Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008

Os auto-proclamados guardiões da moral e dos bons costumes

Ora aí está o tema para reflexão de fim de semana, embora para alguns seja melhor estender o prazo pelo resto da vida.
Como, por exemplo, para mim, que tenho dificuldades, muitas dificuldades, em entender as motivações dessa malta que refiro no título do post.
Acontece-me ciclicamente deparar-me com alminhas que secretamente me desejam mal - mas como disfarçam pessimamente, até eu percebo - só porque eu não rejo a minha vida pelos padrões morais delas.
Estes processos começam de fininho, com um ressentimento contido, perante a injustiça  - e aqui entra um padrão moral de origem que suponho divina - de Deus não me castigar severamente pelos meus pecados (também estes definidos por noções fantasiosas, relativas e profundamente questionáveis, que figuram numa espécie de lei que ninguém é obrigado a aceitar, mas nas cabeças iluminadas dessa gente, é como se fosse).
Esses ressabiamentos por vezes também são identificáveis por uma notória manifestação de alegria antecipada pela (minha) "merecida" condenação que por certo aí vem. Na opinião dessas pessoas eu devia sofrer mais, e hei-de pagá-las caras.
Se a punição não vier, então passo a ser alvo de uma inveja salivante de veneno, própria de quem não conseguirá voltar a dormir bem se não fizer justiça pelas próprias mãos.
E é assim, muitas vezes, que se justifica o mal e o fazer mal, fazendo-o para praticar "o bem".

Buraco tapado por Citadina às 14:40
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11 comentários:
De -pirata-vermelho- a 22 de Fevereiro de 2008 às 19:40
Ena qu'a velocidade vertiginosa!...

Quem lhe disse que você merece tanta atenção e pela negativa, además?
Par contre (agora en français) demonstre a verdade das afirmações qu'aplica a tanta gente que não se vê daqui mas que a veria de 'lá' se estivesse a olhar pra si.
And, last but not the least, pra quê dizê-lo se nenhuma importância houvera de tê-lo?
De Citadina a 25 de Fevereiro de 2008 às 10:33
É... Pode ser que tenha razão. Ou não.
A verdade das afirmações está demonstrada empiricamente. Não a si, claro, nem faria sentido, uma vez que o assunto exprapola da blogosfera para a vida real, mas está. Espero que esta minha garantia o descanse.
Finalmente, e quanto à importância que tem ou não. Nos meus posts, eu sou soberana nesse julgamento. É assim a dura vida da blogosfera. Quem tem blog... dispõe dele.
De -pirata-vermelho- a 25 de Fevereiro de 2008 às 13:16
A sua soberania e a autocracia de que decidiu dispor no ´seu' blog teriam como limite, a exemplo de qualquer acto publico, o compromisso de respeito e consideração pelo direito e obrigação de discordância de quem possa ler, uma vez que a liberdade de expressão do outro passaria pela sua obrigação de a ouvir/ler.
Finalmente, (...but not the least) nada disso, autonomia ou autocracia, avalizariam por si sós o argumento ou o julgamento.


A parte privada fica de fora uma vez que foi usada como suporte e alvo, simultaneamente, externa e anteriormente a isto - tratar-se-à pois, aqui, este texto, de um 'recado', não é?
De Citadina a 26 de Fevereiro de 2008 às 11:51
Caro Pirata,
O objectivo deste blog não é melindrar ninguém, muito menos a si, isto que fique bem claro.
Mas isso não invalida o facto inquestionável de eu ser co-autora deste blog e portanto soberana na decisão das matérias que compõem os posts da minha autoria.
Um autor é um autocrata? Bem, em circunstâncias normais, como a existência de liberdade de expressão, sim! É um autocrata porque governa em regime absolutista a sua produção intelectual, por muito má (ou não) que ela possa ser. Se isto constitui ofensa para alguém, vou ali (sei lá, ao Zimbabué ou a outro regime ditatorial à sua escolha) e já venho!
Sugerir que este tipo de soberania/autocracia constitui "desrespeito e/ou desconsideração" pelos comentadores, seus comentários, ou seus direitos de discordância é, no mínimo, rebuscado!
É óbvio que os comentadores têm TODO o direito de discordar de mim! Exactamente por isso é que este blog tem caixas de comentários. Se fosse verdade - como afirma - que eu quero privar alguém de exercer a sua liberdade de expressão, então não permitiria comentários aos meus posts, não lhe parece?
Agora, o que não pode fazer - ou pode, mas não surte o efeito desejado, lamento - é querer impor-me as suas opiniões sobre o que eu devo ou não devo publicar (como já fez, sugerindo que eu devia apagar posts) ou sobre o que tem importância ou não.

