Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

A silly season para mim já começou

As pessoas, muito contrariadas pela avaria, fulminaram-me com o olhar quando soltei uma gargalhada infantil ao ouvir o motorista dizer pelo altifalante: "É favor evacuar para fora do autocarro."

Buraco tapado por Citadina às 18:13
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Quarta-feira, 30 de Julho de 2008

Heróis do mar, porco povo

 

 

 

 

Buraco tapado por Citadina às 23:04
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Sexta-feira, 11 de Julho de 2008

Da série Acabados de cair de uma árvore

Há gente que age como se tivesse acabado de chegar directamente da selva mais profunda ao meio da civilização, onde então se encontra pela primeira vez.

É o caso das pessoas que abrem carreiros na relva de um jardim público para - atenção, vejam bem a grande espertice e a poupança de tempo infinita - andar menos 10 metros.

Em vez de irem dar a volta pelo caminho feito de propósito para as pessoas, não, qual quê, isso é muito longe e dá muito trabalho, portanto seguem sempre a direito, como bois.

E assim esventram um relvado, cortando-o ao meio e deixando-lhe uma horrorosa cicatriz feita de terra, pó e, muitas vezes, lixo.

Uau. É o único vocábulo que me ocorre dizer que não é considerado ordinário.

Essa gente devassa o bem público com método e perseverança até que esteja tudo com um aspecto nojento.

Possuem aquela mentalidade protozoária que lhes repete ideiazinhas limitadas como "não é meu, não faz mal estragar". Na sua condição de amibas, não alcançam compreender que por acaso aquilo até é deles, e por acaso até pagaram para ter aquele bem. Foi um pagamento indirecto, mas saiu-lhes do bolso na mesma.

No entanto, os pobres de espírito nunca sentiram a textura dessas notas na mão e para raciocínios limitados como os deles, isso corresponde à inexistência desse dinheiro.

Por isso, continuam a escarrar para o chão de cimento que deviam usar para circular, e a caminhar pelo meio do jardim público para pouparem dez passadas e cinco segundos. Uau.

Quando é que as auroridades locais vão acordar para esta janela de oportunidade de fazer receitas extra de uma forma justa (ou seja, sem ser através de licenças de construção de mamarrachos) e de aumentar os níveis de emprego nas suas localidades?

Bastava criar uma "EMEL" (um bocadinho melhor gerida que a original, de preferência), ir buscar uns desempregados aos centros de emprego para transformar em fiscais e pagar-lhes com a receita das muitas multas certas que concerteza gerariam diariamente. Vá lá, vocês conseguem.

Buraco tapado por Citadina às 10:40
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Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Terapia da formação superior: sessão 1

Vocês sentem-se orgulhosos da vossa licenciatura e dos prefixos Dr. ou Eng. nos cartões de crédito gold e nos extractos mensais do Corte Inglés, ai que vergonha se não estivessem lá e essas merdas, não é?

Eu também gostava que me bastasse isso para me sentir melhor, mas infelizmente não. Há um trauma que ainda não consegui ultrapassar passados tantos anos, não importa quão farta esteja do cabrão do meu psiquiatra, que só quer falar de sexo. Sexo com o pai, sexo com a mãe, sexo do pai, sexo da mãe e outras variantes do mesmo tema que já não posso aturar.

Mas ia a dizer, não gosto da minha licenciatura nem da minha faculdade, aliás, a segunda chega a dar-me vómitos e nem sequer me consigo aproximar do edifício sem ficar deprimida. A verdade* é que passei quatro anos da minha vida a ser ostensivamente desprezada por respeitar mais as pessoas e os animais do que os números e os ganhos de eficiência económica decorrentes da extinção das baleias, cœteris paribus, que é como quem diz, o resto não interessa nada, até porque cenas como o legado histórico e a biodiversidade são um bocado difíceis de quantificar numa curva de ultilidade por serem subjectivas como o caralho.

Tudo o que não cabia no modelito cujas premissas oravam aquela missa do "num cenário de concorrência perfeita, informação perfeita, agentes económicos racionais, inexistência de barreiras à entrada e ausência total de emoção" era considerado irrelevante economicamente o que na prática significa apenas que tais fenómenos não eram tão selvaticamente liberais quanto desejável para que o grande capital pudesse ter o controle absoluto da humanidade.

