Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010

L Word - Quem matou Jenny Schecter? (1)

Vou sentir a falta desta série, que influenciou tanta gente, gay, hetero ou transsexual, em todos os países em que passou. De certa maneira era como se também pertencessemos àquele grupo de amigas, vivessemos na mesma cidade que elas e partilhássemos os seus problemas e alegrias.

 

Quem não se lembra das múltiplas cópias de Shanes que aparecerem por aí na noite gay? Quantos de nós se não identificaram com algumas das personagens da série?

 

De todas as pessoas presentes na noite do crime, qual delas matou Jenny? Vou apontando as razões que cada pessoa presente na festa em casa da Beth e da Tina na noite do assassinato de Jenny, pode ter tido. Deixo ao vosso instinto detectivesco os palpites sobre quem pode ter sido a assassina.

 

Comecemos pelo casal mais emblemático da série, Beth Porter e Tina Kennard. Apesar das diferenças de personalidade, o profundo amor, admiração,  cumplicidade e solidariedade que sentem uma pela outra e o sentido de familia que as une, acabou por levar a melhor. Penso que muita gente torceu para que, após todas as crises que atravessaram, encontros e desencontros, separações, paixões e ligações que cada uma delas teve separadamente, apesar do tempo que decorreu, acabassem juntas como família. Ambas excelentes profissionais, cada uma no seu ramo, provaram que duas mulheres intelectuais, cultas, independentes e autónomas podem criar uma filha, a Angelica, e dar-lhe uma família, sem que nenhuma delas tivesse de abdicar de ser quem era.

 

A Tina podia ter matado a Jenny, devido ao facto de esta lhe repetir com frequência que detestava trabalhar com ela, e de, ao ter roubado os negativos do filme Lez Girls, ter deixado que Tina fosse considerada responsável pelo desaparecimento destes e tivesse sido despedida.

 

A Beth podia ter tido como razão o facto de a não suportar a forma como Jenny tratava Tina mas, sobretudo, porque Jenny se preparava para dizer a Tina o que já tinha dito a outras amigas do grupo: que tinha provas fotográficas de que a Beth andava a enganá-la, com uma antiga colega de faculdade, a Kelly. Após Beth ter dito a Tina "I promise that I share your values about family and faithfulness, committment and that I will never ever cheat on you again", Beth sabia que Tina nunca mais confiaria nela e que isso destruiria de vez a família delas, ainda por cima numa altura em que estavam a ampliar a casa para poderem ter outra criança.

 

 

Passemos ao outro casal da série, a Alice Pieszecki e a Tasha Williams. Com problemas relacionais, devido à ausência de interesses em comum e profundas diferenças de maneiras de ser e estar, envolveram-se numa relação de amizade a três com uma amiga recente de quem se tornam inseparáveis, Jamie Chen. Jamie traz outro dinamismo e alegria à vida deste casal, apimenta-a até do ponto de vista sexual. Apesar de todos os avisos do grupo de amigas para o inevitável perigo desta situação, Tasha e Jamie acabaram por se apaixonar, (é quase um cliché em casos de casais em crise ou em relações de muito longa duração), e Tasha deixa Alice pela Jamie.

 

Alice é a criadora do famoso quadro de relações entre amigas e conhecidas suas, "The Chart" e à pergunta "Why is it so important for you to believe that everyone is sleeping with everyone else?", Alice responde "Because they are". Quando ficou desempregada pediu a Jenny  que revisse com ela um argumento que tinha escrito para um filme. Jenny correu com Alice, dizendo que o argumento era medíocre. no entanto vendeu-o como se fosse da sua autoria. Alice pode ter matado Jenny por esta razão.

 

Tasha, confusa e culpabilizada por se ter apaixonado por uma amiga comum em quem Alice confiava, quando volta para Alice pode ter querido vingá-la da maldade de Jenny.

 


 

No próximo post, analisarei os motivos das outras personagens e convido-vos a pronunciarem-se.

Buraco tapado por Cosmopolita às 02:25
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Sexta-feira, 9 de Julho de 2010

Retroactividade

 

Li aqui, que Portugal vai reconhecer os casamentos homossexuais celebrados no estrangeiro antes da aprovação da Lei 9/2010 que aqui os permite.

