Segunda-feira, 14 de Junho de 2010

No fundo somos completamente hipócritas!

Numa altura em que a crise financeira mundial, que atravessa também a Europa da zona euro e a mergulha numa crise de identidade caracterizada, entre outras coisas, pela ausência de uma voz consensual comum, reconhecida e respeitada a nível internacional, pela forte retoma de políticas em que os interesses nacionalistas dos países se sobrepõem aos da União Europeia no seu conjunto, em que a crise da Grécia (e a ameaça de uma crise semelhante em Espanha, Portugal, etc.) faz vacilar toda a zona euro e preconiza o fracasso colectivo do projecto europeu, e em que o atraso na implementação de projectos agregadores e mobilizadores, nomeadamente o plano de resgate da Grécia, coloca em risco o futuro do euro, as questões que se nos colocam, abordadas tanto pelos partidos europeus de esquerda como pelos de direita são muitas e graves.

 

"Onde está o presidente do Conselho Europeu? O que está a fazer o presidente da Comissão? Existe um líder europeu para gerir a crise grega? Ou estão à espera de que o euro fracasse?", perguntava o deputado europeu francês Philippe Juvin, membro do partido UMP do presidente Sarkozy.

 

"Com a globalização, a questão é: o que resta do modelo europeu, do posicionamento da Europa na liderança mundial?", disse recentemente o secretário de Estado francês para a UE, Pierre Lellouche.

 

Daniel Cohn-Bendit, considera a gestão deste assunto catastrófica. Nascido em França mas de nacionalidade alemã desde os 14 anos, dirigente estudantil de extrema esquerda e figura emblemática no Maio de 68 em França, é, desde 1994, deputado europeu pelo partido ecologista alemão Die Grünen, co-presidente do Grupo dos Verdes /Aliança Livre Europeia alemão desde 2002, representante do Partido Verde Europeu desde 2004 e vice presidente do Movimento europeu – França desde 2007. Tendo passado na juventude pela Federação Anarquista e pelo Movimento Noir et Rouge, auto - intitula-se mais tarde de “liberal-libertário”. É dele o slogan do Movimento de Maio de 68 "Somos todos judeus alemães".

 

Oiçamos a sua intervenção, extremamente honesta e acutilante, neste vídeo em que analisa o papel da União Europeia relativamente à crise grega. “On est quand même complètement hypocrites!” diz ele. É tempo de fazermos uma introspecção rigorosa e de reflectirmos sobre as questões e desafios que se nos colocam, porque Cohn-Bendit tem toda a razão.

 

 

Buraco tapado por Cosmopolita às 13:06
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Quinta-feira, 29 de Abril de 2010

A nova ordem mundial

Temos assistido nos últimos tempos à intimidação de países limítrofes da União Europeia, através de ataques externos à sua economia. Começou pela Grécia, cujo Governo teve muitíssima culpa no criar da "causa próxima" (o facto, como se diz aqui, de a Alemanha desrespeitar os compromissos europeus, não desculpa os gregos nem os liberta da sua responsabilidade), segue-se aparentemente Portugal, a Espanha, a Irlanda e por aí fora. Basicamente o mote é "Dividir para reinar". Ou dar cabo da Zona Euro para valorizar o dólar.

 

Alguém me sabe dizer o que acontecerá a nível internacional quando e se algum dos credores da dívida externa dos EUA, em que a China está em 1º lugar e o Brasil em 5º, como podem ver aqui, decidir cobrá-la?

 

Há muito que se fala na substituição, no cenário mundial, dos países protagonistas mais ricos e na substituição do dólar como moeda de referência internacional. O economista Jim O'Neill da Goldman Sachs chamou BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) a estes quatro países que têm em comum um crescimento recente muito rápido da sua economia, que somam mais de 25% da área do planeta, 15% da economia global, que representam mais de 40% da população mundial e que, em conjunto, querem alterar os mecanismos financeiros mundiais por forma a manter a estabilidade do sistema financeiro internacional global. Os seus líderes reuniram-se dia 16 de Abril último em Brasília para estudar a reforma das instituições internacionais e a criação de uma moeda de referência alternativa ao dólar, por forma a tornar a economia menos vulnerável às crises, para acordar o financiamento de projectos comuns e a criação de oportunidades de investimento, utilizando as moedas dos seus próprios países e sem recorrer ao dólar, e ainda para promover o diálogo com o Irão em vez de pressionar este país com sanções económicas como desejam os EUA e seus aliados. Como alegadamente terá dito Lula da Silva ao presidente chinês, essas sanções prejudicam mais a população do que os dirigentes do Irão.

 

Será que está a haver aqui, por parte das agências de rating ao estabelecer o terror financeiro, uma manobra de diversão para travar estas medidas ou para as catalisar, tendo por base a possibilidade do desaparecimento do dólar como moeda de referência?

Buraco tapado por Cosmopolita às 19:48
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Terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Boa governação versus má governação

Sábado passado, numa pausa de um sinal luminoso, pedi emprestado ao taxista que me conduzia um jornal que ele tinha no carro. Chama-se @ Verdade e eu nunca tinha lido nenhum exemplar. Folhei-o portanto com alguma curiosidade e deparei com um editorial cuja leitura me deixou boqueaberta. Não resisto por isso a citar-vos o que li aqui.

