Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007

Porque hoje é Quarta...

Ofereço-vos dois poemas de Eugénio de Andrade.

 

É urgente o amor.

É urgente um barco no mar.
 
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
 
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
 
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

 

 

 

Hoje roubei todas as rosas dos jardins
e cheguei ao pé de ti de mãos vazias.

 

Buraco tapado por Cosmopolita às 14:01
Link do post | Tapa também
6 comentários:
De Rita a 29 de Novembro de 2007 às 17:27
Então? Hoje já é Quinta!!
(e como vês a poesia não desperta muitos comentários...)
De Cosmopolita a 30 de Novembro de 2007 às 13:38

Ritinha, quando publico um post, sobre poesia ou outro tema qualquer, não estou necessariamente à espera de comentários. Não é para os ter que ponho posts aqui.

Sobre a poesia, em particular, não conheço muitas pessoas que a apreciem e que a conheçam. Normalmente quem me responde nesses casos é apenas a Duca com a sua alma sensível de poeta.

Adoro poesia, o primeiro livro que me ofereceram aos 7 anos era uma antologia de poesia para crianças. Porque acho importante divulgá-la é que publico aqui, de vez em quando, alguns poemas de que gosto particularmente.

Beijinhos!
De Rita a 3 de Dezembro de 2007 às 16:56
Ena, tanta pressuposição!!

O meu comentário pretendia somente dizer-te que estava a sentir a falta do teu blog, ou do teu post diário!

Nunca pensei que estivesses ferverosamente à espera de comentários...

Nem quis dizer que A MIM a poesia não me desperta comentários... Como já te disse, tenho uma relação muito pessoal com a poesia...
De Duca a 29 de Novembro de 2007 às 23:03
Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.

Também de Eugénio de Andrade
De Garamond a 30 de Novembro de 2007 às 19:15
Nesse caso, o gostar da poesia, apetece-me responder te assim:

Se terminar este poema,
partirás. Depois da
mordedura vã do meu silêncio e
das pedras
que te atirei ao coração, a
poesia é a última
coincidência que nos une.
Enquanto escrevo
-
este poema, a mesma neblina que
impede a
memória límpida dos sonhos e
confunde os
navios ao retalharem um mar
desconhecido
-
está dentro dos meus olhos -
porque é difícil
olhar para ti neste preciso
instante sabendo que
não estarias aqui se eu não
escrevesse. E eu, que
-
continuo a amar-te em surdina
com essa inércia
sóbria das montanhas, ofereço-te
palavras, e não
beijos, porque o poema é o único
refúgio onde
podemos repetir o lume dos
antigos encontros.
-
Mas agora pedes-me que pare, que
fique por aqui,
que apenas escreva até ao fim
mais esta página
(que, como as outras, será
somente tua - esse
-
beijo que já não desejas dos
meus lábios). E eu, que
aprendi tudo sobre as despedidas
porque a saudade
nos faz adultos para sempre, sei
que te perderei
em qualquer caso: se terminar o
poema, partirás;
e, no entanto, se o interromper,
desvanecer-se-á
a última coincidência que nos
une.
-
-
Maria do Rosário Pedreira


:p
De Cosmopolita a 3 de Dezembro de 2007 às 12:15
Obrigada G por este poema tão lindo e por me teres dado a conhecer esta poetisa.

Um beijo grande para ti!

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