Quarta-feira, 22 de Julho de 2009

O vírus do comunismo

Os meus pais são comunistas. Isto começou por criar alguns problemas na escola primária, onde eu não soube reagir da melhor forma nem compreender a razão da animosidade que me dirigiram os ranhosos dos meus colegas quando souberam.

Mas como eles eram muitos e hostis, e eu já atingia a minha quota de porrada diária por outras razões (como por usar óculos e por ter sotaque do Porto) passei a esconder o comunismo familiar como se fosse uma doença vergonhosa e isto durou até encontrar outros colegas de escola, alguns anos mais tarde,  que padeciam da mesma enfermidade.

Nessa altura, o desenvolvimento psicológico e crítico próprio da adolescência já me permitiu indagar e reflectir sobre o assunto e, de facto, comecei a admirar a teoria.

A génese filosófica e ética do ideal comunista ilustrada pelos princípios de igualdade e fraternidade é suficiente, creio, para explicar a sua capacidade de mobilização. Quanto mais não seja, sustentou a minha atracção pela ideologia. Mas não implicou que eu fosse incapaz de reconhecer a utopia subjacente a uma sociedade sem classes, sem Estado, baseada na propriedade comum dos meios de produção, com a consequente abolição da propriedade privada e caracterizada pelo controle dos meios de produção pelos trabalhadores através de associações livres de produtores.

Aliás, os próprios comunistas também reconhecem a utopia, parece-me, tendo-se ficado pela primeira fase do Processo Revolucionário, assente em sistemas políticos socialistas, face à impossibilidade de implementar a segunda fase que seria a efectivação de sistemas políticos comunistas.

É verdade que muitos regimes socialistas baseados em ideais comunistas culminaram em abusos de poder e restrições da liberdade inaceitáveis.

Por outro lado, é estúpido negar, no caso português, embora alguns tentem, as preciosas e sofridas contribuições do PCP para o fim da ditadura salazarista e da miséria intelectual e material em que o país se viu afundado por cinco décadas de fascismo.

E não adianta tentar colar o "comunismo" português aos "comunismos" totalitários da China, da Coreia do Norte, etc., porque o "comunismo" português é democrata, defende e lutou pela democracia portuguesa como nenhum outro partido e, acima de tudo nunca sugeriu "suspendê-la", como certa pessoa que neste momento até é candidata a Primeira Ministra fez. 

Eu, como portuguesa ciente e orgulhosa da minha história também sofro dessa enfermidade, também estou contaminada pelo vírus do "comunismo", porque acredito que é possível ter liberdade real e socialismo efectivo em Portugal. Não sou, na minha aparentemente antagónica posição, nem anticomunista primária nem pró-comunista cega.

E as aspas acima uso-as porque tenho a teoria de que a denominação dos partidos  portugueses (quase todos) é enganadora: seria mais fiel à realidade portuguesa que o PCP se chamasse "Partido Socialista", porque é o que ele é, assim como que o PS se chamasse "Partido Social Democrata", o PSD "Partido Conservador" e o CDS "Partido Nacionalista Cristão".

Buraco tapado por Citadina às 16:13
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Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Das manadas

Um dos mais observados - e tristes, diga-se de passagem - comportamentos de grupo é a legitimação por via d' "o pessoal". Funciona assim: se  "o pessoal" diz todo que alguém é [preencher com classificativo conveniente], eh pá, então... é porque é!

Buraco tapado por Citadina às 13:59
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Terça-feira, 7 de Julho de 2009

AC/DC

Se há um momento generalista que separa claramente a vida de uma pessoa em "antes de" e "depois de", acho que ele tem a ver com a destruição da utopia da eternidade: seja dos amigos para sempre ou dos amores para sempre, da estabilidade para sempre ou da razão para sempre.

Buraco tapado por Citadina às 13:02
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Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Às vezes questiono-me sobre mim própria

Com que idade é que a ingenuidade deixa de poder servir de desculpa para a estupidez?

Buraco tapado por Citadina às 12:22
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Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Ser português - um desabafo caricatural social

Quando tento caracterizar a mentalidade lusitana - e não tento muitas vezes para não me chatear - não consigo deixar de chegar à conclusão que ser português é, acima de tudo, ser desconfiado. É desconfiar de tudo e de todos. É ver intenções duvidosas em toda e qualquer pessoa, intriga e propósitos dissimulados em qualquer conversa. É interpretar da forma mais alucinada possível as palavras e as acções dos interlocutores, sejam meros desconhecidos ou amigos de longa data, não interessa o grau de proximidade ou até mesmo de parentesco, o que interessa é arranjar motivos para se criticar, julgar e condenar sumariamente (quase sempre pelas costas, claro, que a coragem é uma qualidade rara).