 

"Mo Ibrahim, o multimilionário britânicosudanês e uma das maiores figuras mundiais do ramo das telecomunicações, voltou a surpreender os líderes do continente africano com uma intervenção proferida numa conferência de promoção de boa governação que teve lugar esta semana em Dar-es-Salam, na Tanzânia.

 

Ibrahim tomou a palavra e falou curto e grosso: “Lamento ter de dizer isto, mas alguns dos nossos países [africanos] pura e simplesmente não são viáveis.” E prosseguiu mais acutilante: “Muitos deles são demasiado pequenos para continuarem a existir nestes moldes. A ideia de que 53 pequenos Estados de África conseguem competir com a China, Índia, Europa ou os Estados Unidos é uma falácia. O comércio intra-africano representa apenas 4 a 5% do nosso comércio internacional! Isto é inacreditável!”

 

Em seguida repetiu várias vezes porquê, porquê? Depois, voltou à carga e foi mesmo muito incómodo para a audiência - o presidente tanzaniano, Jakaya Kikwete, era um dos presentes - afirmando que alguma coisa estava “drasticamente errada”. Porque um continente com 900 milhões de habitantes - 2/3 da população da Índia -, portanto muito longe da sobrepopulação e bafejado por riquezas naturais que o tornam potencialmente auto-suficiente e até bastante excedentário, encontrando-se numa situação como a actual, extremamente pobre e com uma população faminta, só pode ser mesmo devido à má governação.

 

“Penso que temos o direito, perante este estado de coisas, de perguntar aos nossos líderes se são realmente sérios?”, inquiriu, para espanto de todos. As soluções apresentadas pelo milionário passam, urgentemente, por uma rápida, profunda e séria integração regional, a nível económico - incluindo uma moeda única - e político. Mas é acima de tudo na boa governação que reside a chave do sucesso. Todos os exemplos positivos em África - e ainda são alguns - estão associados a ela. As estatísticas falam por si.

 

Países que adoptam boas práticas governativas - falo de respeito pelos direitos humanos, liberdade de imprensa, alternância política, políticas económicas ajustadas à realidade, desburocratização e despartidarização do aparelho de Estado, combate à corrupção, etc. - estão no topo da lista como é o caso do Botswana, África do Sul, Gana, Cabo Verde, Benin, Togo.

 

Na cauda encontram-se, justamente, os que constantemente violam as práticas da boa governação. Os seus nomes são sobejamente conhecidos. Somália, Guiné Conacri, Guiné- Bissau, Zimbabwe, Angola, RDC, Congo Brazzavile, Serra Leoa, Libéria e… muitos mais."

 

Dito isto, apetece-me parafrasear o ex-amigo de uma pessoa que amo e que dizia pretender fundar um partido denominado PPQ - Portugal Para Quê. Pelos vistos com toda a razão!

Buraco tapado por Cosmopolita às 20:54
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Sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Hasta siempre Comandante!

 

 Faz hoje 42 anos que Ernesto Che Guevara, médico, fotógrafo e guerrilheiro, de coragem e vontade indómita, foi assassinado na Bolívia pela CIA, com 39 anos de idade. Considerado em todo o mundo como um dos símbolos da luta pela liberdade, até os próprios norte americanos, na revista Time, o elegeram como um dos leaders  revolucionários mais importantes do século XX.

 

Homens como este não morrem nunca. A sua memória perdura dentro de nós, gravada a fogo, como um apelo e um incentivo a que não nos acomodemos, não nos acobardemos nem desistamos nunca da luta pela liberdade e pela democracia.

 

Na foto em que Che sabe que vai morrer, não há rancor, ódio, súplica por misericórdia.  "Apunte y sostenga bien el arma, que va a matar a un hombre", dizem que foram as palavras dirigidas ao seu carrasco, o soldado boliviano Mário Terán,

 

 

 

"É o meu destino: hoje devo morrer!

Mas não, a força de vontade pode superar tudo!

(...)

Uma recordação mais duradoura que o meu nome

É lutar, morrer lutando."

 

Che, Janeiro de 1947

 

Estarás sempre presente Companheiro! Não há morte para o Vento!

 

Buraco tapado por Cosmopolita às 15:51
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Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Não falem comigo hoje

Depois de o neo-liberalismo selvagem ter provocado uma das mais terríveis crises financeiras e económicas globais de que há memória, ainda temos de viver numa Europa de direita?

Mas que merda, não?!

Buraco tapado por Citadina às 11:29
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Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Massacre de Tiananmen: foi há vinte anos

 

 

O inadmissível aconteceu.

 

(via Arrastão).

Buraco tapado por Citadina às 12:29
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Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

Um passo à frente, um passo atrás

Como explica muito bem neste seu post o

 

Buraco tapado por Citadina às 14:04
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Can he?

