Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

Janelas abertas

A propósito de felicidade e de r(a)lações afectivas, deixo-vos um video com uma canção da Maria Bethânia de que gosto particularmente. Como diz Gabriel Garcia Marques no  "Memórias das minhas putas": "Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco". Abram então as janelas!


 

Buraco tapado por Cosmopolita às 16:02
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15 comentários:
De -pirata-vermelho- a 21 de Janeiro de 2008 às 17:09
Sempre encalhei neste título do Garcia Marques.
A 'brincadeira' é esta e não outra por acaso ou nem por isso?
De Cosmopolita a 23 de Janeiro de 2008 às 13:18
A que brincadeira se refere pirata? Se me disser talvez consiga responder-lhe...
De -pirata-vermelho- a 23 de Janeiro de 2008 às 17:56
Assinalei 'brincadeira'. ''Minhas putas'', num título, tem uma conotação carinhosa, intimista e simultaneamente rebusca o lugar comum da puta como epíteto da feminilidade; senão quem, melhor que uma verdadeira pro para demonstrar a 'função fêmea' da mulher?
Ora, postas de parte as ironias desta natureza, significados sectoriais associados às putas e ca. e, a este nivel de compreensão, entendo que subjaz ao título do Garcia Marques um machismo atávico que se afigura difícil de aceitar naquele autor
De Cosmopolita a 24 de Janeiro de 2008 às 11:35
Meu caro pirata, devo dizer-lhe que nada em nenhum dos livros do Garcia Marques indicava que ele não fosse machista, aliás como a maioria dos homens e mulheres latinos e latino-americanos.

Como já citei algures aqui na blogosfera, um dos poemas de que mais gosto do Fernando Pessoa é um em que ele, como Álvaro de Campos, diz "Simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de carácter, E simpatizo com outros pela sua falta dessas qualidades, E com outros ainda simpatizo por simpatizar com eles...", por isso, independentemente do seu machismo, continuo a gostar muito de Garcia Marques. Aliás, se eu fosse homem, e apesar de ter sido educada de forma não machista, em abono da verdade se diga que me seria quase irresistível não ser tentada a ser machista na nossa sociedade...Já imaginou o poder que os homens têm?

E acho notável que alguém escreva em título algo de tão carinhoso sobre as suas putas. Por muitas razões, que passarei a explicar-lhe.

Em Lourenço Marques, na minha juventude, tive oportunidade de frequentar durante uma data de anos alguns dos cabarets que lá havia na Rua Araújo e de conviver muito de perto com putas e travestis. São profissionais com histórias de vida muito interessantes e algumas delas até pungentes. Sabem tudo sobre os vícios privados e públicas virtudes e têm um desencanto e cinismo relativamente à vida, às pessoas e às coisas que até dói! Também se calhar não lhe passa pela cabeça a quantidade de problemas sexuais que ajudam a resolver. Sim, porque há pessoas de todas as idades, sexos, estados civis e camadas sociais que deles não prescindem. Acho por isso uma espécie de homenagem a todos eles a ternura do título de Garcia Marques.

A "brincadeira" que eu fiz foi a de citar uma frase dele que mistura o amor, algo de tão essencial à vida, mesmo que doloroso por vezes, com os signos, sobretudo tendo em atenção a música que postei.

As janelas abertas lembram-me um poema do Paul Éluard que diz

"La nuit n'est jamais complète
Il y a toujours puisque je le dis
Puisque je l'affirme
Au bout du chagrin une fenêtre ouverte
Une fenêtre éclairée"

e foi dedicado a uma amiga minha para quue ela, nesse sentido, abra as janelas.


De -pirata-vermelho- a 24 de Janeiro de 2008 às 13:01
Querida Cosmopolita,
subscrevo (já subscreveria antes!) tudo o que disse e que entendo muito bem. Por inacreditável (e podia... posso! muito bem estar a mentir; mas não estou) nunca paguei a uma puta; porém, além de ter conhecido, mal, a R Araújo tive o privillégio de ter tido negociações alongadas com duas ou três profissionais em quem vi tudo-e-mais-alguma-coisa daquilo que você diz.
Estranhamente coloca-se você, nesta conversa, numa aparente posição de confronto, num alinhamento que mais me parece de concordância
(puta-da-internet e dos mal-entendidos que gera!
A falar é qu'a gente s'entende e aqui faltam os olhos e as mãos, quando se diz...)