 

Vá lá, que a retroactividade não se aplique apenas aos impostos, mas também aos direitos fundamentais dos cidadãos, já é uma grande vitória para um país como o nosso!

Buraco tapado por Cosmopolita às 13:16
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Segunda-feira, 17 de Maio de 2010

Cavaco, a padralhada e o casamento homossexual

Caricatura tirada daqui 

Tem-me deixado fora de mim, de forma proporcional à minha impotência e à impunidade da pessoa em questão, toda esta confusão entre Igreja Católica e Estado português. Aquando da visita do papa, para onde quer que se sintonizasse a TV, era padralhada por tudo quanto é sítio, saias até aos pés, cruzes ao peito e cintos púrpura, terços e ladainhas, e o Presidente de Portugal, eleito por maioria (da qual, t’a livra!, não faço parte), mais a D. Maria, com ar de beata voluntariosa e decidida, que acompanharam todos os momentos da visita do tótó.

 

Causou-me uma profunda repugnância todo este circo, que me lembrou os tristes tempos da ditadura em que Salazar e Cerejeira andavam de braço dado e vendiam ao povo português que o sofrimento na terra era necessário e solidário com o de Cristo e recompensado com o Paraíso após a morte. Gente atrasada, reaccionária, hipócrita e preconceituosa. Malfeitores do lado do Estado Novo e da Igreja. Como uma vez disse a minha avó a uma freira que nos foi pedir esmola para os pobres: “Pobres, minha senhora, são estas crianças que têm o pai preso pelo crime de pensar! E cúmplice é a igreja que vergonhosamente apoia quem os prende e tortura!”.

 

Indignação causou-me ainda o facto de ter sido Cavaco a convidar o papa, que só nos veio causar despesas e incómodos ainda por cima numa altura de crise tão grave, e ainda mais o facto de, na despedida deste, ter falado em nome de todos os portugueses para agradecer a dita visita! Que eu saiba, segundo o Censo da ICAR, em Portugal há 2 milhões de católicos em 10 milhões de pessoas, ou seja, representam apenas 20% da população. Que direito tem Cavaco de falar em nome dos 80% que não são católicos? Quem lhe passou procuração para tal e se não a tem, como ousa abusar da sua posição e transformar a maioria da população de um Estado laico em seguidores da ICAR?

 

Temo que toda esta abusiva atitude de Cavaco esteja relacionada, não só com o seu desmedido desejo de ser reeleito presidente, mas também  com a possibilidade de ele vetar esta noite o diploma que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo em Portugal. Hoje, dia Mundial contra a Homofobia, veremos se assim é ou se poderemos finalmente considerar que em Portugal "casamento é o contrato celebrado entre duas pessoas que pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida". Ámen!

Buraco tapado por Cosmopolita às 19:00
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Sábado, 20 de Fevereiro de 2010

The dark side strikes again

Pasmei ao ver uma pseudo "tia" muito católica, tá a ver?, a manifestar-se na Av. da Liberdade, afirmando que não o fazia para discriminar ninguém ou para retirar direitos fosse a quem fosse, mas pela família.

 

Mas o que é que lhes dói? Não estão a a ser assediados, nenhum homossexual se quer casar ou constituir família com eles, ou quer?

 

Buraco tapado por Cosmopolita às 21:20
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Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

Solidariedade II

Como resultado do apelo deixado aqui no Azinhaga, recebi um mail do Sérgio Vitorino com a seguinte informação, que podem encontrar também no Panteras Rosa:

 

"À semelhança do que tem ocorrido nos últimos dois anos, a Teresa, a Lena e as suas duas filhas estão mais uma vez na eminência de expulsão de uma casa, e de terem de se mudar para outra habitação e outra zona do país. A "operação" é custosa e para lá das suas possibilidades financeiras, mas poderá vir a ser uma oportunidade de finalmente se estabelecerem e estabilizarem as suas vidas. Com a sua autorização, as Panteras Rosa assumiram a iniciativa de divulgar os seus dados bancários, junto com um apelo à solidariedade para com esta família, que necessita realmente de um apoio. Monetário ou não, todo o apoio é bem-vindo.

