Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

Se corre o bicho pega, se fica o bicho come

Expliquem-me (outra vez) como se eu fosse muito burra.

Portugal é um dos países europeus que leva mais tempo a pagar as facturas e o Estado, nesse capítulo, é o pior dos portugueses.

Mas o Estado português quer que os desempregados ajudem a resolver a crise do desemprego embarcando em projectos a solo que automaticamente os removam das incómodas estatísticas.

Isto na prática significa que o Estado quer que alguém, que está em muito maus lençóis, faça um truque de magia para fazer nascer o montante necessário ao arranque de um negócio ou que, numa outra opção ainda mais parva, se ponha a pedir dinheiro emprestado para o tal projecto e ainda fique em piores lençóis, não é?

Não!, diz o Estado, porque o retorno do investimento vai resolver o problema do endividamento e incrementar a prosperidade!

Mas... Espera lá. Se um negócio implica vender alguma coisa a alguém e esse alguém (que são os portugueses todos, a começar pelo Estado) não pagam a tempo de se cumprir as prestações dos empréstimos contraídos para fazer o investimento no negócio, de que merda - literalmente - de retorno é que eles estão a falar?!

Buraco tapado por Citadina às 16:57
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De DD a 24 de Maio de 2008 às 22:54
Toda agente anda influenciada por uma Comunicação Social que só diz mal de Portugal. Há mesmo uma censura férrea da parte de patrões, directores, etc. que obrigam os jornalistas só a dizer mal.
Os bloguistas apanham o tique e só sabem dizer mal e queixar-se de tudo e de todos.
Pensa toda a gente que assim vai resolver algum problema. Não, vai tudo piorar.
Um blog que não diga mal da Pátria nunca é destacado, mesmo que contenha contos de bastante valor e histórias inéditas e revele assuntos de natureza cultural muito profunda.
Pode-se escrever muito sobre os avanços da técnica que nada é destacado porque não se está em guerra contra a Pátria; não se diz que a Pátria Portuguesa é o último país nesta e naquela estatística.
Tenho NOJO e estou FARTO desta repetição contínua do dizer mal da Pátria. Pázinhos, repetir que em Portugal ninguém paga, etc., etc. não tem valor, pois isso vem nos jornais gratuitos como o "Metro", "Destak" e "Global", os únicos que leio pois não dou dinheiro a quem diz mal da Pátria.
Este blog é mais um que repete e copia o dizer mal de Portugal.
De Citadina a 26 de Maio de 2008 às 11:40
Ora, ora, DD. Descubra lá as diferenças entre Portugal - o país - e as políticas governativas vigentes em Portugal. Vá lá, sabe muito bem que são coisas diferentes.
Se tenho espírito crítico é exactamente porque gosto do meu país e quero que ele melhore. E porque o tempo de "comer e calar" já acabou, felizmente.
Vejo pelo seu perfil que também é um homem político. Agora diga-me: só diz mal quando o seu partido está na oposição? Só diz bem (ou se abstém) quando o seu partido está no governo?
Sabe, a crítica é um instrumento essencial da Evolução.
Quer "ouvir-me" dizer bem de Portugal? Então leia este blog com mais atenção. É um convite.
E quanto a repetir que em Portugal ninguém paga, vá lá: abra bem os olhos e diga lá onde é que isso está escrito no meu post. Também é um convite. Porque o que o post denuncia é algo potencilamente mais grave, pelas falsas expectativas que gera: o que o post diz é que em Portugal, em média, ninguém paga a tempo. Em tempo útil, percebe? Sabe como funcionam os mercados? Consegue apreender a importância das expectativas na economia? Essa importância dava (e já deu!) vários tratados. Este estado de coisas não se coaduna com uma economia saudável e prosperante. O objectivo de chamar a atenção para este grave problema, meu caro, não é praticar a má-língua, como parece estar convencido. É dizer que isto tem de mudar, pelo bem dos portugueses e de Portugal. Serve-lhe, como amor (adulto e consciente) à pátria?
De DD a 26 de Maio de 2008 às 19:47
