Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008

Retrato de uma família moderna

Referindo-se a um episódio em que foi chamada à escola do filho mais velho por este alegadamente ter afirmado alto e em bom som, perante uma plateia de  beatos, que a mãe não era casada com o pai nem se queria casar, ela explicava-nos que de facto não era casada com o pai dos filhos dela, era mãe solteira a quem ele pagava pensão de alimentos. Falava daquele homem que estava na cozinha dela a ultimar os preparativos do jantar. "É que para ele conta como despesa 100% dedutível à colecta e para mim não conta como receita tributável."

Vivem juntos há dez anos com os seus dois filhos num ambiente familiar saudável, sem interferências de cariz religioso nem incentivos à natalidade. Ou será que os incentivos são precisamente estes? Não se deixar prejudicar pelo Estado através da discriminação tributária movida aos casados com filhos? Isto faz algum sentido?

Buraco tapado por Citadina às 17:59
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6 comentários:
De -pirata-vermelho- a 12 de Fevereiro de 2008 às 19:01
Dispiciendo, citadina o truquezinho - afinal o valor da pensão está já taxado, na origem e o abatimento à colecta afigura-se de pouca importância.
O interessante é a permanência da chic-esperteza, a eternizar degenerescência do sistema e a acentuar a falta de solidez da atitude que se queria civil(izada); enfim, antiguidades que AGORA já não contam mesmo nada - estamos falidos.

Quanto à comparação de situações que faz, não a saberia discutir isoladamente mas! não vejo como relacioná-la com o truquezinho d'economia da minh'avó.
De Citadina a 13 de Fevereiro de 2008 às 10:11
Caro Pirata,
Eu também não sou uma adepta da chico-esperteza. Não sou mesmo! Nem isso nem do oposto, ou seja, fundamentalista extremista do cumprimento cego das regras.
Percebo que a chico-esperteza exista em certos ambientes distorcidos, derivados de certas mentalidades forjadas por atrasos mentais, injustiças e infâmias várias. É a herança que nos calhou.
Por isso, continuo a dizer: os mecanismos devem ser concebidos de forma a, por si só, desencorajar a chico-esperteza e incentivar o cumprimento das regras que são reconhecidas como socialmente benéficas e justas.
Neste caso concreto, era tudo mais ou menos normal se houvesse uma compensação paralela aos casados com filhos - por exemplo, via Abono de Família - que se visse. Mas todos sabemos quanto é o Abono de Família... E não se vê.
Enfim, tema polémico, de facto, mas por isso mesmo é que o quis espetar aqui e agradeço-lhe a sua sempre estimulante participação.
Abraço.

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