Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010

Sem tirar nem pôr, como diz a minha mãe

"Perguntam-me se já me enganei «completamente» acerca de alguém. Tento encontrar uma resposta. Tive algumas grandes decepções, é verdade. E sempre com pessoas competitivas, cínicas e agressivas. Mas nunca ignorei que fossem competitivas, cínicas e agressivas; não estava completamente enganado. Achei foi que essas pessoas não seriam competitivas, cínicas e agressivas comigo. Não me enganei acerca da natureza delas, enganei-me acerca da natureza."

Pedro Mexia no seu melhor.

 

Buraco tapado por Citadina às 11:30
Link do post | Tapa também | Ver comentários (6)
Quinta-feira, 27 de Maio de 2010

Dois pesos e duas medidas (2)

Que me perdoe o Eduardo por lhe roubar o tema desta citação, mas é por uma boa causa. A de ilustrar, mais uma vez, a aplicação prática do princípio de dois pesos e duas medidas em Portugal.

 

O colarinho branco e a canja da ralé, por José Vítor Malheiros (excertos)

 

1. Quando alguém mete ao bolso uma coisa que não lhe pertence dizemos que a roubou. Mas há justificações para meter coisas ao bolso. E diferentes nomes para usar nas várias circunstâncias, conforme o estatuto social e político dos autores. Uma senhora bem vestida que meta na carteira um perfume, numa loja elegante, distraiu-se - e um engano toda a gente tem. Uma mulher que o faça num supermercado suburbano comete um furto que a sociedade não pode permitir. E um banqueiro que esconda num offshore os milhões que ganhou por vender títulos tóxicos aos incautos clientes é um pilar da sociedade que contribui para o desenvolvimento económico. Esta é a base da sociedade e querer subvertê-la é fomentar o caos e a anarquia. E o sistema judicial existe para garantir a sua subsistência.

 

Quando um deputado rouba alguma coisa também não se trata exactamente de roubo-roubo, como se fosse um maltrapilho qualquer. Pode dizer-se que o deputado se apropriou, tirou ou "roubou" e "furtou", mas entre aspas.

 

2. As medidas de contenção das prestações sociais recentemente apresentadas pelo Governo no âmbito do PEC têm de ser lidas à luz da mesma lógica, que distribui direitos e deveres de acordo com os méritos das pessoas: seria impensável pedir a pessoas de posses, a pessoas de qualidade, a pessoas daquelas de que o país não pode prescindir, que pagassem a crise provocada pelos actos de contabilidade criativa que os corretores e os banqueiros fizeram nos últimos anos e pelos buracos orçamentais criados para colmatar os défices dos bancos. Como o seria combater a fuga de capitais para os paraísos fiscais, ou a fuga ao fisco de pessoas que não sejam trabalhadores por conta de outrem. Tratar-se-ia de uma violência psicológica insuportável.

 

Os pobres já estão habituados a poupar e a apertar o cinto e quase não vão notar a diferença. Os ricos não o sabem fazer. Fá-lo-iam mal. Os desempregados, os recipientes do rendimento mínimo, os trabalhadores precários são peritos na arte de rapar o tacho. Fazem-no há anos, há gerações, há séculos. E atingiram uma eficiência que um banqueiro nunca conseguiria. E, em alturas de crise, temos de apostar na eficiência, temos de entregar a cada um as tarefas que melhor desempenham. Alguém pensa que um gestor de uma grande empresa poderia viver com 1000 euros? Nem vale a pena tentar. Um pobre consegue alimentar uma família de seis com 800 euros. Sabe fazer canja de miúdos de frango e um guisado com um osso de vaca, sabe quais são os medicamentos da receita que não precisa de aviar, conhece as lojas onde pode comprar sapatos e sabe remendar a roupa. Ninguém o faz tão bem como os pobres. É o talento da ralé. Por que se há-de tentar que sejam os ricos a pagar mais impostos e a gastar menos?

Buraco tapado por Cosmopolita às 13:10
Link do post | Tapa também | Ver comentários (3)
Quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

A não perder

Sobre a amizade.

Como dizia o outro, é triste mas é verídico.

E mais:

Buraco tapado por Citadina às 13:43
Link do post | Tapa também | Ver comentários (3)
Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

Quer-se rir?