E essa tendência observa-se em qualquer lugar e é cega a classes sociais, níveis escolares, crenças religiosas, tonalidade da pele e volume do saldo bancário. Basta ser português.

 

Mas há dias em que tenho a certeza que ser português não é  só ser desconfiado. Ser português é ser paranóico, é ser um doente social com uma constante e aflitiva mania da perseguição, é ter uma profunda e inabalável convicção de que não se pode, de facto, confiar em ninguém, é ser viciado em irracionalidade. É, no fundo, gostar de ser a eterna vítima. Uma vítima passiva-agressiva que não hesita em considerar-se o centro e a razão do Universo e, como tal, defender-se de  ataques  de mosquitos com bombas atómicas. Sounds familiar?

Buraco tapado por Citadina às 14:48
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Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Coragem

Se me perguntassem qual a característica essencial para produzir literatura de excelência, original e marcante, era o que eu respondia: imensa coragem.

Buraco tapado por Citadina às 11:02
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Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Mudar a fralda

Mudar a fralda é muito bom, é um alívio do caraças, qualquer mulher sabe isso e nem precisa de passar por experiências de maternidade.

Buraco tapado por Citadina às 12:47
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Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Facebook

Eu não aceito que desconhecidos me adicionem como amiga. O que que é que há de não-natural nesta frase? O que é que há de tão irracional em não querer chamar "amigos" a pessoas ou entidades com quem não tenho relação alguma e de quem, na maior parte das vezes, nunca sequer ouvi falar? Quando é que o termo "anti-social" desatou a ser tão mal empregue devido a inquestionáveis desvios da razão? Porque é que as mentiras tantas vezes repetidas acabam por ser aceites como verdades, mesmo que isso vá contra toda e qualquer lógica?

Eu não sou anti-social. Mas também não sou pateta alegre.

Buraco tapado por Citadina às 12:10
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Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Notas de viagem (X) - a bordo do voo TP262, sobre o norte de África, no regresso

Falta-me o deserto. Nunca estive num deserto. Já estive em sítios ermos, naturalmente, mas nunca num deserto a sério. Também nunca tinha sobrevoado África durante o dia, tanto quanto me posso lembrar, e agora que o estou a fazer, perscrutando o Sahara, apercebo-me quão impressionante é um sítio destes, de uma tal extensão que a vista não abrange mesmo a dez quilómetros do chão.

Um deserto é uma maravilha natural tão extraordinária quanto a selva amazónica, a grande barreira de coral na Austrália e os Himalaias. Um deserto é espectacular à sua maneira.

Sempre me fascinou isto de ver o mundo de cima, sempre me desafiou e divertiu tentar identificar posições através das características geográficas. Quem me dera que os pilotos me convidassem para viajar no cockpit e me ajudassem a identificar as cidades e os desertos...

 

Não há nenhuma evidência de vida. Nenhuma. Voamos há horas sobre o deserto e não há nada que possa fazer supor que alguma forma de vida exista lá em baixo. Portanto o que me puxa para baixo é saber que isso é uma ilusão.

Faltam sensivelmente duas horas e quarenta minutos para aterrar em Lisboa, o que nos coloca sobre a Argélia. "Um ponto preto quebra-me a solidão do olhar." Olhando com mais atenção, vários pontos, em trilhos rochosos. Serão sombras? Miragens?

Voamos há horas sobre um deserto que só sabermos ter limites porque confiamos na cartografia que toda a vida nos impingiram. De outra forma, poderíamos perfeitamente pensar que tínhamos chegado ao infinito. Isto é o infinito.

 

(Imagem tirada daqui)

Buraco tapado por Citadina às 11:01
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Terça-feira, 19 de Maio de 2009

É preciso coragem para voltar

Na minha ausência a blogosfera continuou produzindo-se a bom ritmo, na costumeira existência virtual de que uns vivem e outros nem sabem que existe.

Eu estive numa parte do planeta onde ela quase não tem expressão. Digamos que a  própria parte do planeta também não tem lá muita expressão, votada aos confins austrais de um mundo subdesenvolvido.

Para mim a blogosfera não existiu de todo durante os últimos vinte dias, como alguns (poucos, mas bons) aficionados deste blog terão notado, ou apenas surgiu esporadicamente como a vaga memória de uma vivência longínqua.

A  ela regressada, claro que não vou ler os cerca de dois mil posts que o Google Reader acusa nas minhas subscrições. Que se lixe o que se passou, quero lá saber. Lerei apenas os blogs dos afectos, dos amigos, que são mais raros e se revestem de uma importância intemporal.

