Terça-feira, 24 de Abril de 2007

Que a memória nunca morra

Zeca Afonso escreveu esta canção em honra ao pintor e escultor José Dias Coelho, assassinado a tiro pela PIDE em 1961, numa rua de Alcântara, em Lisboa, que tem hoje o seu nome.
Cantou-a pela primeira vez num concerto que deu na Galiza, em 1972. É bom não esquecer que há 33 anos, a morte em Portugal ainda era assim:
 
 
A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome para qualquer fim
 
Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue de um peito aberto sai
 
O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
 
E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte o Pintor morreu
 
Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale
 
À lei assassina, a morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou
 
Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
 
Na curva da estrada há covas feitas no chão
E em todas florirão rosas de uma nação.
Buraco tapado por Citadina às 14:17
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