Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

Acta da reunião da Assembleia Geral Ordinária do condomínio

Aos quinze dias do mês de Janeiro do ano de dois mil e nove, pelas vinte horas e trinta minutos, teve lugar a reunião da Assembleia Geral Ordinária do condomínio.

Reunidos os coirões suficientes para se poder deliberar, foi declarado aberto o circo.

O ponto um da ordem de trabalhos, "aprovação do relatório e contas do exercício de dois mil e oito", demorou três horas e quarenta e sete minutos a ser esmiuçado, discutido até ao limite da paranóia, contestado com tiques autoritários e ameaças várias a todos os condóminos que não pagam as quotas há mais de seis meses, sendo nenhum deles estava presente, como é natural, para, por fim, o documento ser aprovado por unanimidade.

À meia-noite foi então possível passar ao ponto dois da ordem de trabalhos, "eleição da nova administração".

A empresa de gestão de condomínios, na esperança de conseguir conter a agressividade passiva que se fazia sentir na sala, tentou eleger-se a si própria, sem sucesso, que para aquelas bestas é melhor uma boa contenda que um mau acordo.

A eleição, acto que pressupõe a existência de candidatos por livre vontade, foi rapidamente transformada em nomeação pela força, calhando ao quinto andar, que era o que tinha menos tropas na sala para se defender.

Nesta altura, a administração cessante abandonou a sala, rindo-se e festejando.

Lá pela uma da manhã iniciou-se a "discussão e votação do orçamento para 2009", terceiro ponto da ordem de trabalhos, que foi aprovado por maioria com alguns votos contra alegando que o documento assentava em "futurologia delirante".

Estranhamente, quando se chegou ao quarto e último ponto, "discussão de outros assuntos de interesse comum", todo o fulgor argumentativo-conflituoso se tinha esgotado e ninguém falou, pelo que se deu por concluída a reunião.

Eram duas da manhã e o ódio cansa. 

Buraco tapado por Citadina às 15:04
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Terça-feira, 15 de Abril de 2008

Enganada

No intuito de evitar outra gracinha como a que me fizeram os meus queridos vizinhos há três anos, quando me elegeram administradora do condomínio sem o meu voto, concordância, ou sequer presença, e com o peso do frete nos passos, lá me arrastei para fora do conforto do lar, tentando discernir algum aspecto positivo em não ir falhar a quarta reunião consecutiva de condóminos, já que os gajos fizeram o favor de acertar nas minhas férias "lá fora" nos três anos anteriores.

A sala de reuniões do condomínio, que, com muita lógica e sapiência, fica paredes meias com a casa do lixo,  estava decorada com as cadeiras da pastelaria do lado. Forcei um ar muito interessado nos primeiros minutos, enquanto comia chocolate com 72% de cacau para não adormecer, até alguém informar o senhor sentado à minha direita que esta era apenas uma reunião "informal, de preparação para a Assembleia Geral" e que não tinham mencionado isso explicitamente na convocatória porque consideravam muito importante contar com a presença de todos para o que ali se ia discutir.

Eu repito: os gajos fazem reuniões de condomínio "informais", assim, só por desporto, para daqui a duas semanas levarmos com a verdadeira estucha, mas já irmos preparados!

O resto do tempo limitei-me a sorrir a todos fingindo que estava a ouvir perfeitamente o que cada um gritava do outro lado da sala numa frenética tentativa gesticulante de canalizarem as atenções para si próprios em detrimento de qualquer dos outros que gritavam ao mesmo tempo sobre outro assunto qualquer.

E ninguém falava da bomba. Da porra da bomba de água, que era a única coisa que me interessava. Quando me apercebi que o senhor ao meu lado já tinha recuperado do choque decorrente do anúncio da "informalidade" e já conseguia fazer o mesmo ar beatífico que eu, perguntei-lhe se ele ultimamente não tinha problemas com a pressão da água, ao que ele respondeu, pondo-se de pé e berrando: "-TENHO, TENHO!!! ISTO É URGENTE, MEUS SENHORES, EU JÁ QUASE NÃO CONSIGO TOMAR BANHO!!", o que teve o efeito positivo de calar toda a gente mas a consequência algo adversa de gerar uma tarefa conjunta que consistia em fazer uma lista exaustiva de todos os problemas que cada condómino entendia serem da responsabilidade do construtor para serem discutidos um a um na Assembleia Geral, "A Verdadeira".

E pronto, com toda a gente arrasada pela perspectiva de uma próxima reunião assim dentro de quinze dias, a actual administração deu por encerrado o deveras psicótico convívio "de preparação" e contribuiu decerto para o aumento exponencial do consumo de ansiolíticos nas próximas duas semanas.

Buraco tapado por Citadina às 14:43
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