 

Helena Maria Mestre Paixão

conta BPI: 1-3806134.000.001

NIB: 0010.0000.3806.1340.0016.8

 

Deixo o link para a reportagem da RTP que aborda pela primeira vez o que aconteceu a Helena Pires e Teresa Paixão desde que iniciaram o seu processo de grande visibilidade mediática pelo direito a casar. Bem longe do 'glamour' das revistas gays ou do estereótipo urbano e financeiramente confortável de gays e das lésbicas, uma amostra do Portugal real, a realidade crua da pobreza e de como ela se alia à lesbofobia para impedir às pessoas os seus mais básicos direitos: acesso à habitação, acesso ao trabalho, o direito a viver em paz, sem discriminação pela orientação sexual ou... de classe.

 

http://ww1.rtp.pt/blogs/programas/linhadafrente/?1-parte-do-Linha-da-Frente-de-2010-02-03.rtp&post=6176 "

 

Vamos então dizer tod@s não à homofobia, apoiando com a nossa  solidariedade a Helena e a Teresa, figuras emblemáticas da nossa luta pela igualdade de direitos.

Buraco tapado por Cosmopolita às 21:06
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Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Solidariedade

 

Vi ontem, com os olhos cheios de lágrimas, um comentário sobre a Teresa e a Helena. Só as conheço dos programas de televisão, dos blogues e dos jornais. Conheço-as como duas mulheres que, desafiando toda uma sociedade hipócrita, intolerante, conservadora e repressiva, tiveram a coragem de dar a cara e de tomar a iniciativa de se dirigir a uma Conservatória para se casarem. Um símbolo que serviu de rosto a uma causa justa. E que, como todos os símbolos está a pagar o preço disso.

 

Dizia a peça, a dada altura, que a Helena e a Teresa estão a ser muito mais discriminadas socialmente e a nível do mercado de trabalho pelo facto de serem mulheres e homossexuais. Acrescentou o Sérgio que a discriminação era agravada pelo estrato socio-económico a que pertencem. Dolorosas e injustas verdades. Lembrei-me logo do poema "A invenção do Amor" de Daniel Filipe .

 

Vendo-as às duas, sozinhas e com as filhas, vendo as lágrimas que a Teresa já não consegue conter e a força que a Helena faz para não chorar também, senti uma enorme vontade de as abraçar e de lhes dizer que gosto muito delas, que lhes tenho um profundo respeito, que muito apreciaria se me quisessem como amiga e que não caiu em saco roto a coragem que tiveram para defender o amor que as une, o direito a constituirem uma família e a criarem as filhas numa sociedade mais aberta e tolerante, sem serem marginalizadas e sem ser posta em causa a sua dignidade.

 

Chocou-me a entrevista com a Ilga. Não as ajudou, porque elas não pediram. Pedir? Pedir??? A Ilga não percebe que a verdadeira ajuda é proactiva e desinteressada? Que elas não são mendigas? Que eles já deveriam ter contactado as outras Associações para que junto dos seus membros e dos seus lobbies conseguissem ajudar esta família, arranjando-lhes um emprego, garantindo-lhes alojamento e sustento enquanto não o conseguissem obter por si próprias? Afinal elas, com o seu gesto, fizeram muito mais pela causa do que as Associações todas com mil palavras!

 

Vamos tentar ajudar a Teresa e a Helena. Vamos criar um fundo de apoio e falar com amigos e conhecidos para ajudar esta família a ter uma casa, um trabalho e uma escola permanente para as duas filhas. Vamos contactar o Sérgio Vitorino das Panteras Rosa para ver se ele tem disponibilidade para organizar este movimento de solidariedade. Vamos a isso?

Buraco tapado por Cosmopolita às 14:10
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Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

3 Anos - Parabéns Lesboa

Há três anos foi a Duca que me desafiou a ir à Lesboa, "uma coisa nova" que surgia no cenário do entretenimento LGBT da cidade. Desde então, são raras as edições do evento que tenho perdido, evento esse que conquistou por mérito próprio um lugar incontornável como "happening" LGBT de Lisboa.

