Sexta-feira, 12 de Outubro de 2007

(In)fidelidade

Em conversa com uma amiga, surgiu a seguinte questão, que é aliás recorrente nos dias de hoje: Será o ser humano infiel por natureza?

Será a fidelidade uma construção criada pelas sociedades para garantir que a propriedade privada passe de membros de uma mesma família para outros dessa mesma família? Ou terá sido imposta por razões religiosas? "Não cobiçarás a mulher do outro"?

Ou terá antes a ver com o desejo de posse e sentido de propriedade? De controlo do outro? O medo da solidão? A insegurança?

Será que estamos a contrariar um impulso perfeitamente natural através de mecanismos de culpabilização e falsos critérios éticos e morais?

You tell me.


Buraco tapado por Cosmopolita às 16:19
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De Duca a 13 de Outubro de 2007 às 19:56
O ser humano, por natureza, não é monogâmico. Contudo, o surgimento dos clãs (famílias) e consequente necessidade de garantir a protecção da propriedade privada e, mais tarde, o factor religioso, cingiram os seres humanos à monogamia.

O desejo de posse, o controlo, o medo da solidão e a insegurança são sentimentos que advieram da necessidade do Homem se relacionar em grupo e, dos modelos sociais criados e que foi obrigado a seguir para ser aceite no grupo. Estes sentimentos foram transpostos para a relação monogâmica que era (e de certa forma ainda é) o garante da união entre clãs (famílias).

É claro que em termos da nossa natureza estamos a contrariar um impulso que nos é inerente. No entanto, dado o enraizamento dentro de nós de séculos e séculos de um modelo que, mal ou bem, construiu a sociedade tal como a conhecemos, faz com que por vezes optemos por nos mantermos monogâmicos.

Porém, não devemos enganar-nos e acreditarmos que sim, somos monogâmicos por natureza porque nenhum ser humano o é, mesmo que passe toda a sua vida com um só relacionamento. É que, de uma forma ou de outra, ele(a) já desejou outra(s) pessoa(s) e se não se relacionou com quem desejou foi por opção (esforçada).
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