Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010

Portugal está a deixar cair a geração mais qualificada de sempre

Nunca houve tantos licenciados em Portugal. E nunca foi tão difícil para os jovens encontrar emprego. As centrais sindicais dizem que a greve geral também é feita em nome desta geração que se pode perder, entre a precariedade e o apelo da emigração. Num cenário de "défice democrático" no mundo laboral, os melhores são os que arriscam sair do país.

Buraco tapado por Citadina às 11:56
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Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Passagem

O blog No Fim do Mundo... está em modo "over and out".

A sua autora, outra portuguesa em périplo contínuo, agora na Tailândia, passa a inteirar-nos das suas aventuras através do Travel and Notes e das suas crónicas de viagem.

Vale a pena acompanhá-la regularmente.

Buraco tapado por Citadina às 12:56
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Da Nigéria, com amor

O blog de uma portuguesa emigrante na Nigéria.

A oportunidade de sabermos mais sobre aquele país, os seus costumes, como é viver lá.

Por falar nisso, sabe como se chama a capital da Nigéria? Se calhar pensa que sabe e não sabe... Já não é Lagos. Uma visita ao blog resolve isso. :)

Buraco tapado por Citadina às 11:19
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Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

Os feriados e as férias e as ausências

Não estranheis mas este blog não vai estar assim muito activo na próxima semana, quando se andarem para aí a comemorar os dias de Portugal, de Camões, das Comunidades e de Santo António de Lisboa.

Na verdade o blog vai estar completamente morto, mas depois promete fazer aquele truque do JC e voltar numa manhã soalheira.

Se entretanto não tiverdes mesmo mais nada que fazer do que vir para aqui cirandar, sempre vos podéis entreter a contar as sílabas métricas destas estrofes que vos deixo, ou a a ler, simplesmente, para saberdes, da próxima vez que aludais ao personagem em causa, do que estais a falar:

 

Canto IV – Episódio O Velho do Restelo

90

"Qual vai dizendo: —" Ó filho, a quem eu tinha
Só para refrigério, e doce amparo
Desta cansada já velhice minha,
Que em choro acabará, penoso e amaro,
Por que me deixas, mísera e mesquinha?
Por que de mim te vás, ó filho caro,
A fazer o funéreo enterramento,
Onde sejas de peixes mantimento!" —

91

"Qual em cabelo: —"Ó doce e amado esposo,
Sem quem não quis Amor que viver possa,
Por que is aventurar ao mar iroso
Essa vida que é minha, e não é vossa?
Como por um caminho duvidoso
Vos esquece a afeição tão doce nossa?
Nosso amor, nosso vão contentamento
Quereis que com as velas leve o vento?" —

92

"Nestas e outras palavras que diziam
De amor e de piedosa humanidade,
Os velhos e os meninos os seguiam,
Em quem menos esforço põe a idade.
Os montes de mais perto respondiam,
Quase movidos de alta piedade;
A branca areia as lágrimas banhavam,
Que em multidão com elas se igualavam.

93

"Nós outros sem a vista alevantarmos
Nem a mãe, nem a esposa, neste estado,
Por nos não magoarmos, ou mudarmos
Do propósito firme começado,
Determinei de assim nos embarcarmos
Sem o despedimento costumado,
Que, posto que é de amor usança boa,
A quem se aparta, ou fica, mais magoa.

94

(O Velho do Restelo)
"Mas um velho d'aspeito venerando,
Que ficava nas praias, entre a gente,
Postos em nós os olhos, meneando
Três vezes a cabeça, descontente,
A voz pesada um pouco alevantando,
Que nós no mar ouvimos claramente,
C'um saber só de experiências feito,
Tais palavras tirou do experto peito:

95

—"Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
C'uma aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!

96

— "Dura inquietação d'alma e da vida,
Fonte de desamparos e adultérios,
Sagaz consumidora conhecida
De fazendas, de reinos e de impérios:
Chamam-te ilustre, chamam-te subida,
Sendo dina de infames vitupérios;
Chamam-te Fama e Glória soberana,
Nomes com quem se o povo néscio engana!

97

—"A que novos desastres determinas
De levar estes reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos, e de minas
D'ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? que histórias?
Que triunfos, que palmas, que vitórias?

98

— "Mas ó tu, geração daquele insano,
Cujo pecado e desobediência,
Não somente do reino soberano
Te pôs neste desterro e triste ausência,
Mas inda doutro estado mais que humano
Da quieta e da simples inocência,
Idade d'ouro, tanto te privou,
Que na de ferro e d'armas te deitou:

99

— "Já que nesta gostosa vaidade
Tanto enlevas a leve fantasia,
Já que à bruta crueza e feridade
Puseste nome esforço e valentia,
Já que prezas em tanta quantidades
O desprezo da vida, que devia
De ser sempre estimada, pois que já
Temeu tanto perdê-la quem a dá:

100

— "Não tens junto contigo o Ismaelita,
Com quem sempre terás guerras sobejas?
Não segue ele do Arábio a lei maldita,
Se tu pela de Cristo só pelejas?
Não tem cidades mil, terra infinita,
Se terras e riqueza mais desejas?
Não é ele por armas esforçado,
Se queres por vitórias ser louvado?