 

 

A eleição de Obama para presidente de um país como os EUA é, de facto, um acontecimento histórico, independentemente do que ele venha a fazer.

 

A ambição e determinação deste homem, a estratégia que desenvolveu ao longo de anos para chegar ao topo do poder, a obstinada persistência, a capacidade de mobilização de massas que demonstrou, a sua simpatia e simplicidade, a aparente sinceridade e seriedade dos seus princípios e vontade de mudar a política dos EUA, tudo nele é interessante e cativante.

 

No entanto, acho que a minha costela de anarquista me faz ser muito céptica. Ele está inserido num sistema inercial pesadíssimo, que não muda de um dia para o outro. E o poder corrompe de facto, por muito boas que sejam as intenções de alguém à partida. É um pouco como dizia um tio meu "Tenho a certeza de que há pelo menos dois ateus no mundo. Eu e o papa. Não se passa pelo colégio de cardeais e se chega a papa a acreditar em Deus".

 

Oxalá ele queira mesmo mudar o establishment e o consiga, mesmo naquele país e rodeado das pessoas por quem está.

 

Buraco tapado por Cosmopolita às 11:40
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Terça-feira, 4 de Novembro de 2008

Nova Iorque - uma cidade do mundo, até a votar

 

(imagem roubada aqui)

 

O BostonTeaParty captou a imagem esta manhã em Manhattan, à porta de uma assembleia de voto.

E neste caso, uma imagem vale mesmo mais que mil palavras.

 

Buraco tapado por Citadina às 18:33
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"O" dia

É histórico que um negro seja Presidente dos EUA e, a acontecer, é sinal inequívoco de uma notável evolução civilizacional num povo que há quatro anos elegeu de novo um mentecapto para o cargo. Mas a vida em Portugal vai melhorar por causa disso?

Toda a gente sabe que não, pelo menos por causa disso.

Cá, como lá, escândalos financeiros acontecem sem que se puna exemplarmente os criminosos. Pelo contrário, até se considera a possibilidade de se lhes atribuírem indemnizações, nada de cadeia, não, antes i-n-d-e-m-n-i-z-a-ç-õ-e-s (eu podia por aqui links para agências noticiosas para dar corpo e sustentação a estas afirmações,  mencionar claramente o BPN e o Banco de Portugal, mas para quê? Toda a gente sabe que é verdade, não sabe?).

E o nosso futuro, como lá o presente, é este:

Não vai demorar muito até que a recessão faça com que milhares de casas passem a valer menos do que as dívidas que os seus donos contraíram aos bancos para as comprar.

O super-herói contribuinte (SC, comecem a imprimir t-shirts e fatos de Carnaval) continuará a salvar os oprimidos e pobres banqueiros que precisam de ser resgatados pelo Estado da  sua vida dura e feita de privações.

Continuaremos a ser um povo racista e homofóbico (pelo menos a Manuela Ferreira Leite não dá mostras de querer mudar).

E continuaremos a seguir exemplos de doutrinas económicas que de tão "invisíveis", comem tudo e não deixam nada, como diz a canção.

Ou seja, este é um dia engraçado mas, vendo bem, sem graça nenhuma.

 

Buraco tapado por Citadina às 10:48
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Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008

Entretanto...

... enquanto penso no jantar, afianço-vos que a Visão desta semana revela que a canção preferida de John Mc Cain é Dancing Queen dos Abba e que tanto ele como Barack Obama são canhotos.

Hã, nem a Sarah Palin consegue ser antropologicamente tão interessante!

 

PS - A Visão também aconselha que se vá descobrir o pompoarismo ao IV Salão Internacional Erótico de Lisboa. Eu como tenho amigas in high places que já me tinham instruido sobre isso, não vou.

 

Buraco tapado por Citadina às 18:24
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Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

Eu ontem fui para a cama assim *

 

 

Bom, na verdade foi mais assim:

 

 

(* O título é uma variação de)

Buraco tapado por Citadina às 11:35
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Quarta-feira, 15 de Outubro de 2008

Humor (de) negro #2

(via e-mail)

Buraco tapado por Citadina às 12:00
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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

À beira de uma 3ª Guerra Mundial?

Na entrevista que deu à ABC News Sarah Palin mostra quão mentirosa, manipuladora e perigosa é, utilizando sempre dois pesos e duas medidas, conforme lhe dá jeito. Não hesita sequer em pôr a hipótese de iniciar uma possível 3ª Guerra Mundial, admitindo declarar guerra à Rússia se a Geórgia voltar a ser invadida depois de entrar para a NATO! Segundo palavras suas "Temos que vigiar a Rússia. É inaceitável que a Rússia tenha invadido um país democrático mais pequeno, sem que tivesse havido qualquer provocação"...

No entanto, quando questionada sobre se pensava que os americanos tinham o direito de atravessar as fronteiras (através do Afeganistão para o Paquistão), com ou sem a aprovação do Governo do Paquistão, para perseguir terroristas que estejam na zona do Waziristan, respondeu "Acredito que a América tem de utilizar todas as opções de forma a impedir os terroristas que estejam infernalmente decididos a destruir a América e os seus aliados. Temos de ter todas as opções ali em cima da mesa."