Leia isto.

Buraco tapado por Citadina às 14:25
Link do post | Tapa também | Ver comentários (1)
Terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Eina, eina! Que fantástico incentivo para ser o melhor licenciado!

Hoje, no Diário Económico (Caderno "Universidades", página VI):

 

""No âmbito do nosso programa "Ready For The Next Level", a maioria das contratações são feitas procurando os melhores finalistas dos cursos de Engenharia Informática.", explica Miguel Lopes, vice-presidente de marketing e gestão de produto da Altitude Software (...)".

 

E depois o jornal esclarece, em destaque:

 

"O salário para estagiários da Altitude Software oscila entre os 500 e os 700 euros, dependendo de se vão trabalhar para fora de Portugal".

Buraco tapado por Citadina às 12:50
Link do post | Tapa também | Ver comentários (7)
Sábado, 8 de Agosto de 2009

Grandes momentos televisivos silly season 2009

Interrompo as minhas férias de blog para escrever este post na necessidade de registar a primeira vez que o Rui Reininho me fez rir à gargalhada (sem ser das letras das canções dele) quando confessou, num programa televisivo chamado "Dá-me música" (nem vou explicar porque é que estou a ver isto, para quê, estou de férias, posso tudo), que durante anos pensou que  aquele verso da letra dos Xutos e Pontapés "um pouco de fé" era "um porco de pé".

Faz sentido (desta vez não só para ele).

 

A carga pronta metida nos contentores
Adeus aos meus amores que me vou
P'ra outro mundo
É uma escolha que se faz
O passado foi lá atrás

(...)

É a escolha que se faz
O passado foi lá atrás
E nasce de novo o dia
Nesta nave de Noé
Um pouco de fé.

Buraco tapado por Citadina às 22:34
Link do post | Tapa também | Ver comentários (3)
Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Mas porquê as mães, sempre as mães?!

Além disso, eu também não compreendo o constante recorrer à ascendência feminina directa para insultar alguém.

 

Ontem houve uma manifestação de cerca de 200 estivadores em frente à Assembleia da República. Dispararam petardos, acenderam tochas e trouxeram coletes reflectores que diziam “Don’t fuck my job”. As palavras de ordem foram assim, como hei-de dizer... Um bocadinho fortes, digamos: “Sócrates, escuta! És um filho da %&$#.”

Buraco tapado por Citadina às 12:38
Link do post | Tapa também | Ver comentários (4)
Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Sabedoria

Todos os dias aprendo alguma coisa de novo nos pacotes de açúcar que vêm com o café. Gosto destas duas citações em particular

 

"When you forgive someone, the knots are untied and the past is released."

Reshad Field

 

"Use no hurtful deceit; think innocently and justly and, if you speak, speak accordingly."

Benjamin Franklin

 

Buraco tapado por Cosmopolita às 08:40
Link do post | Tapa também
Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

A verdadeira abertura de espírito*

"Parece ser uma experiência extremamente comum entre pessoas que não acreditam em certos conceitos não-científicos, ouvirem daqueles que acreditam que devem ter mais abertura de espírito.

Este conselho é tipicamente baseado em raciocínios altamente imperfeitos e numa compreensão defeituosa do que ter abertura de espírito significa.

De facto, ter abertura de espírito apenas significa estar disponível para considerar novas ideias.

A ciência promove - e lidera em - abertura de espírito porque o avanço da nossa compreensão sobre a realidade na qual existimos depende de estarmos disponíveis para considerar novas ideias.

De facto, a descoberta cientifica exige amiúde novas formas de pensar.

No entanto, acreditar em certos conceitos não-científicos não faz de alguém automaticamente uma pessoa com abertura de espírito e muitas vezes significa que a pessoa é exactamente o oposto [de um espírito aberto]."

 

Aqui está o mote para reflexão. Consiste na tradução (minha) da primeira parte do vídeo em baixo, infelizmente só disponível em inglês. Para quem é verdadeiramente "open-minded" este vídeo é pura e simplesmente imperdível. Querid@ leitor@, teste a sua abertura de espírito, assistindo ao mesmo. Se quiser comentar, comente, será interessante de certeza.