É demais, foram anos e anos a pregarem-me aquele sermão como se fosse de uma exactidão inatacável quando é óbvio para TODA a gente fora daquelas paredes pseudo-iluminadas que a única "realidade" que o tal "cenário" poderia reflectir eram os sonhos (infantilóides, no fundo) de conquista do Mundo pela lei do mais forte afastando os fracotes do caminho porque eles só empatam e perturbam os níveis de eficiência, produtividade, etc..

Sabemos que Darwin observou este tipo de comportamentos nos animais irracionais mas talvez, digo eu, a teoria da evolução seja de difícil aplicação à nossa espécie dado um pormenor ou outro da complexidade humana, mas só talvez.

No entanto, inegável é que estes "iluminados" chegam aos governos e não acertam numa que seja, é humilhações dia após dia em directo no jornal da noite, "pois eu sei que afirmei isso na semana passada mas entretanto a conjuntura alterou-se...", e o pessoal todo a rir-se alarvemente deles como quem lhes cospe nas trombas, agora venham lá dizer que nós é que somos uns irracionais e que o modelo é que está certo e que se agíssemos todos como "era suposto" (=máquinas) isto corria tudo às mil maravilhas, vá cabrões!!
 

E pronto, foi a primeira sessão (e provavelmente a última) da terapia assexuada e auto-didata para tentar resolver os traumas da minha formação, muito obrigada e até para a semana.

 

* Aquilo dos quatro anos é mentira, na verdade foram seis só que os outros dois que lá passei não custaram tanto porque eu nunca ia às aulas e só fazia coisas fixes. Chumbava como o caralho, é certo, mas, pá...

 

Buraco tapado por Citadina às 15:18
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Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

Da Democracia I

Pela importância, profundidade e seriedade desta análise de José Soeiro do BE na sessão de comemoração do 25 de Abril na AR.

 

 

(Via Arrastão)


Buraco tapado por Cosmopolita às 14:16
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Segunda-feira, 31 de Março de 2008

Another Brick in the Wall

 

Another Brick in the Wall (Part 2)

We don't need no education
We dont need no thought control
No dark sarcasm in the classroom
Teachers leave them kids alone
Hey! Teachers! Leave us kids alone!
All in all it's just another brick in the wall.
All in all you're just another brick in the wall.

Veio-me à memória, a propósito de todo este descalabro no sector da Educação em Portugal, esta música e um livro notável de Evan Hunter, "Sementes de Violência", adaptado ao cinema por Richard Brooks em 1955. Conta(m) a história de um novo professor numa escola secundária de um bairro degradado americano que, na tentativa de pôr em prática os seus ideais, paga um preço alto no confronto com adolescentes problemáticos.


Na música fala-se contra uma educação autoritária e castradora, e no livro / filme retratam-se cenas bastante mais violentas da parte dos alunos para com os professores do que a cena do Carolina Michaelis.


Tudo isto para dizer que os problemas não são novos, não são exclusivamente portugueses e acima de tudo, não se resolvem a chamar bandidos aos professores e/ou aos alunos.

 

Porque de facto, a culpa não é dos professores nem dos alunos mas sim do Sistema, essa entidade aparentemente abstracta, que integra todos os sectores do Estado e da Sociedade e que reflecte todas as crises destes.


Com a massificação da educação no pós 25 de Abril e o fecho das escolas profissionais, as turmas encheram-se até atingirem números de mais de 35 alunos. Por outro lado, o aumento do desemprego, fez que muitos jovens se tornassem professores, embora não fosse essa a sua vocação. Além disso, os conteúdos programáticos que se leccionam são absolutamente obsoletos, descontextualizados, anti-pedagógicos e desproporcionados em volume em muitas disciplinas.


A transmissão de conhecimentos/competências é um processo que tem de ser forçosamente biunívoco. Ou seja, não basta debitar um programa extensíssimo em salas de aulas sem as menores condições ou materiais pedagógicos, e não saber, a não ser ocasionalmente através de alguns testes, se essas competências foram adquiridas de forma eficaz. Em cada aula deveria haver um período final em que o professor pudesse aperceber-se se e o que conseguiu comunicar. E os alunos deveriam ser informados da utilidade daqueles conteúdos para a sua futura vida profissional a fim de se interessarem por estes.

