Sexta-feira, 12 de Outubro de 2007

(In)fidelidade

Em conversa com uma amiga, surgiu a seguinte questão, que é aliás recorrente nos dias de hoje: Será o ser humano infiel por natureza?

Será a fidelidade uma construção criada pelas sociedades para garantir que a propriedade privada passe de membros de uma mesma família para outros dessa mesma família? Ou terá sido imposta por razões religiosas? "Não cobiçarás a mulher do outro"?

Ou terá antes a ver com o desejo de posse e sentido de propriedade? De controlo do outro? O medo da solidão? A insegurança?

Será que estamos a contrariar um impulso perfeitamente natural através de mecanismos de culpabilização e falsos critérios éticos e morais?

You tell me.


Buraco tapado por Cosmopolita às 16:19
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16 comentários:
De VH a 9 de Novembro de 2007
Minha querida amiga, se acreditamos em todas estas coisas sobre a (in)fidelidade, então porque nos é tão difícil aceitá-la? Não deveríamos conseguir trabalhar a nossa capacidade de acomodar a "pequena" traição? A pequena, porque a grande presumo que tenha um significado diferente e um impacto inevitavelmente mais sério. Como se mede a dimensão da traição? Pois... nível de afectividade pelo "outro", sei lá... Andamos para aqui às voltas com estas questiúnculas todas e os dias a passar. Dias que já não voltam, horas que se perderam. Isto não é fácil, de facto. Olha, quando nos vemos?
De Cosmopolita a 15 de Novembro de 2007
Minha querida, querida amiga!

Não posso falar pelos outros, mas posso dizer-te porque me é tão difícil aceitar emocional e afectivamente a infidelidade, quando e se tenho conhecimento dela. Por muito que racionalmente se possam compreender os processos, há alguns deles em que a emoção toma conta de nós e nos avassala. Isto no pressuposto de que ainda haja amor no casal...

Acho que nos casos da "pequena traição", se ela não for do nosso conhecimento, nenhum mal daí advém.

Se for do nosso conhecimento, há inevitavelmente uma sensação de menos valia que se instala, de complexos de inferioridade a nível afectivo e sexual, de falta de auto-estima, de passar todo o passado em revista e da sensação de se ter falhado algures, de incompreensão e descompensação, de curiosidade mórbida em se saber como se passaram as coisas sexualmente com o "outro parceiro", de ciúmes irracionais, de medo da perda, de injustiça, de deslealdade, de insegurança, de cobrança, de atenção exacerbada ao comportamento do nosso parceiro, de desconfiança permanente, de medo de nova entrega, de hipersensibilidade doentia, de incapacidade para continuarmos a ser os amantes que éramos antes por receio de comparações, etc.

Se a pessoa que foi infiel consegue perceber o que se passa na cabeça e coração do outro e ter paciência e amor suficiente para aguentar e tentar superar as consequências do seu acto no parceiro, se conseguir fazer que o outro se sinta seguro afectivamente e "vencedor" a nível sexual por comparação com o tal "caso", se não começar a achar que este é um chato e que é estúpido e obsesssivo em não perceber a falta de importância que o seu acto teve para a relação, então acredito que as mágoas com o tempo possam passar e a traição ser perdoada.

Caso contrário a relação fica ferida de morte.

Nos casos da grande traição, não posso apelidá-la de traição porque acredito que só acontece quando já não há amor de casal entre as pessoas. E aí deve conversar-se sobre o assunto e deve cada um seguir a sua vida.

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