Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

Foi Há 20 anos

 

 

Nesse dia acordei às duas da tarde, quando a minha mãe chegou a casa do trabalho. Estava de férias e tinha dezasseis anos. Ela disse-me o que tinha acontecido. Fiquei ali especada, de pijama, a tentar absorver a notícia. Tinha passado esse ano escolar de 87/88 a apaixonar-me por Lisboa, a explorá-la. Lisboa foi a primeira cidade que identifiquei como minha porque ninguém ma impôs como tal, eu é que a quis. Não a herdei, ela não é a cidade dos meus pais. Não nasci cá, mas passei aqui a maior parte da minha vida. Ninguém me levou pela mão a conhecê-la. Fui eu que fiz isso sozinha, quando tinha quinze anos e saí de uma escola dos subúrbios para frequentar o Liceu Pedro Nunes.

Naquele dia de Agosto de 1988, ao ver pela televisão a Baixa ardida, mirrada, destruída, experimentei, chocada, uma nova noção de perda, a perda de identidade cultural.

Buraco tapado por Citadina às 11:42
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2 comentários:
De A METADE a 26 de Agosto de 2008 às 17:43
Há vinte anos também tinha 16 anos. Falava-se de um incêndio que tinha havido em Lisboa. A TV passou durante essa semana imagens do fogo do pós-fogo, das causas, das consequências, enfim da ferida aberta no coração da cidade. Lembro-me de numa noite, meses mais tarde, ter ido ao Ritz-Club ver um espectáculo (O baile com a M. Céu Guerra), descer a avenida e olhar ao longe o que restava. Entaipado. Negro. O cenário provocava a sensação de um cemitério ou algo terrifico.
Mais tarde vim a conhecer melhor a cidade que lá foi renascendo melhor ou pior. Também passou a ser um pouco minha. Lisboa a cidade Bela. Do norte ao sul, para quê confusão? É sempre nossa!
De Poppie a 29 de Agosto de 2008 às 00:32
Tinha dez anos quando aconteceu. Não vivia em Lisboa e não tenho recordações do Chiado de antigamente. Estava de férias e lembro-me de ver na TV as reportagens sobre o incêndio. Quando vim para Lisboa, nove/dez anos mais tarde, encontrei um Chiado quase reconstruído, mas muito, muito apagado de gente. Desde há cerca de seis anos a zona ganhou um novo fôlego… pelo menos durante o dia. De noite só acima da Brasileira as coisas fervilham. Mas ainda hoje passei pelos recentes prédios ardidos da Av. da Liberdade, ainda a cheirarem a queimado e, me entristeceu ver como o património da cidade é deixado ao abandono. Já por aqui ando há dez anos e a cidade já é um pouquinho minha… ou eu dela.

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