 

Os comportamentos dos alunos hoje são consequência directa das condições sociais que obrigaram à crescente desagregação da vida em família e à consequente falta de apoio, acompanhamento e disciplina em casa. Para cúmulo, as perspectivas que se lhes apresentam são de desemprego futuro, de ausência total de recompensa pelo esforço e investimento na escola e na educação. Os seus professores mudam de ano para ano. Os sistemas de avaliação mudam também. Não há senão grandes incertezas.

 

Os professores, pelo seu lado, saltando de escola em escola, com vínculos precários muitos deles, alguns sem vocação nenhuma, outros completamente desmotivados, sentem-se impotentes no meio disto tudo. Para eles, as políticas de democratização do ensino acabam por ser vistas como uma transferência da responsabilidade de educação cívica, contenção e controlo da violência dos jovens por parte da família ou da polícia para os professores. Com uma agravante. Ninguém os premeia e todos os consideram culpados! Alguém algum dia contabilizou as horas necessária à preparação das aulas que os professores têm de dar e que roubam ao seu tempo em família? Ou as horas que perdem a corrigir testes em casa? Se se somarem todas essas horas, mais as das aulas e as dos trabalhos burocráticos nas escolas, se calhar muitos professores trabalham mais do que as 40 horas por semana que a lei permite sem serem recompensados por isso.

 

Há que repensar todo o sistema de ensino em Portugal. Não faz sentido nenhum que se tratem hoje os jovens como se fossem atrasados mentais. As crianças devem aprender caligrafia, devem fazer ditados e cópias, saber a tabuada de cor, decorar poemas e, simultaneamente devem dominar as novas tecnologias. Pode ir-se ao passado buscar o que era bom, reformular tudo o que está mal ou obsoleto nos programas das cadeiras, dar formação aos professores e meios técnicos e humanos para poderem ensinar, construir mais escolas e melhor equipadas, etc.

 

Isto faz-se em conjunto, trabalhando todos para o mesmo fim. Não se faz tratando ora os professores, ora os jovens como foras-da-lei, nem com autoritarismos desajustados e autistas por parte do Ministério da Educação. Como dizia uma placa à porta da minha faculdade  "Quem quer resolver problemas procura soluções, quem não quer, procura desculpas".

 

Buraco tapado por Cosmopolita às 19:27
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Segunda-feira, 10 de Março de 2008

Ele são todos!

Como mãe e ex-professora participei solidariamente na “marcha da indignação” dos professores que ocorreu no dia 8 de Março, dia internacional da Mulher.

Este braço de ferro entre professores, seus representantes e o Ministério da Educação, a que o Governo já nos acostumou também noutros sectores, e as críticas que antecederam ou que se seguiram à manifestação, faz-me lembrar aquela anedota caricata em que um tipo sem carta vai comprar um automóvel a um stand. Sai com o carro, liga o rádio e entra descontraidamente na ponte 25 de Abril em contra-mão. Começa a ouvir na rádio uma notícia de alerta da brigada de trânsito a chamar a atenção dos automobilistas para o facto de ir um maluco em contra-mão na ponte. Alarmado o tipo olha à volta e diz “Um maluco? Ele são todos!”.

Pois é mesmo o que parece. Há meia dúzia de pessoas que, “esquecendo-se” que o Estatuto da Carreira Docente, a prova de ingresso na carreira, o sistema de avaliação de desempenho dos professores e o seu timming, a separação entre professores titulares e não titulares, o novo modelo de gestão escolar, o pagamento de horas extraordinárias, etc., deveriam ter sido atempada e pacificamente negociados entre as partes e não impostos de forma arbitrária, alguns dos quais a meio do ano lectivo, a toda esta classe profissional, se arrogam o direito de considerar os docentes uns malandros e preguiçosos irresponsáveis.

A Ministra da Educação, tal como o Primeiro-ministro e outros agentes do Governo, sofrem de um autismo grave e revelam nas medidas que tomam, eles, algumas Direcções Regionais, e presidentes de Conselhos Executivos, certos polícias que ousam inquirir sindicatos e escolas e identificar professores, as juntas de aposentação, etc., uma assustadora tendência para utilizar métodos fascistas e pidescos, anti-humanitários e anti-sociais na implementação das suas políticas. E utilizam aquela regra de que uma mentira mil vezes repetida se torna verdade.