 

 

* Este post foi inspirado neste, da Palmira F. Silva, uma pessoa que leio diariamente nesta dimensão que é a blogosfera e que demonstra constantemente possuir um espírito verdadeiramente aberto.

Buraco tapado por Citadina às 12:46
Link do post | Tapa também | Ver comentários (2)
Terça-feira, 14 de Abril de 2009

Mínimas do Bandeira

Para reflectir, para que conste, para não esquecer, não perder de vista, não tirar da ideia:


"Alguns sucessos são apenas fracassos vivendo acima das suas possibilidades."

 

Se ao menos a consciência do facto atingisse mais intelectos, oh, se ao menos! Aí sim, teríamos provas irrefutáveis de evolução civilizacional, para já não falar no saudável e tão urgente decréscimo da hipocrisia. Optimismo não me falta, eu sei.

Buraco tapado por Citadina às 13:09
Link do post | Tapa também | Ver comentários (2)
Terça-feira, 3 de Março de 2009

Insones, de José Mário Silva

O José Mário Silva escreveu um poema sobre mim (ele não sabe, mas ele não tem de saber tudo) e isso não pode passar em branco neste blog (na verdade, há um ano ou dois que ando melhorzinha mas suspeito, a avaliar pelas últimas noites, que o problema está de volta).

 

insones

Fumam à janela, o vento frio
desfaz o fumo, os dedos tremem.
Não sabem uns dos outros,
espalhados pela cidade, mas
procuram as luzes ainda acesas
noutras casas. Noite dentro,
o silêncio dos que dormem
é uma afronta, desleixo pueril
de quem consegue ignorar
as facadas do tempo, a areia
entre os dedos, o sobressalto.

 

José Mário Silva, in luz indecisa, Oceanos, 2009, em breve numa livraria perto de si.

Buraco tapado por Citadina às 12:36
Link do post | Tapa também
Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

Twittopost

O Carnaval vale a pena nem que seja só para ouvir os madeirenses dizer que vão "desfilhar" para a avenida.

Buraco tapado por Citadina às 16:19
Link do post | Tapa também | Ver comentários (2)
Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009

Casar com muçulmanos

Sem mais hipocrisias, eu até acho que entendo onde o Cardeal Patriarca de Lisboa queria chegar quando afirmou que casar com muçulmanos "é meter-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam".

O que ele se esqueceu de dizer foi que não é preciso casar com um muçulmano para uma mulher ser maltratada. Basta casar com certos portugueses, a maioria deles mui católicos até.

Buraco tapado por Citadina às 16:36
Link do post | Tapa também | Ver comentários (10)
Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009

Um 2009 assim

É o que eu vos desejo. Com este espírito.

 

 

(via Os Tempos que Correm).

Buraco tapado por Citadina às 10:58
Link do post | Tapa também | Ver comentários (6)
Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

Conversas educativas com o senhor meu pai

Eu: - Então, já compraste a prenda?

Pai: - Não, mas já fui ver, amanhã trato disso. E tu, por onde andas?

- Estou no Metro, saí agora do yoga e vou para casa.

- Yoga?! Tu andas no yoga?

- Ando... Faz-me bem à asma.

- Sim, mas tem cuidado com isso, não vás ficar doida.

Buraco tapado por Citadina às 16:39
Link do post | Tapa também | Ver comentários (1)
Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

Do ensino da economia ou As vitórias do psiquiatra

"A teoria económica dominante é profundamente insensível à realidade. Constitui, em geral, uma abstracção desatenta e trata os acontecimentos difíceis como um problema que não é dela."

 

Na altura já estava convencida, mas tinha sincera vergonha, esta decorrente de ter sido sempre a melhor aluna de todos os cursos e escolas por  onde passei, à excepção - lá está - da licenciatura em economia, de que o problema não era tão meu como deles, dos professores e dos programas.

Hoje, ultrapassada a tristeza, a frustração e o pudor, comprovo com um certo  gozo que, se fui uma aluna medíocre e desmotivada na faculdade, foi por ter alguma consciência da realidade, o que me impediu de participar naquela alucinação colectiva que consistia em ver o mundo à luz de efabulações teóricas mais ou menos ridículas. Agora chamem-me burra.

 

Ler aqui e aqui os fundamentos deste post.

 

ADENDA:

Aqui uma opinião consonante.