 

Vale a pena lembrar que a decisão do presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili de atacar a capital da Ossétia do Sul, Tskhinvali, a 7 de Agosto deste ano, dia da abertura dos Jogos Olímpicos, depois da visita de Condoleeza Rice a Tbilissi, capital da Geórgia, na véspera do ataque, pode ter tido como objectivo duas coisas: reforçar a sua posição interna, debilitada pelo facto de, como presidente, não ter cumprido as suas promessas ao eleitorado georgiano (repressão, aquando do 2º mandato, de milhares de manifestantes que protestavam contra as fraudes eleitorais, corrupção, autoritarismo e desastre económico; mais de um terço da população viver abaixo da linha de pobreza; o desemprego oficial ser de 16% , quando na realidade é muito superior; a pensão mensal ser de cerca de 16 €; a actual legislação laboral permitir o despedimento dos trabalhadores sem justa causa, etc.) e forçar a adesão à NATO, proposta por Bush há meses atrás e recusada pelos parceiros europeus, contando para isso com o apoio dos EUA em caso de intervenção da Rússia. Se os aliados europeus tivessem concordado com a adesão da Géorgia à NATO, teriam então de ter declarado guerra à Rússia.

Segundo declarações na altura ao The Financial Times do vice-ministro da Defesa da Geórgia, Batu Kutelia, Tbilissi decidiu atacar Tskhinvali, não obstante o governo georgiano não dispôr de forças suficientes para enfrentar as consequências.
Também o embaixador norte-americano na Rússia, John Beierly declarou então ao diário russo Kommersant "Vemos que as tropas russas tiveram toda a razão ao responder ao ataque (do exército georgiano) contra as forças de manutenção da paz da Rússia na Ossétia do Sul".


A esta pergunta "Geórgia - A América pretende confrontar a Rússia?" feita neste post aqui, a resposta é dada por Sarah Palin: Sim, pretende. E pretende mais do que isso, pretende pôr a ferro e fogo toda a região do Médio Oriente e Ásia, incluindo o Irão, não se importando para isso, de envolver a Europa na guerra.

 

O que é irónico é que os EUA e a Europa critiquem o reconhecimento da independência da Ossétia do Sul e da Abecásia quando eles próprios reconheceram unilateralmente a independência do Kosovo, violando a Carta da ONU sobre a integridade territorial dos Estados e o princípio da inviolabilidade das suas fronteiras. E o que dizer sobre a benção dada pelos EUA e pela Europa à política externa de Israel relativamente à Palestina, Síria e Líbano? Para quando o retorno de Israel às suas fronteiras iniciais? Ou da invasão e destruição do Iraque pelos americanos à revelia das Nações Unidas? Disso ninguém fala, claro!

Buraco tapado por Cosmopolita às 15:42
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Quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

Manipulação ou estupidez?

Palavra de honra, mas se há algo que eu não consigo compreender é a forma como a maioria dos americanos pensa e age! Dá ideia de que assuntos tão sérios e determinantes para eles e para o mundo como as eleições para a presidência não passam de um gigantesco show business...
Se olharmos com atenção para os gráficos que representam as posições percentuais dos dois candidatos à Casa Branca em sondagens efectuadas a eleitores registados, podemos verificar que numa sondagem efectuada no dia 20 de Agosto pela CBS News/New York Times, mesmo antes das convenções políticas dos partidos democrático e republicano, Obama ultrapassava McCain por 3 pontos percentuais e, após a Convenção Democrática Nacional, numa votação efectuada pela CBS News, liderava por 8 pontos percentuais. Numa outra sondagem, efectuada já no fim de Agosto pela CBS News, os dois candidatos estavam tecnicamente empatados.

 

 2008 Presidential Election Horserace

Note: Registered voters

O candidato presidencial republicano nomeado, John McCain, ultrapassou pela 1ª vez o seu rival Barack Obama em 2 pontos percentuais, os quais estão dentro da margem de erro da votação, numa sondagem feita pela CBS News, efectuada 3 dias após o fim das convenções partidárias de nomeação dos candidatos, nomeadamente de Sarah Palin. Assim, no momento em que escrevo este post, McCain lidera por 46% contra os 44% de Obama.
Fonte: CBS News

Noutra sondagem feita pela Gallup, efectuada nos dias 4 a 6 de Setembro, após o fim da Convenção Nacional Republicana, McCain detinha já 48% das intenções de voto contra os 45% de Obama.

 


Fonte: Gallup Poll Daily tracking

Relativamente à guerra na Geórgia, Putin, o primeiro-ministro russo, em 29 de Agosto deste ano, acusou uma vez mais os EUA de ter provocado o conflito russo-georgiano para unir os eleitores à volta de "um dos candidatos à Casa Branca", referindo-se claramente ao republicano John McCain, promovendo assim o candidato do partido no poder, porque "só o partido no poder dispõe de tais recursos".
Faz-me lembrar o filme com o Dustin Hoffman "Mera Coincidência" (Wag the Dog), em que o presidente dos EUA, a poucos dias da eleição, se vê envolvido num escândalo sexual e, nessas circunstâncias, não vê muitas hipóteses de ser reeleito. Assim, um dos seus assessores entra em contacto com um produtor de Hollywood (Dustin Hoffman) para que este "invente" uma guerra na Albânia, a qual poderia ser resolvida pelo presidente em funções, além de ajudar assim a desviar a atenção pública para outro facto bem mais interessante para os eleitores.
Parece que Putin tinha razão!


