Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

Lesboa: após a consagração, que fazeis pela manutenção?



Estamos em mês de Lesboa Party. Para a VIII edição, a Entre Vírgulas, empresa organizadora do evento, escolheu o cartaz em cima reproduzido.

Não obstante existir uma espécie de ligação emocional generalizada ao Pavilhão de Exposições do Instituto Superior de Agronomia, acho positivo que a organização experimente novos espaços. Umas vezes sai-se melhor, outras pior, mas quand même, é bom e pedagógico variar. Desta vez propõe-se um espaço ultra avant-garde em conceito, mas que deixa algumas questões no ar sobre como responderá em termos de funcionalidade e conforto. A organização ainda não divulgou se haverá multibanco, quantas casas de banho estarão disponíveis e quantos bares, se haverá snacks à venda e se se acomodarão zonas sentadas suficientes, items que constituem os habituais calcanhares de Aquiles das edições anteriores. Esperemos para ver.

O elenco está a ser dissecado no blog da Lesboa, obviamente para promover uma escolha de ilustres desconhecidos, por muito que a organização o negue. No entanto, verdade seja dita, os "cabeças de cartaz" nunca foram um elemento determinante na afluência do público. As pessoas vão à Lesboa pelo conceito e não para ver o espectáculo de música ao vivo que vem por acréscimo na compra do bilhete. Nesse capítulo, já houve edições em que nomes sonantes foram uma estrondosa desilusão e já houve outras em que desconhecidos levaram o público ao rubro (não foi o caso da última edição, em Monsanto, onde uma banda brasileira fez esperar e desesperar até às 4 da manhã para se limitar a desiludir numa actuação medíocre e que, depois de tanta espera ansiosa, pareceu durar uns meros 10 minutos). De qualquer modo, se por um lado a animação é essencial num evento deste tipo, por outro as escolhas não têm sido determinantes nem aglutinadoras. Ou seja: se a organização pretende capitalizar a adesão por essa via, terá de fazer (bem) melhor.

A confiar nos números divulgados pela Entre Vírgulas (e eles lá devem saber quantos bilhetes vendem e quantas pessoas "carimbam" à entrada), os níveis de frequência, grosso modo, têm sido os seguintes:

Lesboa I (30 de Setembro de 2006, Gare Marítima de Alcântara): 1500 pessoas (eram esperadas 800);
Lesboa II (2 de dezmbro de 2006, Pavilhão de Exposições do ISA): 1200 pessoas;
Lesboa III (17 de Fevereiro de 2007, edição de Carnaval, Pavilhão de Exposições do ISA): 1700 pessoas;
Lesboa IV (5 de Maio de 2007, Armazém C2, Docas de Alcântara): 1600 pessoas;
Lesboa V (30 de Junho de 2007, Quinta Pau de Bandeira, Pragal, Almada):  900 pessoas;
Lesboa VI (28 de Setembro de 2007, comemoração do 1º aniversário da Lesboa, Pavilhão de Exposições do ISA): 1600 pessoas;
Lesboa VII (4 de Fevereiro de 2008, edição de Carnaval, Quinta de Casal de Paulos, Monsanto): 1100 pessoas.

Daqui podem tirar-se algumas ilações e reflexões:

Logo desde a primeira edição se constatou que há um espaço a explorar ao nível dos eventos (não políticos) dirigidos à comunidade lgbt em geral e às lésbicas em particular. Este aspecto é importante porque até dentro da comunidade lgbt as mulheres parecem estar remetidas para segundo plano em termos de opções (ou falta delas) sociais de lazer e convívio. Nesse aspecto, o nome do evento é dos mais bem conseguidos em várias décadas, a nível nacional e internacional.

Com a segunda edição veio a desmistificação do receio de "fenómeno isolado" e a consagração como evento de referência na comunidade lgbt. A Lesboa Party é, hoje me dia, a festa lgbt da cidade, sendo que este é um "trono" que traz responsabilidades.

A Lesboa conseguiu afirmar-se como um dos melhores (se não o melhor) programas de Carnaval na cidade de Lisboa, já com duas edições bem sucedidas (Lesboa III e Lesboa VII), ocupando hoje um espaço considerável nesse nicho que pelos vistos tem mercado para além dos tradicionais desfiles.

Lesboa Parties fora de Lisboa, como foi a edição V, em Almada, não parecem cativar a adesão do público. Eu pessoalmente não percebo porquê, até porque neste caso específico me constou que o local foi muito bem escolhido do ponto de vista da beleza, comodidade e adequação ao evento. Mas enfim, como anteriormente referi, há os factores emocionais a considerar e aqui terão sido eles a criar uma certa rejeição à ideia. Outro factor que pode ter vaticinado a menor frequência de sempre terá sido a (péssima) escolha da data, que coincidiu com o Europride 2007 em Madrid, provocando uma lamentável (e evitável) dispersão do público-alvo.

