Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Lesboa VIII: o bom, o mau e o cómico

O bom: a música. Nunca esteve tão boa, que eu me lembre. Acertaram em cheio, cá para os meus gostos, parabéns!

O mau: as casas de banho químicas. Ou deveria dizer as casas de banho radioactivas? O que é aquilo, minha gente?! Antes a mata que tal sorte, a sério, sempre é mais arejada e até estava um luar inspirador. De resto não houve nada verdadeiramente mau, pelo menos para quem tenha sentido de humor.

O cómico: aqui a lista é extensa. Entrava-se desde logo para um picadeiro imenso e subaproveitado mas isso, tenho a certeza, deveu-se a problemas de agenda dos foliões de Pamplona que ainda estariam a recuperar das largadas de touros deste ano, mas o lugar tinha potencial para correrias bem velozes na tentativa de salvar a vida.

Quanto a actividades mais íntimas, como é óbvio faltaram uns arbustos. Com um frio assinalável e um descampado daqueles aposto que ninguém conseguiu encontrar um lugar suficientemente acolhedor dentro do recinto para ser apanhado com a boca na botija, o que retira sempre uma certa emoção a estas reuniões. E assunto para falar no dia seguinte, como é?!

A barraca transparente poupava na sinaléctica, via-se perfeitamente da Praça do Comércio que a festa era ali. Aliás, caso um cigarro tivesse acidentalmente entrado em contacto com alguma das "paredes", tenho a certeza que se veria muito bem do Cabo Espichel, numa alegre antecipação das fogueiras de S. João e Deus sabe como tinha sabido bem algum calorzinho naquela noite fria.

Algum parolo com necessidades extremas de atenção foi de limousine branca de dez metros alugada, mas ainda bem porque nestes sítios é sempre bom ter alguém com quem gozar e é muito útil como assunto para meter conversa com desconhecidos, para quebrar o gelo, encetar engates e essas coisas. Um verdadeiro serviço público.

Os tapetes que pediram emprestados ao Circo Cardinalli foram muito úteis como "lama free zone" para as parvas que resolveram levar sapatos bons em geral e saltos altos em particular.

Em suma: diverti-me muito. Foi, de facto, a Lesboa mais cómica jamais organizada. O que prova que é quando a organização mais se esforça por não ser levada a sério que melhor consegue divertir o público da festa. É uma estratégia de sucesso tão legítima como outra qualquer, minha gente!

 

(Foto roubada aqui).

Buraco tapado por Citadina às 16:23
Link do post | Tapa também
15 comentários:
De Lou a 26 de Maio de 2008 às 18:22
Que olhar sarcástico, citadina. Fartei-me de rir. Não falhei as primeiras três ou quatro festas, mas depois daquela edição no barracão de Alcântara o nível de qualidade e de bom gosto tem descido assustadoramente. Sugiro uma mudança de nome.
De Citadina a 30 de Maio de 2008 às 14:38
Há que ter algum sentido de humor e/ou não me levar demasiado a sério, senão há o risco de (lhes) surgirem problemas gástricos e não vale a pena.
Perdi essa do barracão de Alcântara, mas a seguir já houve outras muitíssimo boas.
Aliás: esta FOI boa! Muito cómica e sui generis, mas boa!

Always see the bright side of life!
De Kigila a 26 de Maio de 2008 às 23:51
Olá Cita.
Faltou comentar o óptimo serviço de bar. Não houvesse uma "angolana" no grupo e morria-se de sede.
De Citadina a 30 de Maio de 2008 às 14:27
É verdade, Kigila!
O serviço de bar nem era dos piores que eu vi em Lesboas, aliás, até era dos melhores, o sistema de senhas é que é sempre a mesma merda!! Não dá vazão.
Eu compreendo que esse sistema garanta um controle de dinheiros que outros mais "consumer-friendly" não garantem, mas há-de haver mais (do que uma ou duas) pessoas a quem se possa confiar a tarefa, ou não?!
Acho que a solução para o problema dos bares é e sempre foi: MAIS! Mais pessoas a vender senhas, mais bares. Há mercado, minha gente, há mercado!! Assim estão a desperdiçar oportunidades de receita extra!
De Cosmopolita a 27 de Maio de 2008 às 15:48
Concordo com a Lou que, a continuarem assim estas festas, o nome Lesboa seja mudado para Lesmá!