Hoje a Lesboa já não é uma "coisa nova", mas continua a ser uma coisa boa. Parabéns.

 

Buraco tapado por Citadina às 12:09
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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Memória curta

Aquilo ontem eram bandeiras gay agitando-se festivamente diante do Hotel Altis?

Buraco tapado por Citadina às 10:09
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Sexta-feira, 4 de Setembro de 2009

Publicidade institucional

Buraco tapado por Citadina às 10:31
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Quinta-feira, 30 de Julho de 2009

A armadilha do casamento civil sem direito à adopção

Do Programa de Governo do PS consta:

 

"Remover as barreiras jurídicas à realização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo;" (página 76)

 

Esta é a parte boa.

No entanto, não consta nada sobre adopção por casais do mesmo sexo.

Ora isto, como se ilustra bem aqui, compromete direitos já consignados na lei.

É só uma ideia para reflexão.

Buraco tapado por Citadina às 12:35
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Segunda-feira, 27 de Julho de 2009

O nosso homem em São Bento

Miguel Vale de Almeida será, salvo aconteça algum cataclismo, o primeiro deputado à Assembleia da República assumidamente gay, eleito pelas listas do PS como independente.

Não há como negar que isto é uma perspectiva altamente promissora para o universo LGBT português. Só não conhecendo o admirável percurso do Miguel como activista pelos direitos LGBT é que se poderia pensar outra coisa.

Eu não consigo votar PS por diversas razões, muitas delas já abordadas aqui no blog, talvez  - especulo - da mesma forma que o Miguel também não se consegue filiar no PS.

Mas compreendo os objectivos do Miguel nesta decisão que tomou e louvo-os porque eles demonstram coragem e determinação em alcançar metas que constituirão um grande serviço público ao País.

Miguel Vale de Almeida não será o nosso único homem em São Bento porque, como sabemos, há outras bancadas parlamentares inteiras que lutam pelos direitos LGBT há muito mais tempo e de forma bem mais assumida e coerente que o PS, mas será uma voz de importância fulcral no combate às discriminações por questões de orientação sexual e uma voz assumidamente gay que nos representará com dignidade e seriedade e, por certo, muito respeitada.

Não agradeço ao PS - não há nada para agradecer - mas agradeço ao Miguel pela disponibilidade de se colocar ao serviço da causa pública, principalmente tratando-se uma causa tão exigente.

Buraco tapado por Citadina às 14:55
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Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Como é bom proibir!

Abri as notícias agora ao fim da tarde e deparei-me com aqueles inquéritos do Sapo a perguntar:

 

"O Ministério da Saúde diz que os homossexuais não podem ser dadores de sangue porque têm «comportamentos de risco». Concorda? ". Curiosa fui ver as votações.
 

Ora bem, 49% dos votantes, quase 9.000 pessoas, disseram que concordavam! Nem queria acreditar! A sociedade portuguesa, ou pelo menos quase 50% dela, é mesmo homofóbica, reaccionária, preconceituosa, ignorante e com uma profunda tendência para o totalitarismo anti-democrático!

 

Pedro Freitas, médico e sexologista clínico, comenta, e muito bem, esta proibição no fim deste artigo aqui, reduzindo ao que realmente é, a atitude o Ministério da Saúde: absurda, discriminatória, homofóbica, sexista, anti-democrática, anti-científica, abusiva do poder e primária.

 

Maldito Sócrates y sus muchachos que já podiam ter dado um passo em frente relativamente à homofobia  e, em vez disso, deram  "n" passos atrás! O pior é que a alternativa é ainda mais assustadora... 

Buraco tapado por Cosmopolita às 19:10
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Votar PS? Não me parece.

Ora então vejamos: o Ministério da Saúde é liderado por uma Ministra do PS, certo? PS esse que promete prometer (é que é mesmo assim) viabilizar a igualdade no acesso ao casamento civil na próxima legislatura, não é? Mas já as outras igualdades, ah isso não, que isso é um grupo de gente esquisita e por muito bem comportadinhos que eles digam que são nunca se sabe, porque ser homossexual já é um comportamento de risco. O melhor é manter essa gente o mais afastada possível do nosso sangue.