Um abraço
Desculp'a rudeza da minha linguagem

O machismo não deve ser tido por anátema nem é um abjeccionismo, é uma qualidade histórica mas gosto todavia de gostar das mulheres como pessoas com quem falo e! que se assim não fosse (já que tanto regista o sexo) não sei com quem fodia?
De Cosmopolita a 24 de Janeiro de 2008 às 14:39
Querido pirata:

Como já tive oportunidade de lhe dizer, você faz-me passar, a nível de estados de espírito, de um extremo ao outro! Tanto fico irritada consigo, como surpreendida, como me faz dar umas boas gargalhadas.

No caso específico deste seu comentário, explique-me lá por que é que, nunca tendo tido de pagar a uma puta, teve “o privilégio de ter tido negociações alongadas com duas ou três profissionais” dessas?

Depois, para mim, que profissionalmente tenho como uma especialidade muito procurada no estrangeiro a negociação de todo o tipo de contratos, grandes e pequenos, a ideia de você ter tido “negociações alongadas” fez-me ficar perdida de riso! Qual o objectivo das negociações? Não pagar?

Sim, é possível que lhe tenha parecido estar numa posição de aparente confronto consigo, mas só porque desconfio de si e jogo à defesa...Não lhe ocorre que é porque você é um tipo polémico e controverso? Mas concordo, depois do que disse, que a posição é de alinhamento e concordância.

De resto, como já disse aqui (http://azinhagadacidade.blogs.sapo.pt/38354.html), a puta da internet presta-se mesmo a este e muitos outros tipos de confusão. Para mim a presença do interlocutor, seja a que nível for, é essencial. As mãos, os olhos, o sorriso ou irritação valem mais do que mil palavras. E não usou uma linguagem rude, mas se tivesse usado estaria desculpado na mesma.

Quanto à qualidade histórica do machismo, e a propósito de sexo, sugiro-lhe que leia um livro do Alberoni “O erotismo”. Nele se fala das diferenças deste entre homens e mulheres e as razões históricas e sociais para tal.

Sendo engenheira, mas gostando muito de filosofia e sociologia, descobri o Alberoni há quase 20 anos através de um livro dele que se chama “O enamoramento e o amor”. Fiquei fascinada pelo tipo de abordagem e de análise, que nos escapa a nós técnicos de outros sectores. Fartei-me de ler os livros dele, até começar a achá-lo um bocado parecido com o Manuel Luís Goucha nos seus livros de receitas de cozinha.

Sim, é verdade que registo muito o sexo. Ele é-me essencial nas minhas relações de amor ou simplesmente eróticas. Como registo a alegria, a tristeza, a indignação e outros sentimentos que caracterizam o ser humano.

Pois...compreendo-o. No sentido em que gosta de gostar das mulheres com quem fala e...aparentemente com quem também fode! Estou a brincar consigo, claro!
De -pirata-vermelho- a 24 de Janeiro de 2008 às 14:52
"que (lhe) tenha parecido estar numa posição de aparente confronto, mas só porque desconfio de si e jogo à defesa..."

Cosmopolitana!
isto podia dar origem a uma guerra do caraças.
De Cosmopolita a 24 de Janeiro de 2008 às 15:19
Guerra do caraças, pirata? Está a falar em abordagens como no tempo da pirataria?!

Bem a isso só lhe posso responder "Se você quer brigar.....Pode vir quente, que eu estou fervendo!"

Lembra-se desta canção?
De Rita a 22 de Janeiro de 2008 às 15:48
Olá cunhadinha!!

Eu gosto mais da versão do Chico! Mas a música é do Caetano...

De Citadina a 22 de Janeiro de 2008 às 18:14
Querida cunhadinha,
A tua cunhada é aquela que neste blog assina "Citadina" e não a autora deste post, que é tua irmã... Já tínhamos revisto esta matéria...
Beijo grande!
De Rita a 24 de Janeiro de 2008 às 15:21
Estás a ver? É o que dá os alias...
Rita é Rita e tu sabes logo que sou eu...
E a idade não perdoa...
Mas tens razão, aquele post tresandava à minha irmã!!
Beijos a ambas!
De Cosmopolita a 24 de Janeiro de 2008 às 15:31
Tresandava Ritinha? Cheirava perfumadamente....
De Rita a 24 de Janeiro de 2008 às 15:38
Claro, claro...
Exalava requintados aromas específicos da minha irmã...
De Cosmopolita a 24 de Janeiro de 2008 às 15:45
Ah bom, assim está melhor...

Beijos querida e a ver se este fim de semana estamos juntas.
De Duca a 25 de Janeiro de 2008 às 09:51
"Na sala receber o beijo frio em minha boca
Beijo de uma deusa morta
Deus morto, fêmea língua gelada, língua gelada como nada"


Sinto tanto estas palavras. De que nos vale uma deusa se ela está gelada e morta?

Obrigada pela partilha minha amiga.

Beijo

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