Nem se percebe a falta de nível da última organização. Sei que deve ser difícil, mas não é impossível, com um bocado de planeamento, conhecimentos no meio e a devida antecipação, organizar eventos com a qualidade que a as pessoas que os frequentam merecem.

Assim, parecíamos uma cambada de animais numa tenda de circo. Felizmente havia lá um pufo jeitoso onde, embora aos molhos, se pudesse estar meio deitado a ver o espetáculo. Sim, porque lá fora, o ar frio do rio entrava pelos ossos dentro e quaisquer saltos se convertiam em chinelos no meio da lama.

E kigila, acho que da próxima vez haja mais "angolanos"... Pelo menos apanhávamos uma boa piela.
De Citadina a 30 de Maio de 2008 às 14:12
Cosmo,
Como sabes eu sou um bocadinho menos radical que tu, portanto continuo a achar que a Lesboa não merece mudar de nome para "Lesmá", mesmo depois de uma ou outra má (ok, péssima) escolha.
Acontece, só quem não faz é que não erra. E uma organização destas não é fácil, verdade seja dita.
Fica o inegável mérito de reunir muita gente (ainda estamos à espera do tradicional "balanço" da organização, portanto não podemos dizer quanta) à volta de um tema, uma causa e uma cidade, e fica, paralelamente, o desafio constante de melhorar.
Quem se mete nelas tem que aguentar com os sucessos e os fracassos, a vida é assim. Mas há que sublinhar a coragem de quem se chega à frente e faz alguma coisa. Por isso, por mim, força Lesboa!
De Natur Line Sex a 27 de Maio de 2008 às 16:34
E kigila, acho que da próxima vez haja mais "angolanos"... Pelo menos apanhávamos uma boa piela.
De Tiago a 27 de Maio de 2008 às 21:22
Excelente blog ! parabens
De Citadina a 30 de Maio de 2008 às 13:56
Obrigada, Tiago.
De DD a 27 de Maio de 2008 às 21:53
Signorina!

Mas então, a Limousine que está ali ao pé da Azinhaga da Cidade aluga-se?
Não sabia, passo por aquele monstro todos os dias antes de cruzar a Azinhaga da Cidade na Estrada da Torre..
Aquele "bicho" mecânico é alvo da chacota dos nativos do sítio; é a maior Limousine de Lisboa e, talvez, a única com dez metros ou dez passos de comprimento e pertence à "Universidade da Condução" ??? Eles designam-se assim no camião de instrução.
A Limousine oferece cartas de condução a 52 euros mensais. Devem equivaler à licenciatura de Bolonha. Depois vem o mestrado que é a carta de pesados e o doutoramente que seria a carta profissional dos TIR.

Já espreitei para dentro da Limousine. Aquilo tem dois longos "Strapontins" (Bancos corridos laterais) e um banco atrás e outro à frente de costas para o condutor; tudo com mesinha e bar. Enfim, aquilo veio dos "States" da marca Lincoln e pertenceu a um "Capo de la Mafia Americana" para fazer reuniões com os "fratelli mafiosi, ecco, ecco". "Ma si non ei vero, ei bene truvato, ecco."

Buena Sera Signorina
De Citadina a 30 de Maio de 2008 às 14:20
Bongiourno DD!
Não conto que ainda esteja acordado à espera da minha resposta, mas mesmo assim peço desculpa pelo atraso, a (minha) vida é assim.
Não devemos estar a falar da mesma Limousine... Essa que refere, apesar de eu viver perto, nunca reparei nela, veja lá se é possível!
A que eu refiro não tinha nada escrito, nem sobre dono nem sobre ofertas. Não, aquela era mesmo alugada, deve ser uma nova bimbo-moda.
Ecco.

De Pugo a 31 de Maio de 2008 às 17:20
Mas afinal quem ía na Limousine????? A Lady Bety e o Zezinho???? ahahahah
De Citadina a 2 de Junho de 2008 às 12:28
Podia ser... Mas como esta era uma festa muito pouco "exclusiva"e sem cobertura da revista Caras, é duvidoso.
De Baby Blue Eyes a 1 de Junho de 2008 às 22:00
Hummm...nesta coisa de festas com bilhetes a 15€ não consigo ter assim muito sentido de humor. Mas... Lesboas não são definitivamente a minha onda.
De Citadina a 2 de Junho de 2008 às 12:31
BBE,
Eu divirto-me sempre muito! Por uma razão ou por outra...

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