Sábado, 20 de Junho de 2009

Porque hoje é sábado!

 

Porque hoje é sábado, acordo embalada com o cantarolar da Carolina debaixo da minha janela.

 

Porque hoje é sábado, tomo o café com o coração marejado de lágrimas de saudades vossas.

 

Porque hoje é sábado, e sou responsável pelas minhas rosas, não apanho o avião para casa.

Buraco tapado por Cosmopolita às 15:41
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Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

Mais uma corrente que morre às minhas implacáveis mãos

A WL do Capuccino desafiou-me para:

 

a) Escrever uma lista com 8 coisas que sonho fazer ou com as quais sonhe;
b) Convidar 8 bloguistas a responder ao mesmo;
c) Comentar no blog de quem partiu o desafio;
d) Comentar no blog de quem desafiamos;
e) Mencionar as regras.

 

Já tive oportunidade de lhe agradecer e dizer que as alíneas b) e d) estão fora de questão porque tenho alma de quebra-correntes, forjada à laia de muitos mails do género "Olá, eu sou a Mafalda e estou a morrer de cancro, ajuda-me depositanto 20€ na seguinte conta para financiar a minha viagem a Londres onde há um médico muito especial e só ele é que me pode salvar. Mais importante ainda, passa isto a todos os teus contactos.".

Hoje em dia não consigo ser racional sobre isto, chega ao pé de mim uma corrente e eu, pás!, quebro-a.

O que não quer dizer que eu não possa responder aos desafios, mesmo que não desafie mais ninguém.

Sendo assim, aqui vai, oito desejos, não é?

  • Nunca ter de viver sob nenhum género de ditadura, nem sequer a do proletariado;
  • Nunca viver em guerra nem consumida pelo medo;
  • Nunca ter acesso ou conviver com armas de fogo, pelo menos até ao dia em que precise de uma para me matar;
  • Saber sempre rir-me de mim própria como me rio dos outros;

 

(em quantos vai? OK, agora uma ou duas coisitas que sonho fazer. Ou três.)

  • Escrever um livro. Não, escrever vários livros muito bons, assim é que é;
  • Acordar um dia e descobrir que sei tocar piano muito melhor que a Maria João Pires;
  • Ser a cicerone do Eça de Queiróz na sua viagem ao futuro, explicar-lhe como andamos a foder isto tudo ainda mais que no tempo dele, mostrar-lhe os avanços da tecnologia "então não sabes conduzir um carro com mudanças automáticas, pá? Então vá, eu ensino-te.", "Atende o telemóvel, meu!", "Olha, aquele é que é o Sócrates.", etc., e discutir com ele como é que nós os dois vamos salvar a humanidade. 
  • E finalmente, como disse o Ricardo Reis, se não era isto era qualquer coisa do género, estou a citar de cor e a minha memória é o que se sabe, "aos deuses peço só que me concedam o nada lhes pedir.".
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Buraco tapado por Citadina às 15:04
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Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Mitos

Há assuntos em que prefiro o imaginário à realidade. E, aparentemente, não serei a única. Por exemplo:

Há restaurantes, tascas, etc., nas quais gosto particularmente de comer e onde nunca por nunca entraria na cozinha. Poderia correr o risco de nunca mais lá conseguir voltar.

Do mesmo modo, há actores, actrizes, encenadores que me marcaram de forma singular. Talvez porque tenham morrido demasiado cedo e permaneçam eternos no seu glamour ou apenas porque nunca os conhecemos pessoalmente nem a sua forma de pensar. Veja-se o caso da Marilyn Monroe, do James Dean e, mais recentemente, do promissor actor Heath Ledger e veja-se o caso da Brigitte Bardot, tão cantada na sua juventude por Miguel Gustavo, entre outros, e tão contestada hoje pelas razões opostas: a sua degradação física e, para mim, sobretudo por incitar ao ódio racial, por atacar gays, imigrantes e desempregados, enquanto gasta fortunas com animais. A canção de Tomzé sobre ela chega a ser cruel de tão verdadeira:

 

“A Brigitte Bardot está ficando velha,
envelheceu antes dos nossos sonhos.
Coitada da Brigitte Bardot,
que era uma moça bonita,
mas ela mesma não podia ser um sonho
para nunca envelhecer.

A Brigitte Bardot está se desmanchando
e os nossos sonhos querem pedir divórcio.
Pelo mundo inteiro
milhões e milhões de sonhos
querem também pedir divórcio....”

 

 

Há escritores, poetas, cantores que evitarei a todo o custo conhecer sob pena de a sua obra, independentemente da qualidade, ser adulterada pela personalidade do autor.