 

Buraco tapado por Citadina às 15:28
Link do post | Tapa também | Ver comentários (7)
Terça-feira, 7 de Outubro de 2008

Casamento homossexual e bom senso

A propósito do casamento homossexual vale a pena ler estes dois artigos: Um amor como o nosso, de Rui Tavares  e Os casamenteiros de Luis Grave Rodrigues.

 

Do primeiro cito:

"Note-se que para mim este é um direito que as pessoas têm. Nós limitamo-nos a reconhecê-lo. Não podemos dar às pessoas os direitos que já são delas.

(...) e duas pessoas adultas e livres se amam, não me cabe a mim decidir se podem ou não casar-se. E vejo com muito maus olhos que alguém queira tomar essa decisão em nome delas, em meu nome, ou em nome do estado.

(...)

Perguntam-me se eu sou a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Respondo que a pergunta está mal feita: não me passa sequer pela cabeça como poderia ser contra. Como poderia eu defender que um cidadão como eu não tem os mesmo direitos que eu? Que aquele amor não é amor? Que aquela família não é família? Que a liberdade deles não é liberdade, mas uma coisa amputada?"

 

Do segundo evidencio:

"(...) muitas pessoas estão convencidas que o primeiro artigo da Constituição para que devemos olhar quando falamos de casamento homossexual é o artigo 13º nº 2, que proíbe a discriminação em razão da orientação sexual. Não: esse será o segundo artigo a ler.
Porque o primeiro artigo a ter em linha de conta é o artigo 36º da Constituição, que estabelece a garantia dos direitos dos cidadãos a constituir família, a contrair casamento e a ter filhos, em condições de plena igualdade.

Ora, trata-se aqui de três direitos distintos e concedidos separadamente, embora o sejam na mesma norma constitucional.
Alguém duvidará então, do direito à constituição de uma família homossexual?
Alguém duvidará de que o direito à filiação não exclui os homossexuais?
Se uma família heterossexual tem a opção de transformar a sua união numa realidade dotada de juridicidade, celebrando um contrato civil chamado casamento, por que motivo se recusa tal opção a uma família homossexual?
Será em razão da sua orientação sexual?
Mas isso não contraria o tal artigo 13º da Constituição, que proíbe a discriminação em razão dessa mesma orientação sexual?
Criar uma realidade jurídica "ao lado" é reconhecer expressamente tanto a necessidade dos homossexuais no acesso ao casamento como a sua óbvia discriminação nesse acesso, mas criando-lhes "qualquer coisa ali ao lado" que tenha o mesmíssimo efeito, mas que não "conspurque" nem afronte "as entidades originais do corpo social que desde sempre tem constituído a base das civilizações".
 

Penso que em termos morais e jurídicos está tudo dito aqui. Pena que o oportunismo político do PS, e não de Os Verdes ou do Bloco de Esquerda, os faça ter uma posição conservadora, retrógrada e hipócrita.

Buraco tapado por Cosmopolita às 15:02
Link do post | Tapa também | Ver comentários (4)
Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

Crise do subprime para leigo entender

Como só os brasileiros sabem fazer:

 

"Para quem não entendeu ou não sabe bem o que é ou gerou a crise americana, segue breve relato econômico para leigo entender...
É assim:
O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça "na caderneta" aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados. Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobre preço que os pinguços pagam pelo crédito).

O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento, tendo o pindura dos pinguços como garantia.

Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.

Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu).

Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.

Até que alguém descobre que os bêbados da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência. E toda a cadeia sifudeu !

Viu... é muito simples...!!!"

 

(Via e-mail)

 

Buraco tapado por Citadina às 10:43
Link do post | Tapa também | Ver comentários (4)
Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

So what?...

Líder da JSD alerta que casamento entre homossexuais «abre a porta à adopção»

Buraco tapado por Citadina às 17:33
Link do post | Tapa também | Ver comentários (3)
Terça-feira, 24 de Junho de 2008

Da série Homens sobre-humanos

 

Tagore, dramaturgo, poeta e filósofo indiano, foi o primeiro asiático a receber o Prémio Nobel da Literatura em 1913. Este homem notável que disse "Há triunfos que só se obtêm pelo preço da alma, mas a alma é mais preciosa que qualquer triunfo", renunciou em 1919 ao título de Sir em protesto contra a política britânica em relação ao Punjab.