Dizia eu que é óbvio - e demonstrável - que os comentadores têm todo o direito de discordar de mim e que se fosse verdade - como afirma - que eu quero privar alguém de exercer a sua liberdade de expressão, então não permitiria comentários aos meus posts.
Já de si, não posso dizer o mesmo. É o Pirata que não respeita a importância que eu possa dar aos assuntos. E exprime-o inequivocamente. O Pirata não se limita a dar a sua opinião (discordante) sobre os assuntos. O Pirata arroga-se o papel de editor deste blog. Sentencia sem apelo nem agravo o que é importante, o que é dispensável, o que é para cortar, apagar, etc. E isto, tem de convir, ultrapassa ligeiramente os seus privilégios de comentador.
Repito: tenho muitísimo prazer em tê-lo como comentador. Tenho-o como um homem inteligente e desafiante intelectualmente. Gosto disso. Mas nem o Pirata tem obrigação de mer ler/ouvir, para utilizar a sua expressão, nem eu tenho obrigação de seguir as suas instruções editorias sobre o MEU - lamento se isto o ofende - blog.
Resumindo: direito ao contraditório existe aqui. Mas em ambos os sentidos. Não só num. Acontece que quando EU utilizo esse direito em relação a si, você não reage lá muito bem, e desata a acusar-me de ditadora, autocrata, castradora, e sei lá mais o quê.
Mais: quando me imcumbe de tarefas como "demonstrar a verdade das afirmações", que constituem claramente a mera expressão da minha OPINIÃO, o que quer que lhe responda?! "Demonstrar" uma opinião é totalmente redundante, não é?! Dado que quando ela é expressa, é demonstrada. É uma o-pi-ni-ão, não é um facto científico. Esses sim, é que precisam de ser demonstrados.
Enfim, espero que o tempo que lhe dedico, respondendo longa a pacientemente às suas acusações infundadas e injustas lhe transmita algo sobre o meu apreço e respeito por si.
O "recado", o único, é este. Nada na manga, meu caro, nada na manga.
De -pirata-vermelho- a 22 de Fevereiro de 2008 às 19:41
Defina 'pecado'
(Você é que lançou pr'aqui o conceito)
De Citadina a 25 de Fevereiro de 2008 às 10:12
Está definido (ou não leu até ao fim?):
Pecados: noções fantasiosas, relativas e profundamente questionáveis, que figuram numa espécie de lei que ninguém é obrigado a aceitar, mas nas cabeças iluminadas dessa gente, é como se fosse.
De -pirata-vermelho- a 25 de Fevereiro de 2008 às 13:22
Ah... desculp!
Pareceu-me que eram 'definidos por noções fantasiosas, relativas e profundamente questionáveis, (...)' e não eles próprios as ditas cujas.


P'arejar, hoje, oiça o 'Fausto' do Gounod, cantada pelo Franco Corelli e pelo Nicolai Ghyaurov (etiqueta Decca 465 035-2). Vai ver como se dissipam logo as veleidades...
De nnannarella a 25 de Fevereiro de 2008 às 18:13
Aplaudo de pé e peço cinquenta mil encores. :) É um "recado" que se adapta a muito boa gentinha. Tão simples quanto isso. Mas há sempre quem queira desvirtuar/driblar/complicar certas evidências com filosofias baratas... Para esses, aconselho a leitura do "Sermão de Santo António", proferido em São Luís do Maranhão, em 1654, também conhecido como "sermão aos peixes", publicado no Tomo VII dos Sermões do Padre António Vieira, em especial a parte que fala do "sal da terra".
Beijos saudosos.
De Citadina a 26 de Fevereiro de 2008 às 12:21
Ai, Nnanna , que saudades!! Saudades de tudo, tudo em ti, tudo de ti, e não só dos teus comentários, esses, não obstante, sempre sofisticados e oportunos (e tão elogiosos que me fazem corar).
Acontece que neste caso, o teu generoso conselho cai provavelmente em saco roto, dado que, normalmente, os visados "guardiões" estão demasiado ocupados a destilar veneno para terem tempo de ler/apreciar/interpretar livros.
Felizmente, e para nosso gáudio, alguns deles lêem blogs ;)
Beijos e abraços.
De Duca a 26 de Fevereiro de 2008 às 10:36
Pois eu aplaudo de pé, com oferenda de vários ramos de flores, a autora deste texto.

Só não entende o conteúdo do texto quem não quer ou, então, pura e simplesmente não o atinge.

Que belo recado Citadina e que a carapuça sirva a quem tem de servir.

O meu aplauso também para o comentário da nnannarella mas, sobretudo, para a dica que dá.

De Citadina a 26 de Fevereiro de 2008 às 12:40
Obrigada, querida Duca, eu não mereço tanta lisonja
Mas depois de tantos tiros ao lado, fico contente com a eficaz pontaria que imprimi a este
Beijo!

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