Se já é preciso coragem para voltar a este ritmo frenético e solitário, imagine-se se eu ainda tivesse preocupações de recuperar o que não vivi.

Vou antes recomeçar os hábitos da escrita bloguística de forma nostálgica e vagarosa, porque preguiça é o que sinto, publicando algumas notas de viagem e, com sorte, um punhado de fotografias. Espero que a Cosmo me ajude nisto. Mas só começo amanhã, nem me vou dar ao trabalho de explicar porquê, o leitor que me perdoe, se ainda estiver desse lado.

Buraco tapado por Citadina às 12:39
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Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

A verdadeira abertura de espírito*

"Parece ser uma experiência extremamente comum entre pessoas que não acreditam em certos conceitos não-científicos, ouvirem daqueles que acreditam que devem ter mais abertura de espírito.

Este conselho é tipicamente baseado em raciocínios altamente imperfeitos e numa compreensão defeituosa do que ter abertura de espírito significa.

De facto, ter abertura de espírito apenas significa estar disponível para considerar novas ideias.

A ciência promove - e lidera em - abertura de espírito porque o avanço da nossa compreensão sobre a realidade na qual existimos depende de estarmos disponíveis para considerar novas ideias.

De facto, a descoberta cientifica exige amiúde novas formas de pensar.

No entanto, acreditar em certos conceitos não-científicos não faz de alguém automaticamente uma pessoa com abertura de espírito e muitas vezes significa que a pessoa é exactamente o oposto [de um espírito aberto]."

 

Aqui está o mote para reflexão. Consiste na tradução (minha) da primeira parte do vídeo em baixo, infelizmente só disponível em inglês. Para quem é verdadeiramente "open-minded" este vídeo é pura e simplesmente imperdível. Querid@ leitor@, teste a sua abertura de espírito, assistindo ao mesmo. Se quiser comentar, comente, será interessante de certeza.

 

 

* Este post foi inspirado neste, da Palmira F. Silva, uma pessoa que leio diariamente nesta dimensão que é a blogosfera e que demonstra constantemente possuir um espírito verdadeiramente aberto.

Buraco tapado por Citadina às 12:46
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Terça-feira, 14 de Abril de 2009

Mínimas do Bandeira

Para reflectir, para que conste, para não esquecer, não perder de vista, não tirar da ideia:


"Alguns sucessos são apenas fracassos vivendo acima das suas possibilidades."

 

Se ao menos a consciência do facto atingisse mais intelectos, oh, se ao menos! Aí sim, teríamos provas irrefutáveis de evolução civilizacional, para já não falar no saudável e tão urgente decréscimo da hipocrisia. Optimismo não me falta, eu sei.

Buraco tapado por Citadina às 13:09
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Terça-feira, 24 de Março de 2009

O meu Meo e a Angelina Jolie

Para vos dar uma ideia que quão alheada eu posso ser em relação à chamada "cultura lésbica", até ontem à noite nunca tinha ouvido falar num filme chamado "Gia", em que Angelina Jolie desempenha o principal papel, representando uma top model fora de série e lésbica, afinal o sonho molhado da maioria das mulheres atraídas sexualmente por outras mulheres.

A película é baseada numa história verdadeira, ou melhor, numa pessoa que existiu mesmo. Essa mulher, Gia Maria Carangi, encantou as passerelles no fim dos anos setenta e primeira metade dos anos oitenta do século passado, tendo sido toda a sua vida adulta objecto de explorações várias, inclusivé as decorrentes de uma forte dependência de drogas duras, tendo sucumbido aos vinte e seis anos de idade, em 1986, vítima do flagelo da SIDA.

Pois bem, ontem à noite, num canal que se Chama "Fox: Next", do qual também nunca tinha ouvido falar até ter recentemente instalado o Meo, deleitei-me com um verdadeiro festival estético, tão estético quão bonita pode ser uma mulher em cada detalhe físico seu. E horrorizei-me com a armadilha que a beleza  extrema pode constituir, não no sentido de ser à priori prejudicial ser-se bel@,  muito menos no sentido de uma alusão demoníaca da beleza, tão clássica [a alusão] afinal, porque não é nada disso, nem neste caso as portas que a extraordinária beleza lhe abriu e o que lhe proporcionou foram o que a foi matando aos poucos, mas sim a ilusão de poder que ser bel@ dá a alguém, a essa pessoa e só a ela própria, uma tentação irresistível de cair na falácia de se achar sobrehuman@, impermeável a inseguraças e outras fragilidades, uma noção fantasiosa de domínio e influência muito perigosas para ela, mas também para quem lhe é emocionalmente próximo. Porque, se parece que toda a gente quer as pessoas belas, que toda a gente as solicita, alimentando-lhes o ego e a auto-estima, a realidade é que a grande maioria das pessoas apenas as quer possuir para alimentar o seu próprio ego, usá-las e deitá-las fora assim que aparece um melhor sucedâneo.