 

Moral da história: é com políticas reais que se inferem as intenções reais.

Buraco tapado por Citadina às 17:20
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Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Legislativas e igualdade no acesso ao casamento civil

Perante o resultado das eleições europeias o choque só pode ter sido grande para a esquerda portuguesa, independentemente das subidas em percentagem e número de votos do BE e da CDU.

Para mim foi porque, pior que a vitória da direita a nível europeu, tive de assistir à vitória da direita a nível nacional, algo que poucos dias antes da ida às urnas parecia altamente improvável. E ainda porque, em relação a uma questão que me é cara, o que antes parecia garantido, de repente passou a ser bastante incerto. Falo da igualdade no acesso ao casamento civil.

Claro que não se pode avaliar um governo ou tomar uma decisão de voto apenas centrada neste assunto mas, se virmos bem, o que é este assunto? Um capricho, uma não-prioridade, uma luta de franjas? Ou uma questão de direitos fundamentais, de direitos humanos, de não-discriminação das minorias, de respeito e cumprimento efectivo da Constituição Portuguesa?

A igualdade no acesso ao casamento civil é, além do óbvio, uma medida de civilização e de qualidade da democracia e da sociedade portuguesa. E isso são indicadores essenciais para toda a gente, presumo.

Se a direita ganhar as eleições legislativas, teremos como Primeira Ministra uma pessoa declaradamente homófoba e uma defensora do liberalismo económico, o mesmo que afundou o mundo na crise em que está mergulhado. E não é com políticas dessas que o país vai passar a ser um país melhor, mais igualitário, mais justo, mais civilizado, mais próspero.

Portanto, a meu ver, é essencial que a esquerda ganhe as eleições. Mas que esquerda? Uma esquerda baseada na enfraquecida plataforma de apoio do PS, ajudada por quem escolhe o menor de dois males para governar o País (Sócrates ou Ferreira Leite)?

Ou uma esquerda plural mas que no seu conjunto garanta a maioria parlamentar?

Uma coisa é certa: é altamente improvável (para não dizer já impossível) que o PS sozinho consiga uma (outra) maioria absoluta parlamentar nas próximas legislativas.  E eu até torço para que o PS ganhe ao PSD. Mas daí até lhe dar o meu voto, vai um abismo. Primeiro, porque, como pessoa de esquerda, me é impossível premiar quem não merece, esquecer as traições do passado recente e as políticas anti-sociais e, segundo, porque acredito que devo recompensar com votos as forças políticas que efectivamente lutaram e continuam a travar as difíceis batalhas por melhores políticas sociais, como a dos direitos LGBT, com consistência, perseverança, assiduidade e convicção.

Assim, só posso desejar que o trabalho pró-consenso para se atingirem compromissos que realmente sirvam a sociedade (em vez de servirem os partidos políticos), por oposição a autoritarismo cego e teimosia gratuita (dos mesmos) seja possível de pôr em prática e se torne uma realidade.

Esse trabalho será mais difícil, sem dúvida, mas eu assumo que gostava de / quero ver como corre. Quanto mais não seja para testar, de facto, certas teorias [a governabilidade só é possível com maioria absoluta de um só partido] que se apregoam por aí como verdades inquestionáveis.

Buraco tapado por Citadina às 13:02
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Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

É já amanhã

 

Aproveiro para reproduzir aqui um excerto de um texto do Ricardo Santos Pinto, publicado no Aventar há uns dias, que era muito importante que TODA a gente lesse:

 