Como diz Andrew Sullivan no seu artigo The Pavlov Party, referindo-se aos republicanos:
"They are a religious and cultural identity party, primed to rally to anything their leaders say and question nothing. That's why they're so dangerous.
They can do anything and defend it - invade a country on false pretensions, grind the military into extreme danger, trash the Geneva Conventions, expand government at a record pace, threaten war with Iran and Russia - and still say with a straight face that they are the party of national security, fiscal restraint, foreign policy wisdom and military pride. It doesn't matter what they do; these people believe in this cause because it is about God and America and their own identity. And when you have a major political party constructed like that, they can do anything. And they have."


Ou seja, apesar da atitude de Washington relativamente à destruição de Nova Orleães, da guerra no Iraque, do Afeganistão, da Geórgia, do aumento do desemprego e das hipotecas que fez que milhões de americanos perdessem as suas casas, da questão do (não) acesso à saúde, etc., a nomeação de Sarah Palin como candidata à vice-presidência pelo partido Republicano, apesar de tudo o que se sabe sobre esta tenebrosa, fanática, incompetente e perigosíssima mulher, catapultou a subida de McCain para a frente da corrida à presidência....


Onde está a consciência social, económica e política dos americanos? Onde é que a maioria deles tem a cabeça?

Buraco tapado por Cosmopolita às 17:57
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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

Ena ganda maluca!

Sarah Palin, candidata à Vice-Presidência dos EUA pelo Partido Republicano, afirma que a guerra no Iraque, a construção de um gasoduto no Alasca e as alterações climáticas são a vontade de Deus e que Deus é que os planeou. E ela está aqui para Lhe fazer a vontade.

É ver para crer, no vídeo aqui em baixo.

 

 

Buraco tapado por Cosmopolita às 14:33
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Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

A guerra na Geórgia explicada em pipelines

Participei em 1998/99 num consórcio que ganhou o projecto do TACIS da UE do programa INNOGATE "Estudos de viabilidade de pipelines de petróleo e gás através do Mar Cáspio". Das minhas funções fazia parte a recolha de todos os dados relativos aos pipelines de exportação de petróleo e gás existentes e projectados nas regiões do Transcáucaso, Cáspio e Ásia Central, bem como a de engenheira de ligação com todas as companhias de petróleo e gás a operar naquelas regiões e com as instituições privadas e governamentais envolvidas.

 

Examinámos todos os projectos existentes e projectados para aquelas regiões e muitos outros de regiões conexas, bem como os estudos de viabilidade respectivos. Alguns dos que na altura estavam apenas em projecto estão já hoje construídos e a funcionar, outros quase concluídos e ainda outros permanecem apenas no papel.

 

Uma coisa é certa: as rotas do petróleo e gás são rotas de guerra e conflitos. O meu objectivo é, pois, explicar em alguns posts a principal razão de ser desta guerra na Geórgia,  precisamente através dos pipelines que existem na zona do Cáucaso e noutras regiões vizinhas.

 

Neste primeiro post falarei de alguns dos mais importantes pipelines, nomeadamente dos que atravessam a Geórgia e que fazem parte de linhas mais vastas de exportação de petróleo e gás.

 

  

Fonte: Wikipédia

 

 Pipeline Baku-Tbilissi-Cehyan (BTC)

O pipeline Baku-Tbilissi-Cehyan, também conhecido como BTC (a verde na imagem), é um pipeline de petróleo que vai do campo petrolífero Azeri-Chirag-Guneshli no Azerbeijão, perto de Baku, capital do Azerbeijão, até ao Mar Mediterrâneo. Dos 1.768 Kms que tem de extenção, 443 Km estão no Azerbeijão, 249 Km estão na Geórgia e 1.076 Km na Turquia. Liga Baku, Tbilissi, capital da Geórgia, e Cehyan, um porto na costa sudeste da Turquia, daí o seu nome. É o segundo maior pipeline do mundo depois do pipeline russo Druzhba. O primeiro petróleo que foi bombado no extremo de Baku em 10 de Maio de 2005, atingiu Cehyan em 28 de Maio de 2006.

Paralelamente a este pipeline BTC, correm o South Caucasus Gas Pipeline desde o Sangachal terminal no Azerbeijão até Erzurum na Turquia. Entre Sariz e Cehyan, o Samsun-Cehyan pipeline será instalado ao longo do mesmo corredor.


South Caucasus Pipeline (Baku-Tbilissi-Erzurum)

O pipeline South Caucasus (a castanho na imagem), também conhecido por Baku-Tbilisi-Erzurum Pipeline, PTE pipeline or Shah-Deniz Pipeline, é um pipeline de gás natural destinado a transportar gás natural desde o campo de gás Shah Deniz no sector Azeri do Mar Cáspio até Erzurum na Turquia.

