembro de 2007 às 16:49
Este ganhou o 1º prémio de comentário com mais sentido de humor do mês!
De Ferónica a 21 de Novembro de 2007 às 17:49
A desorientação proveniente da ausência de referências verbais ou simbólicas inteligiveis ou interpretaveis, aliada à universal névoa da poluição das grandes urbes, promove o desconforto e pode até ser deprimentente.
Que me desculpem os adeptos mas com destinos urbanos, eu não gosto de viagens.
De Citadina a 21 de Novembro de 2007 às 18:07
Cara Ferónica,
Não há nada a perdoar, apenas a agradecer: a sua visita e o seu comentário.
Seja bem-vinda!
De ser.pode@gmail.com a 21 de Novembro de 2007 às 18:48
Também gosto de Tóquio.
E o que mais me impressiona é ver tanta gente a falar ... japonês.
De Alura a 21 de Novembro de 2007 às 20:00
Gostei do vosso blog!

Gostaria de ter uma opinião vossa sobre o nosso produto em http://prazer2sexo.blogspot.com/

Obrigada!

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