No fim, toda a gente se lembra dela, mas raros são os que vão sentir a sua falta e é este o epílogo de uma vida infeliz.

Buraco tapado por Citadina às 11:36
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Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

Como vender mais

As fórmulas secretas são prometidas na Internet e em correio spam, a troco de uns milhares de Euros e alguma disponibilidade para frequentar um curso de vendas.

Quando vejo estes anúncios fico sempre a pensar se, hoje em dia, as tais fórmulas para "aumentar exponencialmente as vendas" não passarão pelo recurso a uma pistola.

Buraco tapado por Citadina às 16:31
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Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Estou fodida com o meu PPR, mas porque é que eu acredito nos bancos?!

Eu já tinha obrigação de ter aprendido a vomitar automaticamente nos pés de quem profira a palavra "risco" na minha presença, especialmente quando a ouço dentro de uma dependência bancária.

Sempre que me meti a comprar acções fartei-me de perder dinheiro, mesmo tendo-o colocado nas mãos de "grandes especialistas" que ganham 25% ao ano na bolsa com a carteira deles, mas que para mim invariavelmente não conseguem ganhar um chavo.

Há três anos subscrevi um PPR com uma "componente accionista moderada" porque as rentabilidades esperadas eram fabulosas, que eu não me preocupasse que não me ia arrepender. Escusado será dizer que estou a perder dinheiro.

Consultei um conhecido que trabalha no sector financeiro sobre esta matéria que, escusado será dizer, se desatou a comportar como um oráculo desdenhoso da minha ignorância.

Oh pá, Cit, para já isso tecnicamente não devia ser possível, os PPRs por definição têm capital garantido, isso era já uma queixa para o Banco de Portugal, mas o que interessa é que tu estás a comprar risco em vez de reforma, pá, e isso não é o teu objectivo, ao que eu pensei E onde é que tu estavas, ó cabrão, quando eu fui subscrever aquela merda, nunca estão onde é preciso, estes filhos da puta, e depois é só mandar estas bocas de grandes entendidos. Mas pronto, o que é que eu faço agora? e o gajo Pá, eu, se queres que te diga, não aconselho PPR's (estava-se mesmo a ver), os seguros de reforma são produtos interessantes, têm capital garantido e como as seguradoras agora estão a precisar de liquidez, deve haver boas ofertas.

E então posso transferir o meu PPR para um desses seguros de reforma?

Não, pá, uma coisa é um PPR, e o que tu tens não é um PPR, isso nem se devia chamar assim, mas pronto, outra coisa é um seguro de reforma.

Então posso transferir "isto que tenho" para um seguro de reforma?

Não, porque isso é um PPR, logo não lhe podes mexer sem penalizações.

Mas... Então transfiro o meu PPR para outro PPR com capital garantido?

Não, pá, senão levas com a comissão de transferência, agora deixa estar, de qualquer forma o grosso da desvalorização já está feito.

Então suspendo o plano de reforços do meu PPR e subscrevo um desses seguros de reforma com capital garantido?

Eh pá, eu pessoalmente gosto sempre de comprar algum risco...

Então, mas o meu PPR tem risco...

Iá, pá, pois tem, mas esse não é o teu objectivo, tás  a ver, o teu objectivo é comprar reforma.

Não, pá, o meu objectivo é que as minhas poupanças se valorizem, independentemente do que eu estou a comprar!

Mas agora me lembro, Cit, tu não és economista?

Não, pá, eu não sou economista, louvada seja eu, eu tirei foi uma licenciatura em economia, mas foi numa dessas faculdades neo-ultra-liberais cujas teorias nos puseram onde estamos, portanto de que é que me serve o que eu aprendi lá?! Eu ao menos admito que não domino os desígnios da economia mundial e nem me ponho a adivinhar o futuro com ares de profeta omnisciente a falar aos pobres de espírito, tás a ver?

... Pois...

Pois o caralho, pensei eu, e despachei o grande iluminado de merda.

Buraco tapado por Citadina às 12:35
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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Das dificuldades em deixar rasto electrónico

Eu andei numa escola secundária que já não existe.