O principal objectivo deste pipeline é o de fornecer a Turquia e a Geórgia. Como um país de trânsito, a Geórgia tem o direito a ficar com 5% do volume anual de gás que circule no pipeline como tarifa e pode ainda comprar mais uns 0,5 bilhões de metros cúbicos de gás por ano a um preço de desconto. Numa perspectiva de longo prazo, o South Caucasus Pipeline fornecerá a Europa com o gás natural do Cáspio através dos pipelines Nabucco, Turquia-Grécia e Grécia-Itália.

 

Nabucco pipeline (planeado)

O pipeline Nabucco é um pipeline de gás natural planeado que fará o transporte de gás natural da Turquia à Áustria, através da Bulgária, Roménia e Hungria (em castanho a tracejado na imagem). Estender-se-á desde Erzurum na Turquia até Baumgarten an der March, um enorme centro gasífero da Áustria.

Este pipeline é uma alternativa aos métodos actuais de importação de gás natural sómente através da Rússia, que tornam a Europa dependente e insegura relativamente às práticas da Rússia. O projecto é apoiado pela União Europeia e pelos Estados Unidos. O Projecto Nabucco está incluído no programa da Rede Trans-Europeia de Energia da EU e já foi efectuado um estudo de viabilidade para o pipeline Nabucco através de uma doação da EU.

 

Samsun Ceyhan Pipeline (planeado)

O Samsun Ceyhan Pipeline, também conhecido por SCP ou Trans-Anatolian Pipeline Pipeline, é um pipeline de petróleo planeado entre o terminal do Mar Negro em Samsun e o terminal de petróleo no Mediterrâneo em Cehyam na Turquia. O objectivo deste projecto é providenciar uma rota alternativa ao petróleo russo e kazaque e aliviar o peso do tráfico no estreito de Bósforo e Dardanelos.

Terá um comprimento de 555 Km e uma capacidade de 1,5 milhões de barris por dia com uma capacidade inicial de 1 milhão de barris por dia. A começar em Sariz, o pipeline seguirá o corredor do pipeline Baku-Tbilissi-Cehyan.

 

Trans-Caspian Gas Pipeline (planeado)

O Trans-Caspian Gas Pipeline é um pipeline submarino entre Turkmenbatsy no Turquemenistão e Baku no Azerbeijão. Existem algumas propostas no sentido de incluir também uma ligação ao campo petrolífero de Tengiz no Kazaquistão e Turkmenbatsy. Em Baku será ligado ao South Caucasus Pipeline (Baku-Tbilisi-Erzurum pipeline) e através deste ligar-se-á ao planeado Nabucco Pipeline (Turquia-Bulgária-Roménia-Hungria-Áustria pipeline).

O propósito deste projecto do Trans-Caspian Gas Pipeline é o de transportar o gás natural do Kazaquistão e Turquemenistão para a Europa Central, circunvalando quer a Rússia, quer o Irão. No entanto todos os ambientalistas e a própria Rússia são de opinião que qualquer pipeline de petrólero ou gás que possa passar pelo fundo do Mar Cáspio é ambientalmente inaceitável.


Western Route Export Pipeline (WREP)

O Baku-Supsa Pipeline, também conhecido como Western Route Export Pipeline e Western Early Oil Pipeline, tem 830 Km de comprimento e estende-se desde o terminal Sangachal perto de Baku, de onde transporta o petróleo do campo petrolífero de Azeri-Chirag-Guneshli, e o terminal de Supsa na Geórgia. É operado pela BP (British Petroleum).

 

Baku-Novorossiysk Pipeline

O Baku-Novorossiysk Pipeline, também conhecido como Northern Route Export Pipeline e Northern Early Oil Pipeline é um pipeline com 830 Km de extensão, que se estende do terminal Sangachal perto de Baku até ao terminal de Novorossiysk na costa do Mar Negro da Rússia. É operado no Azerbeijão pela State Oil Company of Azerbaijan Republic (SOCAR) e na Rússia pela Transneft.

 

Em maior detalhe poderão ver abaixo os troços do BTC e do Baku-Supsa (WREP) pipelines que atravessam a Geórgia. Neste mapa vê-se bem a localização da Abecásia e da Ossétia do Sul e das suas capitais, respectivamente Sokhumi e Tskhinvali.

 

 Fonte: Wikipédia

 

Apesar de a Geórgia não produzir petróleo, este país é um país chave no trânsito das exportações de petróleo e gás do Azerbeijão para os mercados do Oeste. A Europa é assim um dos principais clientes do petróleo que é bombado através dos pipelines do sul do Cáucaso numa aposta feita para diversificar a sua dependência do fornecimento russo.

 

Há analistas que pensam que este conflito foi orquestrado pela Rússia de forma a interromper o fornecimento através do BTC e a encaminhar as exportações de petróleo do Azerbeijão através dos pipelines russos, forçando a Europa a uma maior dependência dos fornecimentos deste país.