Sendo assim e no que toca à oitava edição, será maximizador da afluência fazer a festa no meio de um fim de semana prolongado? É o que veremos. Eu tenho as minhas dúvidas, sendo que não estamos exactamente no Carnaval e especialmente levando em conta a avidez por sol e mar com que muita gente anda. Eu diria que a escolha desta data comporta um risco desnecessário. Este tipo de erro, a comprovar-se, não será o primeiro pelo que deixa de ser aceitável e pode sair muito caro a uma marca que custou tanto a construir e é tão importante no panorama lgbt da cidade de Lisboa e do país.

Na tag "eventos" deste blog poderão encontrar tudo o que eu disse em posts passados sobre a Lesboa Party.

Buraco tapado por Citadina às 10:58
Link do post | Tapa também
6 comentários:
De A metade a 5 de Maio de 2008 às 13:57
Não sei o que fazer nem após a consagração, nem para a manutenção. Não conhecia o evento, nem sequer é uma questão de preconceito, que não tenho.
Para demonstra-lo e como sou um autentico "ideiaota" ocorreu-me uns nomes para locais de diversão ou eventos da comunidade GLBT:
- Casa do Gayato;
- Trans tejo;
- Bi-nómio; Bi-Polar etc,
;-) (sem ofensa a ninguém)
De Citadina a 7 de Maio de 2008 às 10:04
Sempre foste um rapaz muito criativo e mais uma vez se prova! :-) Os nomes são giros!
Numa futura edição da Lesboa convido-te para ires connosco, uma vez que a Lesboa é muito hetero friendly. (ainda não sabemos se vamos a esta, mas se formos... Já sabes! Vais ver que vais gostar).
Beijos!
(enviei-te um e-mail para o gmail...)
De Cosmopolita a 5 de Maio de 2008 às 14:00
Pois é. Acabaste de enumerar (quase) todas as deficiências que incomodam os frequentadores habituais. Vou dar algumas sugestões.

COMIDA E BEBIDA
Na última edição, as pessoas que estavam ao bar a servir, quando lhes pedimos algo para comer, fartaram-se de se queixar de que morriam de fome elas próprias e que nem sequer conseguiram que as pizzarias lhes fossem lá levar alguma coisa para trincar. Não custa nada ter cachorros, bifanas, sandes, croquettes, rissóis, batatas fritas de pacote, etc, a menos que o objectivo seja não aumentar o lucro ou fazer que as pessoas entrem em coma alcoólico ou que se vão embora para casa. Além disso, não custava nada ter pessoas que recolhessem os copos vazios ou então colocarem recipientes de lixo suficientes e assinalados para se lá deitaram os copos, garrafas, guardanapos, etc.
Além disso, podem alugar máquinas de gelo ou tê-lo em quantidade suficiente para não se beberem as bebidas quentes. E ter máquinas de café para quem gosta/precisa de o beber para aguentar a noitada.

CASAS DE BANHO
Tendo em conta os nímeros divulgados pela organização, não é difícil fazer as contas e ter um nº suficiente de WCs, mais a quantidade necessária de papel higiénico, toalhas de papel e alguém que, regularmente, esvazie os cestos do lixo para não ser uma bandalheira.

MÚSICA
A maior parte das vezes a música não dá para dançar. Não sei qual o intuito dos DJs escolhidos, pois se não se dança ao menos conversa-se, mas uma e outra coisa são impossibilitadas pelo nível do som e/ou tipo de música escolhida. Além de que , de facto, as bandas têm actuado pouco e a desoras, sem nenhum respeito pelos clientes.

ZONAS SENTADAS
Há duas ou 3 zonas com dois ou três assentos para as 1000 e tal pessoas que lá vão. Dado que não se consegue dançar nem conversar, seria mais que justo que se aumentasse o nº de zonas e de assentos.

ZONAS DE FUMO
Na última edição, apesar do frio, os fumadores e amigos(as) estavam todos de pé ao relento e lá ficaram pela maior parte da noite. Sem cinzeiros nem nenhum sítio onde deitar beatas. Também podiam ter 2 ou 3 máquinas de venda de tabaco para se evitar estar a cravar os amigos a partir de certa altura da noite. Até quando esta descriminação para com os fumadores?

LIXO
Uma das coisas que mais me choca é a falta de civismo dos frequentadores destes eventos, das praias e de outros locais colectivos. Podiam pôr-se cartazes a apelar ao civismo das pessoas e, simultaneamente, como disse atrás, ter locais assinalados, cinzeiros, etc, para evitar o aspecto imundo e desolador com que ficam estes locias lá para o meio da noite.
De Citadina a 7 de Maio de 2008 às 10:07
Ainda bem que falas nas questões de recolha de) lixo, asseio, etc. Em algumas edições isso foi completamente relegado para 2º plano, e é ultra-desagradável!
De x-pressiongirl a 12 de Agosto de 2008 às 22:55
Concordo em absoluto com as observações, Cosmopolita. Penso que é uma crítica totalmente construtiva já que a par das observações são apontadas alternativas.
saudações x-pressivas,

x-pressiongirl
De Cosmopolita a 18 de Agosto de 2008 às 18:06
Obrigada x-pressiongirl. Gosto de críticas construtivas, já que as outras de pouco servem. Oxalá a organização da próxima Lesboa as tenha em conta desta vez!

Passa sempre.

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