E agora? Como faria - supondo que um dia destes acordava com essa estranha vontade - para reencontrar amigos e ex-colegas de escola no Hi5, no Facebook, no LinkedIn?

Como reconstruiria a minha história social, como reataria laços há muito quebrados pela divergência natural dos percursos individuais, como definiria um ponto de encontro?

Há uma espécie de buracos negros nas novas redes sociais. Voga neles quem não se consegue ligar ao seu passado.

Buraco tapado por Citadina às 15:14
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Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

Dicionário

Eu consulto muito o dicionário. Aliás, eu adoro consultar o dicionário. Vários dicionários. Pode parecer uma coisa chata, mas acreditem, é espectacular.

Normalmente, a premência da consulta instala-se quando me cruzo com palavras que conheço bem, mas não ao ínfimo detalhe. Isto não sucederá amiúde a quem não tenha o hábito de ler, mas a quem tenha e ainda por cima seja obsessivo-compulsivo, há que dizer com frontalidade, corre-se o risco.

Por exemplo: "neurótico". Toda a gente sabe o que significa neurótico, mas quantos de vocês, estimados leitores, podem afirmar que conhecem a fundo a classificação gramatical, etimologia, sinónimos e aplicações correctas da palavra?

Eu tive que ir ver se neurótico era mesmo o que eu pensava quando li um texto que mencionava "almoços neuróticos", mas no dicionário, e achei isto uma lacuna assinalável, não vem referência nenhuma ao meu ambiente profissional...

Buraco tapado por Citadina às 10:14
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Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

É tão giro andar de Metro #2

 

 

O nazi e a mulata: nitidamente enamorados, chamam a atenção por serem os dois muito bonitos, mas sobretudo por formarem um par historicamente inverosímil. É certo que esses tempos já não são, felizmente, mas os estereótipos fixam-se na memória como carraças.

Lá vão eles, na mesma carruagem que eu, todos os fins de tarde. Ele alto e magro, chocantemente mal-educado. Quando se senta - sempre antes dela - esparrama as pernas longas pelo espaço das pernas dos outros sem pudor, licença ou incómodo. Antes com visível desprezo no olhar, quase ameaçador. Ela fica de pé, a fazer-lhe festinhas na cabeça, à espera do próximo assento vago. Ele abandona-se a esse carinho e mergulha numa espécie de torpor de onde emerge de vez em quando para a vigiar, especialmente quando se apercebe que ela está a mexer no telemóvel. Aproveita e distribui um olhar assassino por quem está à volta.

Fisicamente ele é o Ralph Fiennes no seu mais belo, só que ainda mais belo. Os mesmos olhos terríveis e gélidos da Lista de Schindler. Iguais, juro, se os vissem, reconheciam-nos logo.

Ela é doce e quente e tem a tristeza (ou será cansaço?) estampada no olhar.

Quanto se poderá aferir da personalidade de alguém só de a observar?

Buraco tapado por Citadina às 18:59
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Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

Só os bloggers sem "nickname" é que são credíveis?

Ainda em maré de reflexão sobre a bloga, será que o facto de eu não assinar os meus posts com o meu nome mas sim como "Citadina" os torna menos... alguma coisa?

Menos imputáveis? Menos credíveis? Menos interessantes? Menos dignos de nota?

Se eu assinasse Joana Melo, o que é que isso acrescentava àquilo que se pode inferir sobre mim através do blog? Ou Bárbara Rocha? Ou Susana Mendes? O que é que estes nomes dizem - mais do que Citadina -  a quem me lê e não me conhece pessoalmente?

Buraco tapado por Citadina às 15:09
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Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

Do ensino da economia ou As vitórias do psiquiatra

"A teoria económica dominante é profundamente insensível à realidade. Constitui, em geral, uma abstracção desatenta e trata os acontecimentos difíceis como um problema que não é dela."

 

Na altura já estava convencida, mas tinha sincera vergonha, esta decorrente de ter sido sempre a melhor aluna de todos os cursos e escolas por  onde passei, à excepção - lá está - da licenciatura em economia, de que o problema não era tão meu como deles, dos professores e dos programas.

Hoje, ultrapassada a tristeza, a frustração e o pudor, comprovo com um certo  gozo que, se fui uma aluna medíocre e desmotivada na faculdade, foi por ter alguma consciência da realidade, o que me impediu de participar naquela alucinação colectiva que consistia em ver o mundo à luz de efabulações teóricas mais ou menos ridículas. Agora chamem-me burra.

 

Ler aqui e aqui os fundamentos deste post.

 

ADENDA:

Aqui uma opinião consonante.

 

Buraco tapado por Citadina às 15:28
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