Portugal teve muitas vezes na sua história bons governantes desde D. Afonso Henriques, D. Dinis, D. João I, D. João II, D. Manuel, Marquês de Pombal, Fontes Pereira de Melo, Emídio Navarro, Afonso Costa e....? - só após umas décadas é que sabe se foram bons ou maus. Muita obra fizeram os primeiros liberais; mas para um país contemplativo que dizia mal dos governantes, pois nunca se fez nada em cima da hora; levámos 86 anos para chegar à Índia; os caminhos de ferro foram vilipendiados como inúteis até pelo Oliveira Martins em "Portugal Contemporâneo". Por causa do dizer mal, a sociedade civil ficou eternamente à espera do outro governo, o que faça, mas não se sabe bem o quê. Este nunca presta. E no PSD, o presidente do momento também nunca presta, há sempre um outro para vir. Actualmente estão em curso importantes reformas e entrou-se com vigor num novo campo energético e industrial, o das energias renováveis, com dezenas de fábricas a trabalhar e já a exportar. Mas a obra já leva dez anos e é cada vez mais premente. Eu fiz parte de uma Junta de Freguesia durante décadas que ajudou a resolver o problema social mais importante de Lisboa. Participei no levantamento estatístico e no registo das populações de gigantescos bairros de barracas, sendo que alguns eram tão sórdidos que uma pessoa perdia os sentidos ao entrar neles. Hoje, não existem. Mas, na campanha eleitoral a seguir levei tareia de toda a gente. Os burgueses diziam que andávamos a dar casas aos ciganos e pretos - sim há muito racismo na burguesia portuguesa - e os pobres queixavam-se que tinham de pagar rendas em função dos seus rendimentos, pelo que havia casais com reforma mínimas que pagavam 10 Euros por mês e outros que, por ganância, disseram que viviam com filhos e noras, todos a trabalhar, o que dava uma soma avultada, pelo que passaram a pagar rendas avultadas pelas casas maiores com cinco assoalhadas. Além disso não podiam roubar a electricidade dos candeeiros e registaram-se dois mortos na tarefa de fazer as ligações. Tive um grande orgulho, apesar de não ser minha obra, quando a UE concedeu o prémio europeu de arquitectura social aos prédios de realojamento da minha freguesia, em 1999. Os arquitectos foram uma alemã e o marido português, acompanhei-os quando a televisão alemã fez uma reportagem sobre o fim das barracas em Lisboa. Das televisões portuguesas nem uma palavra, só os protestos quando o João Soares entregava as chaves de uma série de casas sem que estivesse tudo feito; havia pessoas ainda não contempladas que chegaram a bater no João Soares.. O resultado foi que perdemos as eleições para o Santana Lopes, cuja primeira medida foi mandar parar a construção de um bairro de realojamento perto do Aqueduto Duarte Pacheco porque estragava a paisagem. Santana preferia as barracas a casas decentes para os mais pobres, ou antes, ele não queria um bairro de realojamento à vista de toda a gente; queria tudo escondido para evitar que digam bem do PS.
João Soares foi o presidente da CML que mais realojamento promoveu e foi o director do projecto Casal Ventoso que acabou com as casas degradadas da droga. Santana disse que ia fazer imenso nos prédios velhos de Lisboa que tinham senhorio, o qual podia melhorar o seu património com a ajuda do projecto Recria, mas a maior parte não queria porque esperava que a CML construísse casas para os seus inquilinos e eles deitavam aquilo abaixo para especularem com o terreno ou com novos apartamentos. Se visse o ódio dos habitantes de Telheiras aos edifícios amarelos de realojamento, junto ao ex-Carrefour. Era espantoso. Uma vez fui com o João Soares a uma escola em Telheiras fazer uma sessão e levámos tareia, até me partiram os óculos, porque as pessoas queriam que a CML impedisse os filhos das pessoas que trabalham em Telheiras de frequentar a escola. Não queriam que os pretitos e branquitos filhos de empregadas domésticos ou de restaurantes conspurcassem com a sua presença a imaculada brancura dos habitantes de Telheiras. Lisboa sem barracas é uma cidade europeia e na minha freguesia contribui também para que fossem requalificadas importantes áreas verdes que foram concretizadas depois e que hoje dão grande prazer a miúdos e graúdos praticantes de desportos, e não só.
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