Terça-feira, 15 de Julho de 2008

1990

Esse é o ano que divide hoje a minha vida ao meio. Pequeno riddle matemático à parte, lembrei-me dele por causa do dia quente que está e porque não tinha consciência, nesse Verão, de que iria ser o último daquela espécie. A espécie de Verões cujos três meses se passam integramente em férias.

Agora olho da janela do meu escritório para o azul cálido do céu e constato que aquela memória sensitiva da atmosfera estival é apenas isso, um marco no tempo, uma saudade em total desarmonia com o desconforto que me provoca o frio do ar condicionado aqui dentro.

Isso ficou para trás. É definitivo. Isso e várias outras sensações, outros confortos alheados. A partir de 1990 a minha vida complicou-se consideravelmente em mais do que um aspecto. 1990 é o ano em que me tornei imputável por uma data de coisas. E foi o último Verão em que experimentei a sensação magnífica de não ter de fazer um corno estando a não fazer um corno, não me sentindo minimamente culpada por não fazer um corno e mesmo sem me ocorrerem quaisquer pensamentos angustiados sobre o que deveria estar a fazer em vez de não estar a fazer um corno. Isso acabou, e a prova irrefutável é que o telefone em cima da minha secretária, em plena silly season, não pára de tocar.

Buraco tapado por Citadina às 11:55
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4 comentários:
De Observador a 15 de Julho de 2008 às 23:01
Como eu gostava de poder dizer: porra, não faço um corno".

Podes explicar a chave do sucesso ou nem por isso?

Bj
De Citadina a 17 de Julho de 2008 às 10:19
Foi há muito tempo, foi um momento no tempo, já nem me lembro bem como foi... O sucesso foi obra do acaso, não minha.
De nnannarella a 16 de Julho de 2008 às 09:15
ai ai ... estou a vislumbrar aqui uma ponto de um corno da nostálgica melancolia a avançar inexoravelmente ??? Isso só pode ser consequência do ar condicionado que, emprestando um ambiente outonal ao teu habitat, te contamina a ialma com aqueles estados de espírito próprios do equinócio setembrino ... :) Vá... beijinhos consoladores.
De Citadina a 17 de Julho de 2008 às 10:23
Ah, os beijinhos souberam muito bem!
Mas sim, o tempo é uma váriável por vezes demasiado dinâmica, não é?
Nos dias que correm avança depressa demais, há que fazê-lo abrandar um pouco nem que seja à custa da reconstrução do passado.
Beijo grande, abraço, saudades de dois dedos de conversa.
(Espero que estejas melhor da constipação!)

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