Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

Se corre o bicho pega, se fica o bicho come

Expliquem-me (outra vez) como se eu fosse muito burra.

Portugal é um dos países europeus que leva mais tempo a pagar as facturas e o Estado, nesse capítulo, é o pior dos portugueses.

Mas o Estado português quer que os desempregados ajudem a resolver a crise do desemprego embarcando em projectos a solo que automaticamente os removam das incómodas estatísticas.

Isto na prática significa que o Estado quer que alguém, que está em muito maus lençóis, faça um truque de magia para fazer nascer o montante necessário ao arranque de um negócio ou que, numa outra opção ainda mais parva, se ponha a pedir dinheiro emprestado para o tal projecto e ainda fique em piores lençóis, não é?

Não!, diz o Estado, porque o retorno do investimento vai resolver o problema do endividamento e incrementar a prosperidade!

Mas... Espera lá. Se um negócio implica vender alguma coisa a alguém e esse alguém (que são os portugueses todos, a começar pelo Estado) não pagam a tempo de se cumprir as prestações dos empréstimos contraídos para fazer o investimento no negócio, de que merda - literalmente - de retorno é que eles estão a falar?!

Buraco tapado por Citadina às 16:57
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20 comentários:
De DD a 26 de Maio de 2008 às 19:47
Portugal teve muitas vezes na sua história bons governantes desde D. Afonso Henriques, D. Dinis, D. João I, D. João II, D. Manuel, Marquês de Pombal, Fontes Pereira de Melo, Emídio Navarro, Afonso Costa e....? - só após umas décadas é que sabe se foram bons ou maus. Muita obra fizeram os primeiros liberais; mas para um país contemplativo que dizia mal dos governantes, pois nunca se fez nada em cima da hora; levámos 86 anos para chegar à Índia; os caminhos de ferro foram vilipendiados como inúteis até pelo Oliveira Martins em "Portugal Contemporâneo". Por causa do dizer mal, a sociedade civil ficou eternamente à espera do outro governo, o que faça, mas não se sabe bem o quê. Este nunca presta. E no PSD, o presidente do momento também nunca presta, há sempre um outro para vir. Actualmente estão em curso importantes reformas e entrou-se com vigor num novo campo energético e industrial, o das energias renováveis, com dezenas de fábricas a trabalhar e já a exportar. Mas a obra já leva dez anos e é cada vez mais premente. Eu fiz parte de uma Junta de Freguesia durante décadas que ajudou a resolver o problema social mais importante de Lisboa. Participei no levantamento estatístico e no registo das populações de gigantescos bairros de barracas, sendo que alguns eram tão sórdidos que uma pessoa perdia os sentidos ao entrar neles. Hoje, não existem. Mas, na campanha eleitoral a seguir levei tareia de toda a gente. Os burgueses diziam que andávamos a dar casas aos ciganos e pretos - sim há muito racismo na burguesia portuguesa - e os pobres queixavam-se que tinham de pagar rendas em função dos seus rendimentos, pelo que havia casais com reforma mínimas que pagavam 10 Euros por mês e outros que, por ganância, disseram que viviam com filhos e noras, todos a trabalhar, o que dava uma soma avultada, pelo que passaram a pagar rendas avultadas pelas casas maiores com cinco assoalhadas. Além disso não podiam roubar a electricidade dos candeeiros e registaram-se dois mortos na tarefa de fazer as ligações. Tive um grande orgulho, apesar de não ser minha obra, quando a UE concedeu o prémio europeu de arquitectura social aos prédios de realojamento da minha freguesia, em 1999. Os arquitectos foram uma alemã e o marido português, acompanhei-os quando a televisão alemã fez uma reportagem sobre o fim das barracas em Lisboa. Das televisões portuguesas nem uma palavra, só os protestos quando o João Soares entregava as chaves de uma série de casas sem que estivesse tudo feito; havia pessoas ainda não contempladas que chegaram a bater no João Soares.. O resultado foi que perdemos as eleições para o Santana Lopes, cuja primeira medida foi mandar parar a construção de um bairro de realojamento perto do Aqueduto Duarte Pacheco porque estragava a paisagem. Santana preferia as barracas a casas decentes para os mais pobres, ou antes, ele não queria um bairro de realojamento à vista de toda a gente; queria tudo escondido para evitar que digam bem do PS.
João Soares foi o presidente da CML que mais realojamento promoveu e foi o director do projecto Casal Ventoso que acabou com as casas degradadas da droga. Santana disse que ia fazer imenso nos prédios velhos de Lisboa que tinham senhorio, o qual podia melhorar o seu património com a ajuda do projecto Recria, mas a maior parte não queria porque esperava que a CML construísse casas para os seus inquilinos e eles deitavam aquilo abaixo para especularem com o terreno ou com novos apartamentos. Se visse o ódio dos habitantes de Telheiras aos edifícios amarelos de realojamento, junto ao ex-Carrefour. Era espantoso. Uma vez fui com o João Soares a uma escola em Telheiras fazer uma sessão e levámos tareia, até me partiram os óculos, porque as pessoas queriam que a CML impedisse os filhos das pessoas que trabalham em Telheiras de frequentar a escola. Não queriam que os pretitos e branquitos filhos de empregadas domésticos ou de restaurantes conspurcassem com a sua presença a imaculada brancura dos habitantes de Telheiras. Lisboa sem barracas é uma cidade europeia e na minha freguesia contribui também para que fossem requalificadas importantes áreas verdes que foram concretizadas depois e que hoje dão grande prazer a miúdos e graúdos praticantes de desportos, e não só.
De Citadina a 28 de Maio de 2008 às 18:25
DD,
Eu compreendo perfeitamente o seu ponto de vista e tem razão em muitas coisas que diz, só não tem quando pretende "colar" este post a uma imagem de má-língua gratuita, porque não tem rigorosamente nada a ver.
Eu também lhe podia falar de muitas coisas que fiz (e faço) para que constatasse que eu não sou um parasita da sociedade, mas não quero maçá-lo.
Volte sempre, é muito bem-vindo.

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