Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008

Retrato de uma família moderna

Referindo-se a um episódio em que foi chamada à escola do filho mais velho por este alegadamente ter afirmado alto e em bom som, perante uma plateia de  beatos, que a mãe não era casada com o pai nem se queria casar, ela explicava-nos que de facto não era casada com o pai dos filhos dela, era mãe solteira a quem ele pagava pensão de alimentos. Falava daquele homem que estava na cozinha dela a ultimar os preparativos do jantar. "É que para ele conta como despesa 100% dedutível à colecta e para mim não conta como receita tributável."

Vivem juntos há dez anos com os seus dois filhos num ambiente familiar saudável, sem interferências de cariz religioso nem incentivos à natalidade. Ou será que os incentivos são precisamente estes? Não se deixar prejudicar pelo Estado através da discriminação tributária movida aos casados com filhos? Isto faz algum sentido?

Buraco tapado por Citadina às 17:59
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6 comentários:
De Zé da Burra o Alentejano a 14 de Fevereiro de 2008 às 17:01
As ajudas à natalidade, porque não são iguais para todas as famílias e ajudam mais as que não trabalham e têm muitos filhos, frequentemente vão para as famílias formadas por pais irresponsáveis, que só fazem contas ao "Rendimento Mínimo" e ao valor dos "Abonos das Crianças", sem se importarem em preparar o futuro dessas crianças.

Custa a admitir, mas assim sendo é uma espécie de exploração das crianças e dos contribuintes.

As pessoas responsáveis procuram primeiro preparar o futuro e só depois é que pensam em casar e ter filhos, mas não em número indeterminado, porque querem dar-lhes uma formação adequada e prepará-los para a vida, o que é cada vez mais difícil. Por isso é que as crianças vêm hoje mais tarde e os pais (responsáveis) têm poucos filhos. É normal que nos países mais desenvolvidos os filhos cheguem mais tarde e em menor número.

As ajudas são óptimas para o primeiro, mas insuficientes para o segundo.

Em vez desta política pseudo-social, melhor seria para as crianças que por vezes fossem retiradas aos pais irresponsáveis e oportunistas.
De Citadina a 15 de Fevereiro de 2008 às 13:06
É um ponto de vista interessante, sem dúvida, se bem que um bocadinho utópico na solução, uma vez que as instituições existentes já suportam muito mal as crianças votadas aos cuidados do "sistema".
Se fossem entregues ao sistema as crianças dos pais irresponsáveis e oportunistas em termos fiscais, que é do que estamos a falar, haveria um colapso daquele, com enorme prejuízo das crianças, que seriam vítimas duplamente (dos pais e do sistema), sem terem culpa nenhuma!
Obrigada pelo seu comentário, Zé.

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