Fartos deste autoritarismo cego, destas atitudes prepotentes e profundamente anti-democráticas, das intimidações a que têm sido sujeitos, fartos do desrespeito, violência e insegurança de que são vítimas nas escolas, de serem obrigados a trabalhar mesmo quando têm doenças terminais, das tentativas de desmantelamento do ensino especial e do ensino artístico, dois terços dos professores deste País manifestaram o seu mais veemente protesto nesta marcha da indignação, que contou com presença da Associação Nacional de Professores, pela primeira vez, nos últimos 23 anos.

Cerca pois de 100 mil dos 143 mil professores do País participaram nesta marcha, número que excede largamente as fronteiras do PCP, partido que tão acusado tem sido pelo Governo de promover toda a contestação social. Muitos deles são professores há mais de 20 anos e nunca tinham participado numa manifestação. Outros, apesar de terem votado no PS, não abdicaram de mostrar a sua indignação. Novos e velhos, homens e mulheres, de todos os quadrantes políticos, a motivação de todos era só uma: não deixar destruir a escola pública.

Toda de negro, de cravo vermelho ao peito, Ana Benavente, ex-secretária de Estado da Educação do Governo de Guterres, fez questão de se associar ao protesto. “Achei que, num acto de cidadania, devia estar ao lado dos professores”, explicou ao ‘CM’. Crítica sobre a actual política, sublinhou que “neste campo o PS está errado”. Não pediu a demissão da ministra, mas aconselha-a a “reflectir”.

Fiquei embasbacada e indignada com a Opinião de Emídeo Rangel no Correio da Manhã, com o título “Coisas do Circo – Hooligans em Lisboa”. Aproveito para transcrever aqui algumas destas “pérolas”:

“Eles aí estão ‘em estágio. Faz-me lembrar os hooligans quando há uma disputa futebolística em causa. Chegaram pela manhã em autocarros vindos de todo o País, alugados pelo Partido Comunista. Vestem de preto e gritam desalmadamente.

Se reduzirmos à expressão mais simples as suas pretensões tudo se pode resumir assim:

– Portugal não pode continuar a pôr cá fora jovens analfabetos, incultos e impreparados, como acontecia até aqui.

– Os professores colaboraram com um sistema iníquo que permitia faltas sem limites, baixas prolongadas sem justificação e incumprimento dos programas escolares.

– Os professores não são todos iguais. Quero referir-me àqueles que sem nenhuma vocação (com ou sem curso Superior) instalaram um culto madraceirão que ninguém punha em causa nem responsabilizava, mas que estava a matar o ensino.

Confesso que tenho vergonha destes pseudoprofessores que trabalham pouco, ensinam menos, não aceitam avaliações e transformaram-se em soldados do Partido Comunista, para todo o serviço.

O PCP pode usar a tropa de choque que agora arranjou para enfraquecer o Governo e utilizar as suas artes de manipulação e demagogia até a exaustão. Mas creio que a reforma tem de se fazer, a bem do País. É absolutamente nítido que os professores não têm razão.”

É mesmo de bradar aos céus esta opinião! É certo que há em todas as profissões pessoas sem vocação, incompetentes, preguiçosas, oportunistas, calonas, etc., mas será que o são dois terços de uma classe profissional? Será que se pode falar desta forma insultuosa, paternalista e difamatória da generalidade dos docentes? Será que eles são todos atrasados mentais, imbecis manipulados pelo PC e BE que, segundo a direita, têm como único objectivo a desgraça desta País? Será que alguém acredita nisto?

E a Ministra compreendendo muito bem “as razões da manifestação” e admitindo que a tutela “está a pedir às escolas mais esforço e mais trabalho”, tendo em conta o aumento do número de alunos, “sacrifícios” que recaem directamente sobre os professores, nem se demite nem abdica da sua posição irredutível, do “quero, posso e mando”, do “ou vai ou racha”. Isto, na minha opinião é que é hooliganismo!

Buraco tapado por Cosmopolita às 15:43
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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2007

É a isto que chamam o "desenrascanço"? ou Que bem organizados que nós somos

"Então, filho, como foi o dia de apresentação na escola?"
"Conhecemos o novo director de turma."
"E os horários?"
"Só na Sexta para nós e no Sábado para os professores."
"E a lista de livros?"
"Só há um."

Bem, com um bocado de sorte, na Segunda-feira, alguém saberá a que sala de aula se dirigir e que programa leccionar...

Buraco tapado por Cosmopolita às 17:38
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