 

"Quando eu estiver contigo no fim do dia, poderás ver as minhas cicatrizes, e então saberás que eu me feri e também me curei".

 

Tempo de Partir

É hora de partir, meus irmãos, minhas irmãs.
Eu já devolvi as chaves da minha porta
E desisto de qualquer direito à minha casa.
Fomos vizinhos durante muito tempo
E recebi mais do que pude dar.
Agora vai raiando o dia
E a lâmpada que iluminava o meu canto escuro
Apagou-se.
Veio a intimação e estou pronto para a minha jornada.
Não indaguem sobre o que levo comigo.
Sigo de mãos vazias e o coração confiante.

 

A Flor de Lótus

No dia em que a flor de lótus desabrochou
A minha mente vagava, e eu não a percebi.
Minha cesta estava vazia e a flor ficou esquecida.
Somente agora e novamente, uma tristeza caiu sobre mim.
Acordei do meu sonho sentindo o doce rastro
De um perfume no vento sul.
Essa vaga doçura fez o meu coração doer de saudade.
Pareceu-me ser o sopro ardente no verão, procurando completar-se.
Eu não sabia então que a flor estava tão perto de mim
Que ela era minha, e que essa perfeita doçura
Tinha desabrochado no fundo do meu coração...

 

Se não falas
Se não falas, vou encher o meu coração
Com o teu silêncio, e aguentá-lo.
Ficarei quieto, esperando, como a noite
Em sua vigília estrelada,
Com a cabeça pacientemente inclinada.

A manhã certamente virá,
A escuridão se dissipará, e a tua voz
Se derramará em torrentes douradas por todo o céu.

Então as tuas palavras voarão
Em canções de cada ninho dos meus pássaros,
E as tuas melodias brotarão
Em flores por todos os recantos da minha floresta.

Buraco tapado por Cosmopolita às 14:13
Link do post | Tapa também | Ver comentários (1)

Dezembro 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
16
17
18
19
20
25
26
27

Posts por autora

Pesquisa no blog

Subscrever feeds

Outras ruas

Arquivo

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Tags

a vida dos outros(31)

açores e madeira(7)

ambiente e oceanos(21)

aniversários(19)

artes(6)

autarquias(12)

auto-recriações(24)

autores(7)

bem-estar(11)

blogs(73)

capitalismo(8)

catástrofes(4)

charlatonices(2)

cidadania(14)

ciências(3)

cinema(18)

citações(38)

clima(7)

condomínio(2)

curiosidades(26)

democracia(32)

desemprego(13)

desporto(22)

dilectos comentadores(5)

direitos humanos(11)

direitos liberdades e garantias(39)

e-mail e internet(6)

economia(27)

educação(8)

eleições(14)

emigração(5)

empresas(3)

estados de espírito(60)

europa(2)

eventos(33)

excertos da memória(24)

fascismo(9)

férias(25)

festividades(29)

fotografia(12)

gatos(10)

gestão do blog(15)

gourmet(3)

grandes tentações(11)

hipocrisia(3)

homens(6)

homofobia(17)

humanidade(8)

humor(24)

igualdade(20)

impostos(5)

infância(7)

insónia(6)

int(r)agável(25)

intimismos(38)

ivg(17)

justiça(17)

legislação(17)

lgbt(71)

liberdade de expressão(13)

língua portuguesa(7)

lisboa(27)

livros e literatura(21)

machismo(3)

mau gosto(8)

media(3)

mulheres(17)

música(35)

noite(5)

notícias(22)

óbitos(5)

países estrangeiros(19)

personalidades(9)

pesadelos(5)

petróleo(4)

poesia(9)

política(86)

política internacional(30)

por qué no te callas?(9)

portugal(31)

publicações(6)

publicidade(9)

quizes(8)

redes sociais virtuais(9)

reflexões(58)

religião(19)

saúde(6)

ser-se humano(15)

sexualidade(9)

sinais dos tempos(8)

sociedade(45)

sonhos(6)

televisão(23)

terrorismo(4)

trabalho(20)

transportes(7)

viagens(19)

vícios(13)

vida conjugal(17)

violência(4)

todas as tags

Contadores

Quem nos cita