Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008

O melhor pescado de sempre (com rede de malha larga) #2

Este é um texto de tal modo intenso e pungente que nunca o consegui tirar da cabeça, e quando esta se me põe com merdas, vou relê-lo para aliviar a confusão e gerar forças.
Tomo a liberdade de o dedicar à minha amiga D. e a Ticcia que me desculpe tal abuso.

"Bem assim.

Oi queridinha, senta aqui no colinho da titia que eu vou te contar um segredinho. Presta atenção. Não interessa que tu não tenhas feito nada de errado, que tu tenhas te mantido atenta, olhado para os dois lados antes de atravessar a rua, feito a lição de casa, tratado da cabeça, decidido certo, escolhido bem. Não interessa que tu consigas ler nas entrelinhas, que a tua intuição seja boa, que tu enxergues os outros. Não interessa que tu tenhas dado tudo de ti, te esforçado o máximo, feito o melhor, apostado todas as fichas, mergulhado de cabeça, te comprometido, sido sincera, transparente, solidária, amado de verdade. Não interessam todas as certezas, os sinais, as intuições, todas as provas irrefutáveis, todos os indícios, todas as declarações, todas as intenções, todos os planos, todas as conversas, todas as afinidades, todos os detalhes, todo o milagre, a mágica, o inexplicável. Não interessa porra nenhuma disso. Conta, é, mas não decide patavina de coisa nenhuma. E depois, mesmo depois de tudo e do fim, depois do depois, depois, não assegura nada. Não garante o céu, o primeiro prêmio, o tylenol, o alívio, a certeza, o futuro. Não garante recomposição, cura, outra chance, justiça, redenção, recompensa, não garante que vá passar, que vá acontecer de novo (ou que não vá), não garante absolutamente nada. O que existe, ao fim e ao cabo, é o que já foi e o que é agora, bom e ruim, triste e alegre. O que sobra e o que é certo é tu. Tu e o que de ti conseguiste salvar. E só. Só isso. Só.
"

Publicado no Mme. Mean, na coluna "Madame Benvenisti", às 17:38 de 25-09-2006.

Buraco tapado por Citadina às 12:06
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4 comentários:
De Duca a 4 de Janeiro de 2008 às 14:24
Que coisa mais certa, minha querida amiga. Obrigada por teres partilhado este texto da Ticcia que, como muito bem dizes, é muito intenso e pungente. Eu, acrescento, e de uma tal verdade que até dói.

Beijo
De Citadina a 7 de Janeiro de 2008 às 17:11
O "só" das últimas frases pode ser (quase) tudo. "É tu." Tu e tudo que há nisso. E eu sei que é muito.
Beijo!
De Druiel a 4 de Janeiro de 2008 às 14:40
Doí ... mas dá alento. Porque no final fica alguma coisa e fica o mais importante. O mais forte de nós.

Obrigada pela partilha
Druiel
De Citadina a 7 de Janeiro de 2008 às 17:12
Muito certo: fica aquilo que consegue resistir às mais duras adversidades.

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