"(...) Pela primeira vez desde que existe a Marcha, tenho uma filha. E foi então que me ocorreu a seguinte pergunta: devem as famílias heterossexuais participar no evento e levar os seus filhos?
A resposta, como é óbvio, tem de ser positiva. Por várias razões: em primeiro lugar, de forma mais geral, por uma questão de solidariedade para todos aqueles que se vêem na necessidade de mostrar que são iguais aos outros e que reivindicam essa mesma igualdade na lei. De forma mais específica, penso que a formação de uma criança deve incluir o contacto com pessoas que pensam de forma diferente daquelas que normalmente a rodeiam. «Abrir os olhos» para outras realidades, aprender desde cedo a conviver com as diferenças, saber que gostar de pessoas do mesmo sexo é a coisa mais natural do mundo. Ganhar instrumentos para pensar com a própria cabeça quando for grande e ser a favor, se isso corresponder à sua consciência, do casamento gay» ou da adopção de crianças por casais do mesmo sexo.
Não é por isso, descansem os críticos, que ela será mais ou menos heterossexual. (...)"

Buraco tapado por Citadina às 12:07
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Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Jantar da blogosfera LGBT em Lisboa

Porque várias coisas se meteram no meio (eleições,  destaques do Sapo, férias...) e porque o (meu) tempo não estica, ainda não tinha falado aqui sobre um ponto alto de um fim de semana (ultra)passado, que foi o jantar da blogosfera LGBT, organizado pelos meninos do Devaneios LGBT e gentilmente apoiado pela ILGA Portugal, que cedeu o espaço.

O convívio foi fantástico e o mais interessante foi ver os nicks ganharem rosto, claro. Mas ainda há uma nota extremamente positiva a fazer e que me tocou muito: terem comparecido vários bloggers heterossexuais, rejeitando-se assim uma postura de gueto e transformando a iniciativa numa reunião abrangente e, como tal, muito mais rica.

Venham mais iniciativas destas!

Buraco tapado por Citadina às 12:34
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Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Problema resolvido

Andava eu a pensar como é que havia de demonstrar como aquele texto é estúpido, mas mesmo estúpido, quando percebi que já não era preciso, o Maradona adiantou-se. E, independentemente da sua opinião sobre a igualdade no acesso ao casamento civil ser contrária à minha (afirma ele e eu finjo que acredito), disse o que tinha de ser dito sobre as objecções da Ana à "lista". E com montes de graça, eu pelo menos ri-me, que o meu sentido de humor não se deixa intimidar por achaques de fundamentalismo.

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Buraco tapado por Citadina às 15:41
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Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Movimento Pela Igualdade (III)

 

A Alexandra Lencastre é lésbica?

O Ricardo Araújo Pereira é gay?

A Catarina Furtado é lésbica?

O Miguel Sousa Tavares é gay?

A Fernanda Câncio é lésbica?

O José Saramago é gay?

A Maria Rueff é lésbica?

O Joaquim de Almeida é gay?

 

Não, pois não?

 

E no entanto todos eles (e mais 5000 - and counting) assinaram a petição do MPI por uma sociedade mais justa, pela igualdade de direitos, contra a homofobia.

Porquê? Porque este não é um movimento fechado. Pelo contrário, o MPI é aberto a qualquer cidadão que acredite que os direitos devem ser iguais para todos, independentemente da sua orientação sexual. É um movimento pela justiça.

Portanto, leitor heterossexual, este assunto também lhe diz respeito.

Junte-se a eles, junte-se a nós, participando activamente neste momento histórico da nação portuguesa que é o caminho para a igualdade no acesso ao casamento civil.

Estamos quase lá e consigo estaremos cada vez mais perto! Obrigada.

Buraco tapado por Citadina às 11:20
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Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Movimento Pela Igualdade (II)

(imagem roubada aqui)

 

O documento já está está acessível a todos para subscrição, depois da apresentação formal de ontem, no Cinema São Jorge, em Lisboa. Pode subscrever aqui.

O Movimento já está no Facebook e no Twitter.

A causa é justa, humana, beneficia muitos e não prejudica ninguém.

Precisa de mais alguma coisa, ou esgotaram-se definitivamente as desculpas para não subscrever?

Buraco tapado por Citadina às 11:20
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Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Re-post: movidos pela igualdade

"Alexandra Lencastre, Alexandre Quintanilha, Ana Bola, Ana Catarina Mendes, Ana Drago, Ana Gomes, Ana Marques, Ana Salazar, Ana Sara Brito, Ana Vicente, Ana Zanatti, Anabela Mota Ribeiro, Anália Torres, André Freire, António Avelãs, António Costa, António Marinho Pinto, António Pinto Ribeiro, Astrid Werdnig.


