Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

Natal, essa coisa linda

Estar cansada é normal. Estar farta, sem ânimo para pensar e sem genica para agir, também. A vida atira-nos para estes estádios ciclicamente. Mas é no meio deles que se deve resistir estoicamente à tentação de afundar a cabeça na areia para não ver, não ler e não sentir. Isto não é sobre o BPN, é sobre o Natal.

Portanto, já que ele está aí em todas as montras, rádios e televisões, o que eu tenho a dizer é que eu por acaso até odeio a merda do Natal.

Quer dizer, odiava, porque me stressava muito, havia muita discussão à mesa por causa do bacalhau já lá chegar frio, enfim, fazia-me muita confusão, punha-me muito tonta.

Isto para não falar das cabronazinhas das outras meninas da escola que me atribuíram durante anos a fio o papel de bruxa má na peça de teatro natalícia por não comprar presentes a ninguém da minha família, que vejamos, se restringia aos meus pais, à minha avó e à minha irmã, mas nem assim eu conseguia ter rendimentos que me permitissem a despesa, ao passo que elas conseguiam chegar a oferendas para primos de quinto grau (que eu nem tenho). Não sei como as gajas amealhavam tanto dinheiro, mas desconfio.

O caso é que os meus pais me garantiram que no campo das trocas comerciais os pais é que  compram prendas aos filhos, pelo menos enquanto eles ainda são crianças, porque é muito feio subsidiar a exploração do trabalho infantil, e eu acreditei.

Refeita de traumas vários ao longo da vida, uns causados por colegas de escola e outros por aliens, mas quase todos relacionados com o Natal, hoje em dia praticamente já só o odeio nas estradas de Portugal e nos centros comerciais, ambos os locais cheios de bêbados psicopatas desde fins de Outubro a meados de Janeiro. O que significa que posso largar a psicoterapia.

Prova irrefutável é que começo já a falar (mais ou menos bem) do Natal ao dia 10 de Novembro que é para não levar com aqueles olhares de lado que significam "esquisita!..." só por eu ter grande resistência ao vírus do consumismo e pôr em causa as pretensas boas intenções da histeria colectiva.

Buraco tapado por Citadina às 15:03
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3 comentários:
De tangas a 12 de Novembro de 2008 às 11:16
boa altura para refazer a sua comemoração natalícia. eu já desisti de participar da maneira convencional. esforço-me, todos os anos, por contribuir com qualquer coisa que ache mais adequada às minhas expectativas emocionais da quadra. por que não faz o mesmo? essa coisa das compras para todo o gato-sapato já não tem que ver com nada...
De Citadina a 12 de Novembro de 2008 às 12:59
Olha, outra blasfema! Ainda bem que é assim, caríssima Tangas, dado que a solidão é uma coisa muito triste.
Vou seguir o seu conselho, e se me tentarem encerrar no Júlio de Matos ou mesmo queimar na fogueira da Inquisição, eu digo que a culpa é sua.
De tangas a 29 de Novembro de 2008 às 00:09
faça o favor, menina citadina, por quem é...
venha de lá o auto de fé ;)

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