Segunda-feira, 12 de Março de 2007

A Irmandade da Rosa Negra

A Irmandade da Rosa Negra é um grupo de viajantes fortuitos que se constituiu este fim de semana, vagueando pela Serra da Estrela por entre declives vertiginosos e lagoas muito azuis a brilhar ao sol, complementando as incursões diurnas com rondas da noite, debaixo de um céu pejado de estrelas como já é impossível avistar de Lisboa.
Fãs do vá-para-fora-de-qualquer-maneira, cá dentro ou lá fora, o que importa é ir, foram, na sexta à noite, batendo-se por um lugar à frente, num caminho cheio de luzes infernais e obstáculos vários, mais conhecido por A1.
Mais adiante conquistaram a A23, que segue o Tejo ao contrário desde Abrantes até Vila Velha de Ródão, onde dele se despede e aponta a norte, rumando até à Guarda.
Nos entremeios, fotografias na memória, apesar da noite escura, da vasta Cova da Beira ponteada de luzes, da quase-montanha Gardunha, acima e abaixo, da Covilhã promissora, guardando os cumes escuros lá muito no alto dessa sim, a Estrela.
Porque lhe chamarão "serra"? Haverá com certeza razão, científica ou mera convenção, mas o que ela transmite é "montanha".
A Irmandade saltou da rota em Belmonte e seguiu às apalpadelas até à Quinta da Cortexeira , onde repousou, enfim.
 
De manhã acordaram ao som do correr de um rio. Era o Zêzere, por baixo da janela, sulcando o seu leito pedregoso, reflectindo a luz do sol intenso na sua torrente cristalina.
Em Manteigas, o pequeno-almoço que lhes daria forças para o abraço ao parque natural.
Ele foi Poço do Inferno, que de tormentoso nada tem, é apenas uma alta queda de água escurecida pela densa floresta de castanheiros e pela parede granítica, que impede o sol de chegar cá abaixo, ao nível das águas límpidas que se acumulam em lagoas cavadas na rocha.
Foi Covão da Ametade, vigiado por esse maciço imponente que é o Cântaro Magro, berço do Zêzere; foi vale glaciar acima até à Torre, cuja fauna consumista em romaria lembrava uma espécie de Colombo sem tecto, em vésperas de Natal, congelado ao sol e ao vento, a dois mil metros de altitude.
Foi Lagoa Comprida ao sabor de sandes de queijo da Serra e licor de zimbro, à vista de cães da Serra puros e outros que nem por isso.

E foi uma secreta peregrinação a esse bastião da gastronomia serrana, O Albertino do Folgosinho. Aí pecariam muito: a feijoada de javali, o coelho em arroz de cabidela, o cabrito assado na brasa, a vitela estufada e o leitão. Ainda havia bacalhau à lagareiro, mas espaço nos estômagos rotundos é que já não.

 

(continua, com texto e fotos)

Buraco tapado por Citadina às 17:31
Link do post
De Duca a 13 de Março de 2007 às 10:35
Pelos vistos, minha querida, não exagerei pois o post foi merecedor de destaque, com toda a justiça. Parabéns, linda!

Um beijo desta tua amiga inchada de orgulho.
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