 

A região do Cáucaso é também um importante corredor de ligação dos riquíssimos países petrolíferos da Ásia Central à Europa.

 

O aumento de instabilidade nesta região pode contribuir para um recuo do projecto Nabucco, o pipeline de gás projectado para trazer o gás do Cáspio e da Ásia Central para a Europa e garantir assim a sua segurança de fornecimento.

 

A guerra na Geórgia pode vir a confirmar as dúvidas existentes sobre o facto de a Geórgia ser um país fidedigno como país de trânsito de petróleo e gás, o que se pode vir a traduzir não só em relutância política relativamente a projectos de óleo e gás internacionais destinados a fazer o by-pass da Rússia, tais como o projecto Nabucco e o pipeline Odessa-Brody, mas também numa diminuição da confiança dos investidores e, eventualmente, num aumento dos preços do petróleo.

 

Por outro lado, no que diz respeito aos EUA, a Geórgia é um elemento chave no “corredor de energia do sul” que estes apoiam desde os anos 90, e que liga a região do Mar Cáspio e Ásia Central aos mercados mundiais fazendo o by-pass da Rússia e conduzindo ao isolamento do Irão.

 

Segundo alguns analistas, este conflito na Geórgia expôs a fragilidade dos pipelines do Transcáucaso e poderá obrigar o Oeste, se perder a Geórgia, a superar a sua relutância em virar-se, como alternativa, para as rotas de exportação do Irão.

 

A outra alternativa ao Irão, para o Oeste, seria a de fazer saír o petróleo e gás do Cáucaso e da Ásia Central através dos pipelines russos ou chineses.

 

Esta guerra pode interromper o fornecimento de cerca de 1.6 milhões de equivalentes de barris de petróleo por dia da região do Mar Cáspio aos mercados mundiais.

 

Eis o verdadeiro móbil da guerra.

 

Buraco tapado por Cosmopolita às 18:38
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Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

A imagem da semana, se calhar do ano

Buraco tapado por Citadina às 12:17
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Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Os benefícios da ameaça comunista

É só ameaçar que vamos todos desatar a ir a Cuba (ui, medo, horror!) operar as cataratas para aparecer o dinheiro e as soluções que vão pôr termo às listas de espera.

Por outro lado, quando interessa, a Venezuela já é um país muito democrático, com eleições justas e frequentes, com liberdade de imprensa e tudo o mais que define uma democracia saudável.

Se a hipocrisia pagasse imposto...

Buraco tapado por Citadina às 09:48
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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

Uma história mal contada

Pode parecer "teoria da conspiração", mas algo me cheira a esturro neste golpe ocorrido na madrugada de 2ª feira em Timor Leste. Mais do que a esturro, cheira-me a petróleo.

Quer o secretário geral da Fretilin, Mari Alcatiri, ex-primeiro ministro do Governo, quer o comandante das Forças Armadas timorenses, brigadeiro general Taur Matan Ruak, exigem uma investigação rápida e apurada ao que aconteceu e ao papel desempenhado pelas forças internacionais, tanto mais que há já uma semana Matan Ruak tinha alertado os responsáveis pela segurança no país de que o presidente e primeiro-ministro poderiam ser alvos de um ataque.

Mais estranho ainda é o facto de que a única pessoa que, em oposição ao Governo e aos tribunais, apostava na via do diálogo com um dos alegados cabecilhas, o fugitivo major Alfredo Reinado, ser o próprio presidente Ramos Horta. Por que razão então Reinado ataca “a única pessoa que o estava a tentar salvar”, pergunta Mari Alcatiri?

É opinião de Mari Alcatiri que Alfredo Reinado tenha servido como instrumento militar de ”intenções políticas internas e externas” a Timor-Leste. Segundo ele, é estranho que quer nos acontecimentos de 2006 que envolveram Reinado tenha havido um pedido da intervenção de forças internacionais, quer agora neste golpe em que, mesmo com as forças internacionais presentes, “o próprio Presidente é atingido, o primeiro-ministro sai ileso também de um ataque misterioso e imediatamente o governo e o presidente interino assinam uma carta já redigida em inglês a pedir mais forças australianas”.

Apesar da presença destas forças, não só o socorro chegou tarde, como não houve uma caça ao homem para procurar os responsáveis do ataque. Como acrescenta Alcatiri "as FDTL quiseram actuar mas, foram travados pelas forças internacionais”. Qual o papel delas então? Com que missão se encontram em Timor Leste?

Nem a cronologia dos ataques nem nenhum dos factos relacionados faz sentido, rondando mesmo o absurdo. Senão vejamos:

06h15
Cerca de dez homens armados liderados pelo major Reinado atacam a residência particular de Ramos-Horta em Meti-hau. O presidente estava fora, a fazer o seu habitual jogging matinal, facto que era sobejamente conhecido em Díli. Porquê então atacar a residência do presidente se o podiam ter matado quando fazia o jogging na marginal? Este facto deveria ser conhecido por parte de Alfredo Reinado, militar experiente treinado em Portugal e na Austrália e ex-comandante da Polícia Militar!