101

— "Deixas criar às portas o inimigo,
Por ires buscar outro de tão longe,
Por quem se despovoe o Reino antigo,
Se enfraqueça e se vá deitando a longe?
Buscas o incerto e incógnito perigo
Por que a fama te exalte e te lisonge,
Chamando-te senhor, com larga cópia,
Da Índia, Pérsia, Arábia e de Etiópia?

102

— "Ó maldito o primeiro que no mundo
Nas ondas velas pôs em seco lenho,
Dino da eterna pena do profundo,
Se é justa a justa lei, que sigo e tenho!
Nunca juízo algum alto e profundo,
Nem cítara sonora, ou vivo engenho,
Te dê por isso fama nem memória,
Mas contigo se acabe o nome e glória.

103

— "Trouxe o filho de Jápeto do Céu
O fogo que ajuntou ao peito humano,
Fogo que o mundo em armas acendeu
Em mortes, em desonras (grande engano).
Quanto melhor nos fora, Prometeu,
E quanto para o mundo menos dano,
Que a tua estátua ilustre não tivera
Fogo de altos desejos, que a movera!

104

— "Não cometera o moço miserando
O carro alto do pai, nem o ar vazio
O grande Arquiteto co'o filho, dando
Um, nome ao mar, e o outro, fama ao rio.
Nenhum cometimento alto e nefando,
Por fogo, ferro, água, calma e frio,
Deixa intentado a humana geração.
Mísera sorte, estranha condição!" —

 

in "Os Lusíadas", Luís Vaz de Camões

 

Pronto. Dividam tudo em métrica clássica e métrica medieval e depois mandem para o meu e-mail.

Ou digam lá se não é afinal sábio o Velho, cuja má fama (desinformada) de retrógrado foi espalhada pela ignorância e pelo pedantismo político.

Buraco tapado por Citadina às 17:19
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Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Ei-los que partem

Por razões profissionais, de sobrevivência e um certo espírito aventureiro, tive de viver por largos períodos da minha vida emigrada. Como referi aqui, recuso-me a viver com uns míseros tostões ou de subsídios de desemprego e sem trabalho ou feita pária à força pelo próprio sistema que vigora em sucessivos (des)governos no meu País. "O trabalho dignifica o Homem" é uma filosofia de vida que mantenho desde sempre e que tentei transmitir aos meus filhos.

Julgo que ninguém que não tenha estado emigrado pode perceber na sua plenitude o que isto significa. Estar longe dos filhos, pais, amigos, da cultura, da comida, do clima, de tudo o que nos atrai e identifica com um determinado sítio. O desenraizamento, a solidão e a saudade são os sentimentos mais dolorosos que nos avassalam então.

Tenho trabalhado sempre em equipas masculinas e em países em que tenho sido, quase sem excepção, a única mulher estrangeira a trabalhar. Estivemos em sítios que não lembra ao diabo. Convivemos com povos e culturas que são desconhecidos para a maior parte das pessoas. Comemos coisas estranhíssimas e outras maravilhosas. Viajámos em executiva e em aviões a cair de podre e sem manutenção. Vivemos em hotéis de cinco estrelas e em autênticas espeluncas. Apanhámos dos 50 graus à sombra até aos 40 graus negativos e às tempestades de neve que nos conservavam vestidos e sem dormir por 3 dias em aeroportos apocalípticos. Conhecemos técnicos extraordinários e pessoas impolutas e dignas e conhecemos mafiosos e crápulas de toda a espécie.

Chorei muitas vezes em privado, tal era a solidão e o sofrimento que a distância dos meus me causava. Do mesmo modo, nunca vi os meus colegas queixarem-se em público, nem chorar nem deprimir. Eles tinham uma forma própria de combater a solidão: arranjavam namoradas, putas ou outras formas de substituição temporária de afecto.

Ouvi muitas confidências deles. Estavam ali, tal como eu, na frente de batalha, para sustentar as famílias e por falta de oportunidades em Portugal, quer devido à sua profissão, quer devido ao facto de Portugal mal lhes pagar para sobreviverem. Amavam as mulheres, mas desorientavam-se por vezes com outros afectos. Um provável complexo de culpa fazia com que recorressem a mim para tentar expurgá-la à laia de confissões livres de condenação. Sabiam que eu guardaria segredo, que os aconselharia, que não os julgaria à luz de dogmas moralistas. Era como se fossemos uma família em que cada um se preocupava genuinamente com todos e cada um dos outros.


Quando se deu a dissolução da URSS, ouvi muita gente de lá revoltada com a perda da maior riqueza que um País pode ter: a fuga dos seus melhores quadros. Cientistas, quadros técnicos, músicos, ginastas, artistas, escritores.

Em Portugal é ao contrário. Que nos vamos embora é o que nos desejam e incentivam a fazer. Hoje em dia são cerca de 5 milhões os portugueses emigrados, sem que haja fascismo que o justifique. Faz-me sempre lembrar aquela canção de Manuel Freire:

“Ei-los que partem
novos e velhos
buscando a sorte
noutras paragens
noutras aragens
entre outros povos
ei-los que partem
velhos e novos

Ei-los que partem
de olhos molhados
coração triste
e a saca às costas
esperança em riste
sonhos dourados
ei-los que partem
de olhos molhados

Virão um dia
ricos ou não
contando histórias
de lá de longe
onde o suor
se fez em pão
virão um dia
ou não”

Buraco tapado por Cosmopolita às 11:35
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