Há paixões e amores que nunca quis nem quererei viver. Prefiro uma boa e sólida amizade ao desencanto e afastamento que a tentação de os viver pudesse provocar. Nisto também não estou só. Reinaldo Ferreira, o meu poeta favorito, no seu livro “Um vôo cego a nada” no capítulo sobre Algumas breves poesias de amores fictícios, tem este poema magistral:

 

“De Copélia guardo três cartas melancólicas,
Um laço e, de uma rosa
Que o perfume aprendeu nos seus cabelos,
Um esvaído botão.
Evade-se do todo um halo a antigo, triste.
Claro que Copélia não existe
E as cartas também não.
Só é real porque me falta.
Porque a não tive creio nela e creio
Na memória de quem foi no meu passado;
Nos passeios furtivos que tivemos;
Nos astros que pusemos
Nalgum beijo trocado;
Na exaltação de certa dança, alada
Na sensação de que uma nuvem me enlaçasse;
E na suave e pura e filtrada emoção
De alguma vez que a sua mão
Entre as minhas tardasse.
Esta é Copélia a quem, se acaso dado fosse
Nascer ou ter vivido,
Rígido pai ma recusasse,
Lírico mal ma arrebatasse
Sem a ter possuído,
Para que doutro ou morta virgem
Ilesa e viva dentro de mim permanecesse."

 

Como diria alguém de cujo nome não me recordo “A melhor forma de manter vivo um sonho é nunca o concretizando.”.

Buraco tapado por Cosmopolita às 11:38
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Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Poema narcótico

Ontem comecei a sonhar algum tempo antes de adormecer.

Sonhei que os anos 80 me perseguiam a alta velocidade, num veículo de vidros fumados onde se escondiam todas aquelas modas carentes de sentido estético e sobriedade psicotrópica.

Acordei sobressaltada ainda antes de cair no primeiro sono.

Constatei que não era sonho, era a realidade a acontecer no meu quarto: a minha mulher dizia-me que tinha encontrado numa velha agenda um poema que (lhe?) escrevi há anos e que era muito bonito.

"O que dizia o poema?"

Não sabia. Deu-me um comprimido para dormir e diz que o recitei toda a noite.

Hoje de manhã acordei com a cara inchada, mas (ainda) não me lembrava de nada.

Buraco tapado por Citadina às 15:38
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Terça-feira, 25 de Março de 2008

Alguém anda a viver o meu sonho


(foto roubada aqui)

Miguel Sacramento e Clara Faria Piçarra estão a dar a volta ao mundo em doze meses, nadando com focas na Nova Zelândia, percorrendo os glaciares patagónicos, vivendo a passagem do ano chinês em Pequim, banhando-se nas praias das ilhas polinésias, navegando até à Ilha da Páscoa, lendo o diário do fim do mundo in loco, escrevendo a História à medida que ela acontece no Tibete.
Registam esta viagem no blog Histórias do Mundo. Melhor que acompanhar este périplo através dele, só se for fazê-lo eu.

Buraco tapado por Citadina às 15:05
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Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

Resoluções super-tardias para o resto da vida

A começar já em 2008, ainda no princípio (aceita-se?), proponho-me fazer várias coisas giras, mas giras mesmo, que há muito desejo fazer mas para as quais me faltava a proposta formal, idealmente ratificada por testemunhas que me agoirem e/ou se consumam de preocupação, em vez de acharem que me faz bem como terapia ocupacional. Isso vai-me dar sorte e proteger de certeza, principalmente os agoiros.

A formalidade tem aqui o papel distintivo por oposição à clandestinidade (para começar logo de maneira diferente), dado que a última coisa gira que fiz (na clandestinidade) me forçou a uma estadia mais ou menos desagradável nos cuidados intensivos do Hospital Garcia de Orta (lugarejo sinistro, mas soalheiro quase sempre e cheio de gente fixe), pelo que importa, acima de tudo, tentar alterar o curso dos acontecimentos e que a história se deixe desse viciozinho horrível de repetição.

Assim, proponho-me formalmente, ainda durante a vida que me resta - porque na morte é fácil, há tempo para tudo - a: saber pilotar aviões (podem ser pequenos), barcos a motor, à vela (sem ajuda) e motociclos com mudanças (de alta cilindrada, sim).
Isto para minha segurança.
Helicópteros não me parece porque são aparelhos que conseguem mexer-se para demasiados lados ao mesmo tempo e faz-me confusão. Importa é que sejam experiências reais de saber fazer, no sentido de saber viver, o que não se coaduna com pseudo conhecimentos adquiridos a partir do sofá da sala manobrando o joystick de uma Playstation®.

No capítulo das viagens a Meca, quero subir a uma montanha muito alta, com neves eternas enquanto existe tal coisa, mas que cá em baixo tenha uma savana com leõezinhos e elefantes bebés (o Kilimanjaro ainda tem neves eternas? Se não, não quero. Fico-me pela savana). Viajar até aos continentes gelados antes de eles liquidificarem. Ver com estes olhinhos que o forno há-de cremar o Uluru, fazer-lhe festinhas e ver o monólito mudar de cor (não sei porquê, quero). E já que estou nas redondezas, ir venerar o maior organismo vivo do planeta e o único visível do espaço, mesmo com todas as suas medusas-caixa, polvinhos tóxicos e crocodilos de água salgada, enquanto também ele não se fina. Se fizer isto conservando intacta a minha integridade física - ou o que resta dela - , temos de admitir, sou uma gaja cheia de sorte que viveu uma vida plena de emoções e privilégios. Gravem isso na minha lápide, ou lá onde vão espalhar as cinzas.

Buraco tapado por Citadina às 10:47
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