Terça-feira, 6 de Fevereiro de 2007

Os do "nim"

Em desespero de causa, os do não, temendo a eminente derrota no referendo do próximo Domingo, vendo goradas as manobras de diversão destinadas a desviar a atenção dos eleitores daquilo que de facto está em discussão, adoptaram uma nova postura: são pelo "nim".

Não querem descriminalizar a interrupção voluntária da gravidez, mas por outro lado afirmam que não fazem questão que a lei seja aplicada. Eu nem comento esta posição disparatada. Restrinjo-me apenas ao essencial:

Se o sim ganhar, a lei actual, que criminaliza a mulher que aborta por opção com uma pena que pode ir até três anos de prisão, TEM de mudar.

Uma vitória do não PROÍBE, IMPEDE, a alteração da lei actual. Quer isto dizer que as mulheres que abortarem são para todos os efeitos criminosas; o aborto continua assim a ser clandestino; continua a ser feito (disso não tenham a mínima dúvida!!) sem condições mínimas de segurança, e por isso, a ser uma causa de morte e mutilação de muitas mulheres que não têm escolha nem apoio.

Não importa que os do "nim" digam o contrário, ou seja, que se o não ganhar se pode mudar a lei na mesma. NÃO É verdade. Não pode. Se o não ganhar, isso significa o mesmo que significou no passado referendo: nada muda. Até porque seria impossível, em democracia agir contráriamente à expressão de uma maioria. Se isso pudesse acontecer nunca mais um referendo teria legitimidade e seria levado a sério neste país.

O sim é, não pelo "aborto livre", como os do não e do "nim" fazem veicular, mas SIM pela "despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado".

Ou seja, sou eu que não sei ler, ou o "livre" não é livre, dadas as condições e limitações bem explícitas no texto da pergunta?! Ou esta tentativa de manipulação é tão patética que se dirige apenas aos iletrados?

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Buraco tapado por Citadina às 02:06
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