Segunda-feira, 3 de Março de 2008

Falta de jeito para o liberalismo selvagem

Se pudesse escolher entre um emprego desafiante profissionalmente e outro que não o fosse, mas que em contrapartida me proporcionasse um manancial de disponibilidade para o lazer, a cultura e outras formas de alimentação do intelecto, não seria uma escolha fácil nem linear. Mas em ambas as hipóteses a motivação no meu dia-a-dia estaria assegurada.

Certo é que definharia a olhos vistos num emprego que não proporcionasse nem desafio nem disponibilidade, só por causa de dinheiro, só para acumular riqueza material.

O dinheiro é apenas um meio para adquirir qualidade de vida. Mas para a ter, é preciso dispor de tempo para dedicar a vivências qualitativas. No entanto, as vidas profissionais de hoje assemelham-se cada vez mais a novas fórmulas de escravidão que passam por viver exclusivamente para a "carreira" a maior parte da vida, sem tempo de qualidade para mais nada, apostando na esperança de gozar os hipotéticos frutos do esforço mais tarde.

Essa esperança num futuro ou fim dourado que pode nem chegar a existir, ou existindo, revelar-se falacioso, nas formas de exclusão social, ambiente destruído, guerras ou outras catástrofes que, por mais que lutemos não consigamos evitar, é um salto de fé que não consigo dar. Para mim só faz sentido lutar e contribuir agora por uma vida de qualidade hoje. Até porque, como dizia Keynes, a longo prazo estaremos todos mortos.

Buraco tapado por Citadina às 11:42
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