Bárbara Bulhosa, Bernardo Sassetti, Boaventura de Sousa Santos, Bruno Nogueira, Carlos Fiolhais, Carlos Poiares, Catarina Furtado, Catarina Portas, Clara Ferreira Alves, Dalila Carmo, Dalila Rodrigues, Daniel Oliveira, Daniel Sampaio, Daniela Ruah, David Fonseca, Delfim Sardo, Desidério Murcho, Diana Andringa, Diogo Infante, Duarte Cordeiro, Edite Estrela, Edgar Taborda Lopes, Eduarda Abbondanza, Eduardo Dâmaso, Eduardo Pitta, Eurico Reis.


Fátima Bonifácio, Fátima Lopes, Fernanda Fragateiro, Fernanda Lapa, Fernando Alvim, Fernando Rosas, Fernando Pinto do Amaral, Francisco George, Francisco Teixeira da Mota, Gabriela Moita, Gonçalo M Tavares, Graça Morais, Guta Moura Guedes, Helena Pinto, Helena Roseta, Heloísa Apolónia, Heloísa Santos, Henrique de Barros, Herman José.


Inês Castelo-Branco, Inês de Medeiros, Inês Pedrosa, Irene Pimentel, Isabel do Carmo, Isabel Mayer Moreira, Jamila Madeira, João Gil, João Luís Carrilho da Graça, João Salaviza, José Diogo Quintela, José João Zoio, José Luís Peixoto, José Manuel Pureza, José Maria Vieira Mendes, José Mário Branco, José Saramago, José Wallenstein, Julião Sarmento, Júlio Machado Vaz, Lena Aires, Leonor Xavier, Lídia Jorge, Lígia Amâncio, Lili Caneças, Luís Capoulas Santos, Luís Eloy, Luís Fazenda, Luís Filipe Costa, Luís Miguel Viana, Luís Osório, Mafalda Ivo Cruz, Manuel Graça Dias, Manuel Hermida, Marco Delgado, Margarida Gaspar de Matos, Margarida Vila-Nova, Maria João Luís, Maria João Seixas, Maria Isabel Barreno, Maria Rueff, Maria Velho da Costa, Marta Crawford, Marta Rebelo, Merche Romero.


Miguel Lobo Antunes, Miguel Portas, Miguel Sousa Tavares, Miguel Vale de Almeida, Nuno Artur Silva, Nuno Costa Santos, Nuno Galopim, Nuno Lopes, Nuno Markl, Odete Santos, Patrícia Vasconcelos, Paula Lobo Antunes, Paula Neves, Paulo Baldaia, Paulo Pena, Paulo Pires, Paulo Trezentos, Pedro Calapez, Pedro Marques Lopes, Pedro Nuno Santos, Pêpê Rapazote, Piet Hein Bakker, Ricardo Araújo Pereira, Ricardo Pais, Richard Zimler, Rosa Mota, Rui Cardoso Martins, Rui Pena Pires, Rui Reininho, Rui Rangel, Rui Tavares, Rui Zink, Sérgio Godinho, Sérgio Trefaut, Solange F., Sofia Aparício, Soraia Chaves, Teresa Beleza, Teresa Guilherme, Vasco Rato, Vera Mantero, Vital Moreira, Wanda Stuart, Xana, Zé Pedro.


(Estes são alguns dos mais de 800 900 subscritores do Movimento pela Igualdade e do respectivo manifesto a favor do casamento civil das pessoas do mesmo sexo, um movimento da sociedade civil que será lançado no domingo, dia 31, às 16.00, no Cinema São Jorge, em Lisboa. Mova-se também.)"

 

No Jugular e no DN, pela Fernanda Câncio.

 

Eu e a Cosmo também somos subscritoras e eu estarei no Domingo, no Cinema São Jorge em Lisboa, para assistir à apresentação formal do MPI.

 

Buraco tapado por Citadina às 14:31
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