Segunda-feira, 15 de Outubro de 2007

Caetano Veloso no Coliseu de Lisboa

No meio de tanto glamour quase deixava passar um dos momentos mais altos do meu Sábado.

Caetano no Coliseu de Lisboa, no seu melhor - atenção, eu não disse no seu mais clássico - explicando que, segundo o seu amigo Jorge Mautner, dizer "odeio você" é a forma mais profunda de se dizer "eu amo você".

Especialmente apropriado na sequência do post anterior e da complexidade das palavras, do discurso e da mensagem.

 

Odeio
Composição: Caetano Veloso

veio um golfinho do meio do mar roxo
veio sorrindo pra mim
hoje o sol veio vermelho como um rosto
vênus, diamante, jasmim
veio enfim o e-mail de alguém

veio a maior cornucópia de mulheres
todas mucosas pra mim
o mar se abriu pelo meio dos prazeres
dunas de ouro e marfim
foi assim, é assim, mas assim é demais também

odeio você, odeio você, odeio você
odeio

veio um garoto do arraial do cabo
belo como um serafim
forte e feliz feito um deus, feito um diabo
veio dizendo que sim
só eu, velho, sou feio e ninguém

veio e não veio quem eu desejaria
se dependesse de mim
são paulo em cheio nas luzes da bahia
tudo de bom e ruim
era o fim, é o fim, mas o fim é demais também

odeio você, odeio você, odeio você
odeio

 

Tags:
Buraco tapado por Citadina às 22:39
Link do post | Tapa também
9 comentários:
De nnanna a 17 de Outubro de 2007 às 02:04
Querida Ci, tenho para mim que o Caetano e o Chico Buarque (e antes o Vinicius) são poetas que um dia ainda hão-de ser lidos com o alto prazer respeitoso com que relemos Catulo, Camões, Petrarca e outros ilustríssimos. O Chico, então, da maneira como se consegue meter na pele e no coração das mulheres, é um milagre da Cova da Lírica, uma reencarnação de trovador das cantigas de amigo... de e ai deus i u é?...:)

Adorei ler este, que não conhecia. E muito também da opinião do teu amigo Jorge Mautner. Convergindo com o que ele diz, deixo aqui um dos meus predilectos do bahiano, meu bem, meu mal, que presumo, deves saber de cor.

Você é o meu caminho
meu vinho, meu vício
desde o início estava você
meu bálsamo benigno
meu signo, meu guru
Porto Seguro onde eu vou ter
meu mar e minha mãe
meu medo e meu champanhe
visão do espaço sideral
onde o que eu sou se afoga
meu fumo e minha ioga
você é minha droga
paixão e carnaval
meu zen, meu bem, meu mal
meu zen, meu bem, meu mal



Muitos beijinhos.
De Citadina a 17 de Outubro de 2007 às 13:13
Querida Nnanna,
Não podia estar mais de acordo contigo quando dizes que "o Caetano e o Chico Buarque (e antes o Vinicius) são poetas que um dia ainda hão-de ser lidos com o alto prazer respeitoso com que relemos Catulo, Camões, Petrarca e outros ilustríssimos."
O Chico é o génio da trova, mas o Caetano é "a" voz. Ainda hoje.
A música do vídeo faz parte do último álbum "Cê", que é o Caetano do século XXI e o Caetano da fase da vida em que se pode fazer tudo o que apetece, sem sequer pensar que o mundo lá fora é crítico acérrimo, quanto mais importar-se com isso.
E é assim que nascem os álbuns geniais e este é um deles. Forte, metalizado, cru, realista. Aconselho vivamente.
Certo é que se matam sempre as saudades com gosto, e ele ofereceu para isso, o extraordinário "Menino do Rio", beleza líquida com vista para Ipanema.
E tu agora ofereces-me este "meu bem, meu mal", a essência do amor. Obrigada :-)
Beijo grande!

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