06h20
O major Alfredo Reinado é morto logo no início do primeiro tiroteio por elementos da Guarda Presidencial, pertencentes à Polícia Militar das Forças de Defesa de Timor-Leste (FDTL), a unidade que ele comandou até desertar de Díli com alguns dos seus homens, em Abril de 2006, quase uma hora antes de o próprio presidente da República Ramos Horta ter sido alvejado. Contra tudo o que seria previsível e segundo o relato dos acontecimentos, houve dois tiroteios diferentes, separados por cerca de 45 minutos, em que nenhum sinal de alarme foi dado da residência de Ramos Horta pela sua escolta. Qual a explicação para o facto de a escolta presidencial não ter pedido socorro mais cedo e a tempo de evitar que o chefe de Estado fosse vítima do segundo tiroteio enquanto, alegadamente, o grupo de Reinado procurava Ramos-Horta nos vários edifícios da residência, arrombando portas durante mais de meia hora até o presidente da República se aproximar da residência?

06h50
A irmã de Ramos-Horta telefona-lhe a dizer que havia tiroteio perto de sua casa em Meti-hau.

06h59
Primeira chamada para o Centro Nacional de Operações (NOC) a denunciar o primeiro tiroteio em Meti-hau. Duas unidades da Polícia das Nações Unidas e da Polícia Nacional deixam Becora, na periferia sudeste de Díli, e dirigem-se para a residência do Presidente da República.

07h00
Ramos-Horta dirige-se a casa para averiguar o que se passa e é gravemente atingido na mão, no abdómen e nas costas, no segundo tiroteio, a cerca de 20 metros do portão desta. Por que razão se dirige Ramos Horta à sua residência, sabendo que esta estava a ser atacada, quando poderia ter telefonado para a Polícia das Nações Unidas (UNPOL) ou para a GNR? À mesma hora um cidadão timorense telefona para a GNR a alertar para um tiroteio junto à casa do presidente, à saída de Díli, junto à praia da Areia Branca.

07h10
É chamada ao local do ataque a primeira ambulância.

07h13
O próprio Presidente da República telefona à sua chefe de gabinete, Natália Carrascalão, pedindo ajuda por se encontrar ferido.

07h15
Os primeiros elementos da GNR acompanhados por um enfermeiro do INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica) chegam ao local encontrando três corpos no chão. Assistem Ramos-Horta, que é um deles e que está sozinho e gravemente ferido. Este enfermeiro do INEM acabou por ser a primeira pessoa a prestar cuidados médicos ao presidente. A UNPOL chegou tarde ao local, ficou a 300 metros e não deu qualquer assistência ao presidente. Depois dos primeiros socorros, o presidente é evacuado pela GNR e pela equipa do INEM e demora 20 minutos até dar entrada no hospital de campanha das forças australianas em Díli, onde é operado por uma médica do INEM.
Estranhamente, enquanto este ataque se passava em Meti-hau, não eram tomadas nenhumas medidas especiais de segurança.

07h45
Hora e meia depois dos primeiros tiros em Meti-hau, a comitiva de Xanana Gusmão, aparentemente sem reforço de escolta, é atacada com fogo cerrado à saída de sua casa em Baibar pelo lugar-tenente do major rebelde, Gastão Salsinha. O primeiro-ministro escapa ileso e apesar de o seu carro ter sido atingido e de um dos carros da escolta se ter despenhado, consegue chegar à cidade.

Minutos depois, Gastão Salsinha volta à residência de Xanana Gusmão e tenta convencer a segurança deste a dar-lhe armas. Os seguranças recusaram e o grupo de Salsinha foi-se embora.

A esposa de Xanana Gusmão, a australiana Kirsty Sword-Gusmão, e os filhos ainda se encontravam em casa com apenas três guardas e completamente em pânico. A GNR foi chamada e evacuou-os num blindado.

Considerando que a posição da Austrália em 1974, ou seja, um ano antes da invasão indonésia de Dezembro de 1975, quando já se antecipava a retirada de Portugal, era de oposição a um novo Estado independente, argumentando que um país inviável fomentaria a instabilidade na região, considerando o apoio que a Austrália deu a Suharto e à Indonésia antes da independência de Timor, considerando as potencialidades petrolíferas do mar de Timor e o lançamento a nível internacional dos concursos para a licitação dos primeiros blocos de exploração de hidrocarbonetos on-shore na sua zona económica exclusiva (ZEE) em 2005, não que há de facto aqui qualquer coisa que está mal contada?

Como se pode ler aqui, Chip Henriss-Anderssen, major da força australiana que prestou serviço em Timor em 1999 com o contingente da ONU, afirmou “Fomos para Timor-Leste para ajudar as pessoas e agora estamos a dar-lhes bofetadas e a roubar-lhes o petróleo” e ”Temos de colocar a verdadeira questão, que é a de saber se fomos ou não para Timor para nos apropriarmos de reservas de petróleo que não são nossas”...

Fontes: DD, DN, JN, CM, Agência Lusa

Buraco tapado por Cosmopolita às 16:28
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