Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2007

Times are a changin'

Em noite de Óscares da Academia, veio-me à memória esta fotografia que tirei em Hollywood Boulevard em Fevereiro de 2005.
 
 
Por essa mesma altura, George W. Bush tinha conseguido a sua reeleição para Presidente dos EUA, mais especificamente, no fim do ano de 2004.
Em resposta aos movimentos cívicos contra as políticas da Administração Bush que se multiplicavam em Hollywood, alguém (uma "organização de cidadãos") decide, provavelmente com o patrocínio da Casa Branca e/ou do Governo Estadual da Califórnia,  fazer esta "pequena provocação", que em minha opinião diz tudo sobre a prepotência, a arrogância e a mentalidade fascista de Bush.
Expondo desta forma nomes (e caras) que lutaram contra a sua reeleição, como Michael Moore, Whoopi Goldberg, Barbra Streisand, Sean Penn, entre outros, a questão política é transformada numa guerra pessoal e é transmitida uma mensagem que pretende ser intimidante: Still President. Thank you Hollywood."
Isto é de tão mau gosto que francamente só me lembra rituais medievais de caça às bruxas, de fogueiras em praça pública, de humilhação do inimigo no seu território. O princípio é o mesmo, a mentalidade é a mesma, os métodos é que são um bocadinho mais sofisticados. Mas já não se usa. A não ser por gente como Bush.
 
Dois anos depois, na 79ª edição dos Academy Awards, filmes e documentários como "Babel" e "Uma Verdade Inconveniente" estão distinguidos com nomeações e Ellen DeGeneres, cicerone da Cerimónia de Entrega das estatuetas douradas, faz constantes referências, logo na sua primeira intervenção, em tom irónico, mas não menos acutilante, às questões de descriminação de raça, credo e orientação sexual, assim como à questão das eleições viciadas, referindo-se especificamente à derrota de Al Gore na corrida à Casa Branca aquando da primeira "eleição" de George W. Bush. E porquê? Porque estas referências estão em todo o lado. São incontornáveis. Estão nos filmes, na Academia, nas ruas, nas mentes dos americanos. Cada vez mais, e mais fortes.

Parece que o obscurantismo patente em propagandas como aquela do cartaz já não podem vingar, e se começa a vislumbrar um novo ciclo. "The Times They Are A Changin '".


Buraco tapado por Citadina às 14:17
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